Veja o vídeo do teste de Carrie Fisher para o papel de Princesa Leia
Um vídeo de Carrie Fisher, falecida nesta terça (27/12), revela como a atriz conseguiu seu famoso papel de Princesa Leia em “Guerra nas Estrelas” (1977). A gravação de 1976 registra o teste da atriz, ainda sem o famoso penteado da personagem, repassando suas falas com o ator Harrison Ford. O diálogo aborda a necessidade de enfrentar a Estrela da Morte, uma trama que, 40 anos depois, continua a reverberar nos cinemas, agora em “Rogue One: Uma História Star Wars”. Confira:
Criador de Sons of Anarchy planeja um prólogo da série passado nos anos 1970
Além de produzir um spin-off centrado nos motoqueiros latinos de “Sons of Anarchy”, os Mayans MC, o criador da série, Kurt Sutter, tem planos para outra atração derivada. Em entrevista ao podcast do ator e comediante Tom Arnold, Sutter revelou o desejo de contar a história dos chamados “First Nine”, que fundaram o Sons of Anarchy Motorcycle Club nos anos 1970, depois de retornarem da guerra do Vietnã. No papo, Sutter disse que pensa nos First Nine não como uma série de várias temporadas, mas sim como uma minissérie limitada. A ideia seria usar os manuscritos de John Teller (lidos por Jax em vários momentos de “SoA”) como base da história, que começaria no Vietnã com John Teller e Piney Winston (pai do Opie) e mostraria como os dois formaram o Sons of Anarchy com as entradas de Clay, Lenny, Otto e cia, encenando todos os conflitos que transformaram o clube fundado numa filosofia hippie numa organização de foras-da-lei. Por enquanto, isso é apenas uma ideia do produtor-roteirista. Já “Mayans FC” é um projeto em andamento, tocado pelo cineasta indie Elgin James (“Little Birds”), que foi membro fundador de uma gangue de Boston e chegou a cumprir pena na prisão. O canal pago FX encomendou um roteiro deste spin-off em maio, demorou para aprovar, mas há poucos dias deu sinal verde para a produção do piloto do projeto. Este piloto ainda precisará passar pelo crivo dos executivos da emissora para “Mayans FC” virar série.
Tony Ramos vai estrelar próximo filme de Jorge Furtado
O ator Tony Ramos (“Getúlio”) vai voltar aos cinemas para estrelar o novo filme do diretor Jorge Furtado (“Real Beleza”). Trata-se de uma adaptação de “Rasga Coração”, baseado na peça de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha (criador da série “A Grande Família”), escrita enquanto ele lutava contra o tumor que o mataria em 1974, aos 41 anos de idade. Censurada pela ditadura, a trama gira em torno de um comunista que repassa a história política do país, desde a revolução de 1930, realizada por Getúlio Vargas, até a ditadura imposta pelos militares. Por curiosidade, Ramos viveu Getúlio no filme homônimo de 2014. E sua colega de cena, Luisa Arraes (“Reza a Lenda”), é neta do ex-governador Miguel Arraes, preso pela ditadura de 1964. O texto da peça, por sinal, apresenta três gerações – avô, pai e filho – sempre em situações de luta, cada uma delas, para impor-se diante do autoritarismo dos que detêm o poder. As filmagens estão previstas para acontecer na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, entre maio e junho. A produção é uma parceria entre a Casa de Cinema de Porto Alegre e a Globo Filmes e ainda não há data de lançamento definida.
