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  • Filme

    Polícia francesa enfrenta supervilões em trailer da Netflix

    20 de junho de 2021 /

    A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Como Virei Super-Herói”, que parece uma continuação francesa de “Power”. Assim como o filme estrelado por Jamie Foxx e Joseph Gordon-Levitt no ano passado, o novo filme se passa num mundo em que vilões ganham superpoderes ao ingerirem uma droga. Baseado num romance de Gerald Bronner, o longa acompanha dois policiais, vividos por Pio Marmaï (“Finalmente Livres”) e Vimala Pons (“Elle”), que lidam com crimes praticados por superpoderosos. O elenco ainda inclui Benoit Poelvoorde (“Românticos Anônimos”), Leila Bekhti (“The Eddy”) e Swann Arlaud (“Graças a Deus”). A produção é o primeiro longa escrito e dirigido por Douglas Attal, filho do aclamado produtor de cinema Alain Attal (“Não Conte a Ninguém”, “A Datilógrafa”, “Rock’n’Roll”). A estreia acontece em 9 de julho.

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  • Filme

    Comédia O Novíssimo Testamento deixa Deus em apuros

    27 de janeiro de 2016 /

    Deus existe e mora em Bruxelas. Se for assim, é porque a União Europeia é o centro do mundo terrestre? Nem tanto. Afinal, Deus é um sujeito de má índole, sacana, mal-humorado, que subjuga a mulher e deixa a filha de 10 anos irritada, querendo sair da prisão em que está metida. Além disso, ele não é nada sem o seu computador divino, de onde comanda o destino dos humanos. E a sua filha vinga-se dele, enviando a todos os seres humanos do planeta Terra a informação de quando, exatamente, ocorrerá a morte de cada um. Esse é o mote propulsor do filme “O Novíssimo Testamento”, de Jaco van Dormael, que já havia nos dado, em 1990, uma outra comédia brilhante, “Um Homem com Duas Vidas”. Aqui estamos, claro, no terreno da fantasia, da farsa e da ironia. Os tipos humanos que compõem a narrativa são todos atraentes e bizarros. O diretor põe muitas coisas e situações em cena. As sequências se sucedem com beleza visual e humor inteligente. Mas a certa altura do filme, a gente fica se perguntando como ele vai amarrar esses elementos todos. Afinal, o tempo está passando, está tudo muito interessante. Mas como isso vai acabar? Vai dar em algo? Aí é que o final surpreende. Sim, o diretor foi capaz de amarrar tudo e construiu um fecho legal, que soa tão bem quanto soou todo o filme. Um roteiro muito bem trabalhado. E tudo anda sem pressa, há espaço para cenas curiosas, brincadeiras diversas, explorações visuais, ironias aparentemente dispensáveis, mas no fim tudo de algum modo se encaixa. Uma narrativa original, algo desconexa e absurda, produz um entretenimento de qualidade em cinema de primeira linha. O grande achado da narrativa é, sem dúvida, o que acontece aos mais diversos personagens, quando sabem quanto tempo têm exatamente de vida, em anos, meses, dias, horas, minutos e segundos. Todo o plano de existência humana muda, de modo distinto para cada um. Mas, quando todos sabem do seu destino, a coletividade toda também muda e as relações passam a ser outras, de todos com todos. Os desafios se sucedem. Os negócios se tornam caóticos, o trabalho, comprometido, o ócio, finalmente vivido, e coisas mais radicais podem acontecer. O menino pode virar menina. O garotão que sabe que vai viver mais 62 anos desafia a morte. Uma mulher insatisfeita pode flertar com um gorila. É uma brincadeira e tanto! Que também nos leva à reflexão. Benoît Poelvoorde (“3 Corações”), como o inusitado Deus, costura uma história que tem na menina Pili Groyne (“Dois Dias, Uma Noite”) o grande destaque, mas que inclui atores como François Damiens (“A Família Bélier”) e Cathérine Deneuve (“De Cabeça Erguida”) em papéis menores, e Yolande Moreau (“Uma Juíza Sem Juízo”), que faz muito bem a esposa de Deus, aquela que vai do mutismo ao embelezamento do mundo. Belo filme, escolhido pela Bélgica para representar o país na disputa pelo Oscar de Filme Estrangeiro. Só que foi preterido, não entrou entre os cinco escolhidos para a disputa final. Mas “O Novíssimo Testamento” tem frescor e leveza, num trabalho em que o talento e o humor dão as cartas, com criatividade transbordando. É isso o que importa, não os prêmios que tenha recebido ou venha a receber.

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