Trailer de Bingo: O Rei das Manhãs, inspirado no palhaço Bozo, supera expectativas
A Warner divulgou o primeiro trailer de “Bingo: O Rei das Manhãs”. E a primeira coisa que chama atenção é o título. Durante a pré-produção, o projeto era conhecido como cinebiografia do palhaço Bozo. Mas a mudança não é para ser lamentada. Pela prévia, fica claro que o filme não faz concessões, o que é facilitado pela licença criativa, permitida pelo uso de nomes fictícios. De fato, o trailer supera expectativas, com cenografia e figurino que reconstituem fielmente a época, ao mesmo tempo em que ensaia um mix escandaloso de sexo, drogas e programa infantil. O filme marca a estreia na direção de Daniel Rezende, o premiado montador indicado ao Oscar por “Cidade de Deus” (2002), e traz Vladimir Britcha (“Muitos Homens num Só”) no papel de Augusto, personagem inspirado na vida de Arlindo Barreto, o Bozo. Na trama, Augusto é um artista que sonha com seu lugar sob os holofotes. A grande chance surge ao se tornar “Bingo”, um palhaço apresentador de um programa infantil na televisão que é sucesso absoluto. Porém, uma cláusula no contrato não permite revelar quem é o homem por trás da máscara, o que faz de Augusto, o “Rei das Manhãs”, o anônimo mais famoso do Brasil. Com muita ironia e humor ácido, ambientado numa roupagem pop e exagerada dos bastidores da televisão nos anos 1980, o filme conta essa incrível e surreal trajetória de um homem em busca do reconhecimento da sua arte. O roteiro é de Luiz Bolognesi (“Bicho de Sete Cabeças” e “Uma História de Amor e Fúria”), a fotografia de Lula Carvalho (“As Tartarugas Ninja”, “Robocop”) e o elenco ainda inclui Leandra Leal (“O Lobo Atrás da Porta”), Emanuelle Araújo (novela “Gabriela”) e até o apresentador do “Big Brother Brasil” Pedro Bial. “Bingo – O Rei das Manhãs” tem estreia prevista para agosto de 2017.
Good Girls Revolt é cancelada pela Amazon, apesar das críticas positivas
A Amazon anunciou o cancelamento de “Good Girls Revolt”, série de época que, desde sua concepção, vinha sendo considerada um espécie de “Mad Men” feminista. A notícia surpreendeu o mercado, já que a atração foi recebida por críticas entusiasmadas. A média no site Rotten Tomatoes é de 72% de aprovação. Segundo o site The Hollywood Reporter, a Sony, que produz a série, ainda não desistiu de fazer uma 2ª temporada e pretende abrir negócios com outros interessados. Passada na década de 1960, a série tratava da luta pela igualdade de direitos na redação de uma importante revista semanal, focando as repórteres que sofriam discriminação por não poderem assinar as matérias, na época uma prerrogativa de jornalistas masculinos. A série foi criada por Dana Calvo (roteirista da série “Franklin & Bash”) e adapta o livro homônimo de Lynn Povich, sobre a história real que rendeu um processo contra discriminação movido por funcionárias da revista Newsweek. A “revolta das boas moças” acabou virando um marco do feminismo, na luta contra a desigualdade de tratamento entre os gêneros. A produção tomou bastante liberdades, criando personagens e tramas fictícias, além de rebatizar a revista (virou “News of the Week”), mas manteve duas personalidades reais: Eleanor Holmes Norton, ativista do movimento feminista que, como advogada, representou as repórteres que processaram a Newsweek em 1970, e a pivô da revolta, ninguém menos que Nora Ephron, que viraria uma diretora famosa de cinema – são dela, entre outros, os filmes “Sintonia de Amor” (1992), “Mens@gem Pra Você” (1998) e “Julie & Julia” (2009). Nora é vivida por Grace Gummer (filha de Meryl Streep, que também está em “Mr. Robot”) e Eleanor por Joy Bryant (série “Parenthood”). O resto do elenco inclui Anna Camp (série “True Blood”), Genevieve Angelson (série “House of Lies”), Erin Darke (“The Beach Boys: Uma História de Sucesso”), James Belushi (série “According to Jim”), Chris Diamantopoulos (série “Episodes” e, curiosamente, a voz do Mickey Mouse), Daniel Eric Gold (série “Ugly Betty”) e Hunter Parrish (série “Weeds”). O piloto foi dirigido pela cineasta Liza Johnson (“Elvis & Nixon”) e a 1ª temporada estreou em 28 de outubro nos EUA. A Amazon não informa dados de audiência.