Michael Caine, Morgan Freeman e Alan Arkin decidem assaltar um banco em trailer legendado de comédia
A Warner divulgou o pôster e o trailer legendado de “Despedida em Grande Estilo”, comédia de assalto estrelada por Morgan Freeman, Alan Arkin e Michael Caine. Caine é especialista em filmes de assaltos complexos, tendo estrelado alguns clássicos, entre eles “Como Possuir Lissu” (1966) e “Um Golpe à Italiana” (1969), além de ter firmado uma parceria bem-sucedida com Freeman na franquia “Truque de Mestre” (sem mencionar três “Batman”). Já Arkin tentou roubar uma cega e não conseguiu, no clássico “Um Clarão nas Trevas” (1967). Já velhinhos, os três vão tentar mais um roubo espetacular. Fartos de serem menosprezados e furiosos após perderem os benefícios da aposentadoria, se juntam para roubar o banco que lhes passou a perna. Mas o crime perfeito se prova mais complicado que eles imaginavam. A trama é um remake do filme homônimo de 1979, escrito e dirigido por Martin Brest (“Fuga da Meia-Noite”, “Um Tira da Pesada”). A nova versão foi escrita por Theodore Melfi (“Um Santo Vizinho”) e dirigida pelo astro de “Scrubs” Zach Braff (seu terceiro longa como diretor, após “Hora de Voltar” e “Lições em Família”). O elenco ainda inclui Ann-Margret (“Tommy”), John Ortiz (“O Lado Bom da Vida”), Matt Dillon (série “Wayward Pines”), Peter Serafinowicz (“Guardiões da Galáxia”), Christopher Lloyd (“De Volta para o Futuro”) e Joey King (“Independence Day: O Ressurgimento”). A estreia acontece em 20 de abril no Brasil, duas semanas após o lançamento nos EUA.
Clássico blaxploitation, Foxy Brown vai virar série
O clássico do cinema black dos anos 1970 “Foxy Brown” vai virar série da plataforma de streaming Hulu. A nova versão trará a atriz Meagan Good (série “Minority Report”) no papel-título, que foi interpretada por Pam Grier (“Jackie Brown”) em 1974. O filme original de Jack Hill trazia a jovem Foxy Brown em busca de vingança pela morte do namorado por um cartel de traficantes. Cultuadíssimo, influenciou diversas produções a mostrar mulheres negras capazes de chutar traseiros, incluindo nisso a homenagem de Quentin Tarantino, “Jackie Brown”, estrelada pela mesma atriz em 1997. A adaptação está sendo desenvolvida por Malcolm Spellman (roteirista da série “Empire”) e Ben Watkins (criador da série “Hand of God”), com produção de Meagan Good e seu marido DeVon Franklin (produtor do filme cristão “Milagres do Paraíso”). A Hulu ainda não marcou a estreia da produção, que será a segunda série recente se inspirar na era blaxploitation, de filmes de crimes e música funk dos anos 1970. O tom caiu como uma luva para a série “Luke Cage”, mas os filmes originais envelheceram muito mal. Confira abaixo o trailer de “Foxy Brown” para comprovar.
Rogue One cumpre sua missão e valoriza ainda mais a franquia
“Durante a batalha, espiões rebeldes conseguem roubar os planos secretos da arma decisiva do Império, a Estrela da Morte”. A frase está no famoso texto de abertura de “Guerra nas Estrelas”, lançado em 1977. Usar como sinopse o prólogo do “Star Wars” original era uma escolha arriscada, já que todo fã da saga sabe como a história acaba. “Rogue One: Uma História Star Wars” assume o risco e entrega uma dos melhores filme da franquia. Com sete filmes, vários livros, animações, games, quadrinhos e tudo o mais que for possível licenciar, “Star Wars” deixou de ser uma série de cinema e foi se tornando – ao longo de quase quarenta anos – um mundo próprio, com seus fatos históricos, heróis e vilões. A grande ideia por trás de “Rogue One” é assumir a saga como História com H maiúsculo, uma narrativa sobre um tempo passado (o “Há muito tempo atrás” de suas aberturas) em um lugar longínquo (a “galáxia muito distante”). Assim como é possível se emocionar com “Band of Brothers” mesmo já sabendo quem venceu a 2ª Guerra Mundial, a experiência com “Rogue One” pode ser encarada como a representação de um fato histórico importante para a História da galáxia. Sabemos que os “espiões rebeldes conseguem roubar os planos secretos”, mas não como e nem quem são eles, e muito menos os sacrifícios exigidos para tal. O diretor Gareth Edwards (“Godzilla”) fez um filme de guerra, sujo, violento, em que os personagens são peças menores dentro de um acontecimento