Ninguém Deseja a Noite vai da futilidade feminina aos instintos primais
Filha de uma alemã com um oficial militar americano, Josephine Diebitsch Peary veio a descobrir a vocação pela exploração de locais inóspitos ao se casar com Robert Edwin Peary aos 25 anos. As contribuições conjuntas em expedições, inclusive durante a gravidez de Marie, filha que deu à luz no Polo Norte, valeram-lhe o título de Dama do Ártico. Trata-se de uma figura real que buscou não viver à sombra de seu marido, recebendo em “Ninguém Deseja a Noite” o papel de protagonista. Interpretada por Juliette Binoche (“Acima das Nuvens”), a Josephine cinematográfica não é apresentada pela cineasta espanhola Isabel Coixet (“A Vida Secreta das Palavras”) e o roteirista Miguel Barros (“Os Implacáveis”) como uma heroína, entretanto. Qualquer tom de aventura que a premissa poderia corresponder é limado para exibir o drama de uma Josephine no ápice da fragilidade, clamando por seu Robert ao ponto em ir a sua procura com toda a instabilidade de uma paisagem marcada pelo branco da nevasca. Incapaz de traçar o trajeto por si própria, Josephine convence Bram Trevor (Gabriel Byrne, de “Mais Forte que Bombas”) a liderar uma viagem com esquimós, estes sempre encarados pelos estrangeiros como meros mapas ambulantes com habilidades para a caça e o transporte de bens. Feroz quando contrariada, Josephine parece distante da realidade que passa a rodeá-la, desejando a todo custo reencontrar o amado como a protagonista de uma fábula, inclusive carregando consigo um guarda-roupa com peças luxuosas. Se no primeiro ato acompanhamos uma mulher fútil que ignora os riscos que pode pagar para saciar o seu capricho, a segunda metade mostra o preço disso e a transformação da personagem. “Ninguém Deseja a Noite” caminha em direção oposta a de “A Rainha do Deserto”, de Werner Herzog, que reduziu a grande Gertrude Bell a uma moça ingênua, guiada por lamúrias amorosas ao invés da curiosidade em conhecer a amplitude do mundo. Isso porque a versão ficcional de Josephine passará a ter a companhia da esquimó Allaka (Rinko Kikuchi, de “Círculo de Fogo”) para colocar em perspectiva o seu vazio emocional. Essa mudança súbita de foco talvez seja a razão de “Ninguém Deseja a Noite” ter sido severamente criticado em sua première no Festival de Berlim de 2015. No entanto, é ela a responsável por engrandecê-lo. O romance com molduras épicas e a aventura antropológica dão lugar à visão de Isabel Coixet sobre o que é uma mulher em seu sentido mais primitivo. Unidas por algo em comum, Josephine e Allaka se transformam com a vinda de um inverno rigoroso, devastando tudo que as protege até restarem apenas os instintos maternais e de sobrevivência. Ao decifrar a natureza de suas personagens com tanta intensidade, Coixet volta a provar o quão especial (e subestimada) é diante de seus colegas contemporâneos.
Pesquisa indica que Selma é a cinebiografia mais verídica e O Jogo da Imitação a menos real de Hollywood
O site Information Is Beautiful resolveu tirar à limpo o quanto são reais as cinebiografias e os filmes baseados em fatos reais dos últimos anos. E o resultado da pesquisa e checagem de fatos revelou que um filme ignorado pelo Oscar foi o mais consistente, enquanto outro, que venceu o Oscar de Melhor Roteiro, o mais chutado de todos. Escrito pelo estreante Paul Webb e dirigido por Ava DuVernay, “Selma – Uma Luta pela Liberdade” foi o filme que se saiu melhor em relação à veracidade de sua história. A cinebiografia do pastor e ativista social Martin Luther King Jr refletiu de forma 100% verídica os fatos históricos, mostrando como de fato foram as marchas realizadas por ele e manifestantes pacifistas em 1965, entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, e a repressão que enfrentaram. Já o filme que sepulta os fatos com a maior quantidade de invenções é “O Jogo da Imitação”. Escrito por Graham Moore, vencedor do Oscar por sua adaptação do livro de Andrew Hodges em que a trama se baseia, o filme só tem dois acontecimentos que aconteceram conforme mostrado: que Alan Turing trabalhou como criptoanalista durante a guerra e que foi preso por conta de sua homossexualidade após o conflito. Já a invenção do computador aconteceu de forma muito menos apaixonante, assim como a quebra do código da máquina Enigma, aponta o relatório do site. A conclusão é que apenas 41% das cenas dirigidas por Morten Tyldum correspondem a fatos históricos. “Alan Turing (o protagonista) chegou sim a trabalhar como criptoanalista em Bletchley Park durante a guerra e sua prisão foi por causa de sua homossexualidade. Isto é verdade. Mas o restante do filme não é. Para ser justo, reproduzir a incrível complexidade da Enigma e da criptografia em geral nunca seria tarefa fácil, mas o filme conseguiu simplesmente mostrar isso de forma falsa”, diz o site. Outros filmes que contaram pouco mais que meias verdade foram “Clube de Compras Dallas” e “Sniper Americano”, ambos indicados ao Oscar de Melhor Filme e Roteiro do ano, mesmo com pilhas de fatos imprecisos. Confira abaixo como se saíram os filmes examinados: 1. Selma – Uma Luta Pela Igualdade (100.0%) 2. A Grande Aposta (91.4%) 3. Ponte dos Espiões (89.9%) 4. 12 Anos de Escravidão (88.1%) 5. Rush – No Limite da Emoção (82.9%) 6. Spotlight – Segredos Revelados (81.6%) 7. Capitão Phillips (80.4%) 8. O Lobo de Wall Street (80.0%) 9. A Rede Social (76.1%) 10. O Discurso do Rei (74.4%) 11. Philomena (70.9%) 12. Clube de Compras Dallas (61.4%) 13. Sniper Americano (56.9%) 14. O Jogo da Imitação (41.4%)
Globo quer Alice Braga e Rodrigo Santoro em minissérie histórica sobre o holocausto
A Globo quer juntar dois dos atores brasileiros mais bem-sucedidos de Hollywood numa minissérie histórica sobre o holocausto. A emissora carioca quer contar com Alice Braga no papel principal, e Rodrigo Santoro no elenco de “O Anjo de Hamburgo” (título de trabalho), dramatização da história de Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa (1908-2011), a brasileira que salvou cerca de 200 famílias de judeus da prisão e da morte na Alemanha nazista. O roteiro está sendo escrito por Mário Teixeira, autor de “Liberdade, Liberdade”, e a direção-geral está a cargo de Jayme Monjardim, que filmou “Olga” (2004), sobre Olga Benário Prestes, morta em 1942 justamente em um campo de extermínio nazista. A Globo tenta conciliar as agendas dos dois atores nos EUA para planejar as gravações da minissérie, que aconteceriam no ano que vem, visando uma estreia em 2018. Segundo o blog Notícias da