maior. Não espere jedis superpoderosos com feitos extraordinários, em “Rogue One” a missão é mais importante do que seus soldados. Mesmo assim, o filme segue a jornada do herói com a estrutura clássica dos filmes da série: Jyn Erso é a filha de uma pessoa importante (os laços familiares sempre fundamentais na mitologia da saga), possui um mentor misterioso e encontra aliados improváveis, incluindo um robô de personalidade forte (e além disso o clímax se divide em três linhas narrativas, como acontece nos outros episódios). O que difere é este olhar histórico, consciente da importância do que está sendo narrado e com poder de ressignificar o próprio “Episódio IV”, que deu início a tudo. O filme assume um tom mais sério e fatalista (com direito a referências a conflitos atuais em relação a guerras religiosas, armas de destruição em massa e terrorismo), mas também tem ótimas piadas e personagens cativantes. Este equilíbrio entre o macro (a História) e o micro (a relação entre os personagens) é o maior mérito de “Rogue One”, que consegue ao mesmo tempo ser diferente, mas também um típico “Star Wars” (incluindo as atuações irregulares). E apesar da experiência ser melhor para quem conhece o filme de 1977, trata-se de uma obra que pode ser vista por quem nunca teve contato com “Guerra nas Estrelas”, funcionando também de forma independente. Com bom ritmo, escala épica e um dos grandes momentos de toda a saga (que envolve alguns pobres rebeldes encurralados com uma porta que não abre totalmente), “Rogue One” é mais do que um passatempo até a chegada do “Episódio VIII” ou uma ponte pro “Episódio IV”: é bom cinema, bem escrito, bem dirigido e sem medo de tomar as decisões que precisa para cumprir sua missão: transformar a frase de abertura de um filme em uma obra de arte.
Andrea Tonacci (1944 – 2016)
Morreu o cineasta Andrea Tonacci, um dos principais nomes do cinema marginal brasileiro. Ele faleceu na sexta-feira, vítima de câncer no pâncreas. Tonacci nasceu em Roma, na Itália, em 1944, e se mudou com a família para São Paulo aos 10 anos. Fez sua estreia no cinema com o curta “Olho por Olho” (1966), feito na mesma época e com a mesma equipe de “Documentário”, de Rogério Sganzerla, e “O Pedestre”, de Otoniel Santos Pereira. Seu primeiro longa, “Bang-Bang” (1971), com Paulo Cesar Pereio numa máscara de macaco, se tornou um marco do cinema marginal brasileiro, como ficou conhecida a geração contracultural, que reagia ao intelectualismo exacerbado do Cinema Novo. A ditadura militar não distinguia entre os dois movimentos e tratava de dificultar a exibição por igual. Por isso, o filme teve carreira restrita a cineclubes no Brasil, mas acabou escolhido para a prestigiada Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Rodada em Belo Horizonte, a obra trazia Pereio mascarado e delirante, em fuga de sujeitos estranhos, e pode ser interpretada como alegoria à falta de saídas diante da ditadura. Ele também provocou a ditadura com o curta “Blábláblá” (1968), em que o ator Paulo Gracindo vivia um ditador demagógico. Mas não demorou a abandonar as alegorias para mostrar o que realmente acontecia no país, aproximando-se da linguagem documental e se especializando em temas da cultura indígena. Em curto período, ele dirigiu filmes como “Guaranis do Espírito Santo” (1979), “Os Araras” (1980) e “Conversas no Maranhão” (1977-83). Nos anos 1990, fez apenas um documentário sobre a “Biblioteca Nacional” (1997) para ressurgir com força na década seguinte com seu filme mais impactante, “Serras da Desordem” (2006), que resgata a história do massacre da tribo Awá-Guajá nos anos 1970 na Amazônia, a partir do ponto de vista de um sobrevivente. Combinação de documentário com ficção, o longa venceu os prêmios de Melhor Filme, Direção e Fotografia no Festival de Gramado. E recentemente entrou na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, elaborada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). O último filme de Tonacci foi “Já Visto Jamais Visto” (2014), no qual o cineasta revisita suas memórias com registros inéditos de imagens de família, viagens, projetos inacabados, etc. No começo do ano, ele completou o balaço com uma homenagem e retrospectiva no Festival de Tiradentes, em celebração aos seus 50 anos de carreira.