TV, eles já leram o material de apresentação da obra e ficaram entusiasmados. Alice estrela a série “The Queen of South” (A Rainha do Sul) no canal pago americano USA Network e Santoro está no elenco de “Westworld”, do HBO. Ambas as séries foram renovadas, mas isso não os impede de fazer outros trabalhos. Aracy foi casada com o escritor João Guimarães Rosa (1908-1967), que dedicou a ela o clássico literário “Grande Sertão: Veredas”, lançado em 1956. Era católica praticante, filha de pai português e mãe alemã. Poliglota, virou secretária do consulado brasileiro em Hamburgo, por onde emitiu vistos para judeus perseguidos pelo nazismo migrarem para o Brasil. Em alguns casos, ainda os ajudava a sair da Alemanha, às vezes usando seu próprio carro. Fez isso clandestinamente e sob alto risco, entre os anos 1930 e 1940. Na época, inclusive, vigorava uma circular do governo brasileiro que recomendava o veto à entrada de judeus no país. Seu heroísmo foi reconhecido pela comunidade judaica, que a homenageou em 1982. Seu nome está registrado no memorial das vítimas do Holocausto, em Israel, e no Museu do Holocausto de Washington. Foi, por sinal, graças à esta ação humanitária que Aracy se aproximou de Guimarães Rosa, que foi cônsul-adjunto em Hamburgo. Embora não tenha sido revelado, é provável que Santoro esteja sendo cotado para viver o escritor.
Diretor de O Grande Mestre vai estrear em Hollywood com filme sobre o assassinato do herdeiro da grife Gucci
O cineasta chinês Wong Kar Wai (“O Grande Mestre”) vai estrear em Hollywood com um filme sobre o assassinato do empresário da moda Maurizio Gucci, neto do fundador da grife Gucci. A informação é do jornal inglês The Guardian. Maurizio Gucci comandou a empresa até 1993 quando vendeu sua parte nos negócios por US$ 170 milhões. Dois anos depois, ele foi morto por um assassino de aluguel contratado pela própria esposa, Patricia Reggiani. Ela confessou o crime e foi condenada como mandante do assassinato. Originalmente, o filme seria dirigido por Ridley Scott (“Perdido em Marte”) e teria Leonardo DiCaprio (“O Regresso”) e Angelina Jolie (“Malévola”) como os protagonistas. Neste momento, Margot Robbie (“Esquadrão Suicida”) está cotada para viver Patricia Reggiani. O roteiro está sendo escrito pela dupla Andrea Berloff (“Straight Outta Compton”) e Charles Randolph (“A Grande Aposta”), e a produção está a cargo do estúdio americano Annapurna Pictures. Ainda sem título, o filme será o primeiro trabalho do cineasta chinês produzido por um estúdio americano, mas sua segunda obra falada em inglês. Em 2007, ele filmou Natalie Portman, Jude Law, Rachel Weiz e a cantora Norah Jones em “Um Beijo Roubado”, rodado nos EUA, mas coproduzido por estúdios de Hong Kong, da China e da França.
The Zookeeper’s Wife: Jessica Chastain vive heroína do holocausto em trailer dramático
A Focus Features divulgou o pôster, as fotos e o primeiro trailer de “The Zookeeper’s Wife”, drama sobre o holocausto estrelado por Jessica Chastain (“A Colina Escarlate”). Baseado no livro homônimo e nos diários reais de Antonina Żabiński, o filme se passa na Polônia e conta como Antonina (Chastain) e seu marido (Johan Heldenbergh, em cartaz em “As Confissões”) transformaram o jardim do zoológico de Varsóvia num abrigo secreto para esconder judeus durante a invasão nazista do país, mesmo diante da vigília constante do comandante do Reich (Daniel Brühl, de “Capitão América: Guerra Civil”). A adaptação foi escrita por Angela Workman (“Flor de Neve e o Leque Secreto”) e dirigida por Niki Caro (“Terra Fria”). A estreia está marcada para 31 de março nos EUA e não há previsão de lançamento no Brasil.
Steve Carell vai estrelar filme de Robert Zemeckis baseado em documentário premiado
Enquanto promove o lançamento de “Aliados”, o diretor Robert Zemeckis já prepara novo filme. Assim como fez em “A Travessia” (2015), ele irá adaptar uma história que fez sucesso como documentário. Trata-se de uma adaptação de “Marwencol” (2010), premiado em vários festivais, que, segundo o site The Wrap, será estrelada por Steve Carell. “Marwencol” conta a história de Mark Hogancamp, que, após agredido por vários homens em um bar, entra em coma e, ao despertar, percebe ter perdido totalmente a memória, esquecendo a família e os amigos. Para recuperar as lembranças, ele constrói uma maquete em miniatura de uma cidade belga chamada Marwencol, durante a 2ª Guerra Mundial. Dentro da maquete ficam bonecos representando os familiares e amigos próximos, e Mark passa a viver em suas histórias fictícias. A adaptação será intitulada “The Women of Marwen” e terá roteiro de Caroline Thompson (“Edward Mãos de Tesoura”). Com produção da Universal Pictures, o longa ainda não tem data para estrear nos cinemas.
Série vai investigar os assassinatos dos rappers Tupac Shakur e Notorious B.I.G.
O canal pago americano USA Network vai lançar a sua versão de “American Crime Story”, acompanhando crimes americanos populares, que, para se diferenciar, ainda não teriam sido resolvidos. A atração vai se chamar “Unsolved”. E o curioso é que o responsável por dirigir e produzir o piloto é Anthony Hemingway, que venceu um Emmy por seu trabalho em “American Crime Story: O Povo contra O.J. Simpson”. A 1ª temporada vai investigar as mortes dos rappers Notorious B.I.G. e Tupac Shakur. A trama será baseada na investigação do ex-detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD) Greg Kading, autor do livro “Murder Rap: The Untold Story of Biggie Smalls & Tupac Shakur Murder Investigations”, e terá roteiro de Kyle Long (da série “Suits”). Tupac Shakur morreu no dia 13 de setembro de 1996, em Las Vegas, no auge do sucesso, quando era um dos principais rappers da Costa Oeste norte-americana. Na época, havia uma disputa ferrenha entre rappers da California e de Nova York, que envolviam até criminosos que os apoiavam – um deles, Suge Knight, era o dono da gravadora de Tupac – , e seis meses depois veio o troco, com o assassinato de Biggie Smalls no dia 9 de março de 1997, executado em Los Angeles também no ápice da carreira e da mesma forma que o rival: com tiros disparados contra seu carro. A história já foi apresentada no filme “Notorious B.I.G.: Nenhum Sonho é Grande Demais” (2009) e está para ser revisitada em duas novas produções cinematográficas: “All Eyez On Me”, que é uma cinebiografia de Tupac, e “Labyrint”, que tem a mesma premissa policial da série “Unsolved”, com o detalhe de ser estrelada por Johnny Depp. Além disso, o canal pago TBS prepara a série de comédia “Think B.I.G.”, baseada na vida de Biggie “Notorious B.I.G.” Smalls. Por enquanto, “Unsolved” ainda está em estágio de produção de piloto. O episódio teste precisará ser aprovado pelos executivos do USA para virar série.
Rosario Dawson vai viver garota vendida pela família que virou ativista pelos direitos das mulheres
A atriz Rosario Dawson vai estrelar a adaptação da biografia “A Little Piece of Light”, baseada na história real de Donna Hylton. A informação é do site Deadline. Nascida na Jamaica, Hylton foi vendida pelos pais para um casal em Nova York quando tinha 7 de anos. Achando que iria viajar para a Disney, ela acaba sendo vítima do padrasto pedófilo. Aos 19 anos de idade, Hylton foi presa por uma suposta participação no sequestro e assassinato de um policial. Condenada a 25 anos de cadeia, ela saiu da prisão em 2012 e se tornou uma ativista pelos direitos das mulheres. A produção ainda busca uma diretora e uma roteirista e, por isso, a data de lançamento de “A Little Piece of Light” nos cinemas ainda não foi definida.
O Nascimento de Uma Nação é obra impactante de um diretor mergulhado em polêmica
Quando se discute os primeiros avanços da linguagem cinematográfica, é inevitável citar “Um Nascimento de Uma Nação”. No entanto, por trás daquela produção de 1915, em que D.W. Griffith promoveu evoluções narrativas e técnicas, há um discurso racista repulsivo, que ainda gera controvérsias cem anos depois. Nem mesmo “Intolerância”, lançado no ano seguinte como uma “compensação”, removeu o estigma de Griffith de cineasta maldito, ainda que genial. Protagonista em “Nos Bastidores da Fama”, o ator Nate Parker debuta como diretor fazendo uma provocação ao legado deixado pela obra de Griffith, apropriando-se do mesmo título para contar a história de Nat Turner, líder de uma histórica rebelião de escravos na Virgínia de 1831. A ironia é que Parker acabou carregando também uma polêmica consigo, esta de cunho pessoal: no mesmo instante em que se discutia as possibilidades de seu filme se destacar no Oscar 2017, veio a público uma acusação de suposto estupro que ele teria cometido quando ainda era universitário e que teria levado a vítima a cometer suicídio Apesar de ter vencido o Festival de Sundance no começo do ano, “O Nascimento de Uma Nação” agora vê as suas chances de novas premiações reduzidas a zero, além de amargar um fracasso comercial que certamente acionou o alarme da Fox Searchlight, que obteve os direitos de distribuição do longa pelo valor recorde de US$ 17,5 milhões, o dobro do orçamento da produção, após sua repercussão inicial. Mais uma vez vem a indagação para problematizar a experiência cinematográfica: é possível separar a obra artística de seu autor? Atendo-se somente ao filme, é indiscutível o seu impacto e relevância, ao tratar um tópico sombrio da história da humanidade, que deve ser sempre lembrado, especialmente quando ainda se nutre preconceito por etnias específicas. Trata-se também de uma abordagem diferente dos filmes de escravidão, que não se contenta com a denúncia, ao mostrar a reação de negros contra os abusos de seus “donos”. Nat Turner, vivido pelo próprio Nate Parker, era um escravo visto com certo fascínio por seus próprios contemporâneos, não somente por ter recorrido a subterfúgios para se alfabetizar, mas pela influência natural que exercia como pregador, proporcionando para si e para os outros algum alento com a sua crença no divino. Foi também quem promoveu uma rebelião histórica, quando a situação atingiu um limite em que nada mais poderia ser feito a não ser se rebelar. Ainda que Parker, como diretor, não consiga resistir a tentação de conferir um tom poético às suas imagens, como no enforcamento que se apresenta a partir de um plano fechado em uma borboleta, ou nas duas ou três visões de um anjo, o seu registro é muito mais contundente que o celebrado “12 Anos de Escravidão” (2013), impondo a crueza que se espera de uma história capaz de ressoar no presente, onde a intolerância permanece enraizada.
Vida da família de Karl Marx vai virar série épica
A vida do pai do comunismo vai virar produto premium do capitalismo. O produtor James Schamus, que estreou como diretor este ano, no longa “Indignação”, fechou parcerias europeias para desenvolver “Love and Capital”, uma série épica, baseada na biografia homônima de Mary Gabriel, sobre a família de Karl Marx. A série será desenvolvida pela roteirista Alice Birch (“Lady Macbeth”) e gravada na Europa, narrando a vida real do filósofo alemão, suas lutas ao lado do parceiro Friedrich Engels, e seu relacionamento com a esposa Jenny, suas três filhas extraordinárias, Jennychen, Laura e Eleanor, e as duas mulheres de Engels, as irmãs irlandesas Mary e Lizzie Burns. Em comunicado, Schamus afirma que a produção vai mostrar como as vidas dessas pessoas foram agitadas no século 19, repletas de casos ilícitos, tramas revolucionárias, pactos suicidas, fugas à meia-noite, de um luxo aristocrático e de uma pobreza digna dos romances de Dickens, tendo como pano de fundo um mundo em chamas e a formação de ideias que transformariam a sociedade dos séculos seguintes. Publicado em 2011, “Love and Capital” foi resultado de anos de pesquisa junto à família Marx, sendo indicado a vários prêmios, inclusive o Pulitzer. Marx é bastante conhecido por suas teorias sobre a sociedade, economia e política – o chamado marxismo – , mas sua vida privada nunca foi muito comentada. E um detalhe interessante no livro de Mary Gabriel é que ele privilegia o olhar das muitas mulheres que acompanharam Marx e Engels em sua jornada. “Ao permitir-nos experimentar esta extraordinária história através dos olhos das mulheres que viveram isso, Mary Gabriel nos permite, pela primeira vez, sentir todo o drama humano do homem que desafiou o nosso mundo”, escreveu Schamus. “Esta série será um evento televisivo e um tema perfeito para uma produção de grande escala europeia com parceiros de tremenda distinção e gosto”. A produção também será a primeira incursão da Symbolic Exchange, empresa do ex-CEO da Focus Features, no mercado televisivo. Para esse negócio, ele se associou à X-Filme Creative Pool, uma produtora alemã que tem entre seus sócios os diretores Wolfgang Becker (“Adeus, Lenin!”) e Tom Tykwer (“A Viagem”), à francesa Haut et Court, que produziu a série britânica “The Last Panthers”, e à britânica Potboiler, responsável pelas adaptações recentes de John Le Carré, como “O Jardineiro Fiel” (2005), “O Homem Mais Procurado” (2014) e “Nosso Fiel Traidor” (2016).
Tom Holland e Katherine Waterston se juntam a Benedict Cumberbath em filme sobre inventores da eletricidade
O drama de época “The Current War”, sobre os inventores da eletricidade, eletrificou ainda mais o seu potencial com as contratações de Tom Holland (o novo Homem-Aranha) e Katherine Waterston (do vindouro “Animais Fantásticos e Onde Habitam”). Eles vão se juntar a um elenco que já conta com Benedict Cumberbath (“Doutor Estranho”) no papel de Thomas Edison, Michael Shannon (“O Homem de Aço”) como George Westinghouse e Nicholas Hoult (“X-Men: Apocalipse”) como Nikolas Tesla. Segundo o site The Hollywood Reporter, Holland viverá um assistente de Edison e Waterson a esposa de Westinghouse. O filme vai girar em torno da rivalidade entre Edison e Westinghouse, que travaram uma feroz disputa comercial que ficou conhecida como “A Guerra das Correntes”, em relação às patentes de cada um, a corrente continua de Edison e a corrente alternada de Westinghouse (criada por Nikola Tesla), que concorriam por contratos de eletricidade em cidades e estados no final dos século 19. Para determinar qual das correntes era melhor, até a pena de morte entrou no debate, culminando na invenção da cadeira elétrica. O projeto já tem quatro anos. O cineasta cazaque Timur Bekmambetov (“Ben-Hur”) adquiriu os direitos sobre a trama em 2012. Mas, após seus recentes fracassos comerciais, não vai dirigir o longa, ficando apenas como produtor. A direção está nas mãos de Alfonso Gomez-Rejon (“Eu, Você e A Garota que vai Morrer”) e o roteiro a cargo de Michael Mitnick (“O Doador de Memórias”). As filmagens devem começar no início de dezembro, mas ainda não há previsão para a estreia.