Bernard Fox (1927 – 2016)
Morreu o ator galês Bernard Fox, até hoje lembrado como o doutor Bombay na série clássica “A Feiticeira”. Ele faleceu em Los Angeles na quarta-feira (14/12), aos 89 anos, após sofrer insuficiência cardíaca. Fox, na verdade, nasceu Bernard Lawson, em 11 de maio de 1927, no País de Gales. Filho de atores de teatro, estreou nos palcos ainda bebê, quando os pais precisaram de uma criança para uma peça. Na pré-adolescência, já trabalhava como assistente de diretor de um teatro. Entre 1958 e 1959, ele estrelou a série britânica “Three Live Wires”, comédia sobre três jovens que trabalhavam no mesmo departamento de uma loja de eletrodomésticos. Mas o amor mudou o rumo de sua carreira. Após se casar com a atriz americana Jacqueline Holt, com quem contracenou numa peça, ele acabou se mudando para os EUA em 1962, onde acabou acumulando participações em séries clássicas. Ele apareceu em séries tão diferentes quanto “Combate”, “Perry Mason”, “Jeannie É um Gênio”, “O Agente da UNCLE”, “James West”, “E As Noivas Chegaram”, “Daniel Boone”, “O Rei dos Ladrões”, “Têmpera de Aço”, “A Família Dó-Ré-Mi”, “Galeria do Terror”, “Columbo”, “Barnaby Jones”, “M*A*S*H”, “Os Gatões”, “Ilha da Fantasia”, “Casal 20”, “O Barco do Amor”, “A Supermáquina”, “Duro na Queda” e “Assassinato por Escrito”, entre outras. Mas é mais lembrado por dois papéis marcantes. O ator teve participações recorrentes nas séries de comédias “Guerra, Sombra e Água Fresca” (1965–1971), na qual interpretou o Coronel Rodney Crittendon, um oficial britânico prisioneiro de guerra, e principalmente em “A Feiticeira” (1964–1972), onde roubou as cenas como o Dr. Bombay, um médico de bruxas que tratava doenças sobrenaturais com sintomas bizarros. Bombay costumava atender chamados de emergência de Samantha (Elizabeth Montgomery) nas horas mais impróprias, sendo geralmente convocado em seus momentos de laser – ele sempre aparecia em meio a uma nuvem de fumaça, por vezes trajado à rigor para uma noite na ópera, outras vez com traje de mergulho, equipamento de alpinismo e até enrolado em uma toalha, prestes a tomar banho. Bombay fez tanto sucesso que Bernard voltou a interpretá-lo em mais duas atrações: no spin-off “Tabitha”, dos anos 1970, centrado na filha de “A Feiticeira”, e mais recentemente na novela “Passions”, dos anos 2000, passada numa cidade onde ocorriam alguns eventos sobrenaturais. Bombay apareceu duas vezes na cidade para atender a bruxa Tabitha, inspirada na personagem de “A Feiticeira”. No cinema, ele ainda coadjuvou em “Aguenta Mão” (1966), musical de rock com a banda inglesa Herman’s Hermits, no filme derivado da série “Os Monstros”, “Monstros, Não Amolem” (1966), e nas comédias “Herbie – O Fusca Enamorado” (1977) e “De Volta aos 18” (1988). Mas sua filmografia chama mais atenção por um detalhe curioso. Ele foi o único ator de “Titanic” (1999) que já tinha afundado com o navio antes. No início da carreira, Bernard figurou como um marinheiro em “Somente Deus por Testemunha” (1958), o melhor filme sobre o naufrágio do Titanic até James Cameron dirigir a sua famosa versão. Curiosamente, seus dois personagens sobreviveram em ambas as filmagens. Seu último filme foi “A Múmia” (1999) e sua última aparição na TV aconteceu na série “Dharma & Greg” em 2001.
Vídeos compilam todas as mudanças feitas em Guerra nas Estrelas desde 1977
Lembra quando “Star Wars: Uma Nova Esperança” se chamava “Guerra nas Estrelas”? Pois não foi só o título que mudou. O primeiro filme da franquia passou por tantas alterações desde que estreou nos cinemas em 1977, que adquiriu até outra cor, mais vibrante, em sua versão atual em Blu-ray. Mas o processo de atualização foi muito além da remasterização. Novos efeitos foram acrescentados em diferentes ocasiões, criando inclusive mudanças drásticas na trama clássica. Algumas alterações são puramente cosméticas, como uma pedra para R2-D2 se esconder “melhor” em seu primeiro encontro com Luke Skywalker (Mark Hamill). Há também muitas criaturas que não existiam no filme original. Entre elas, o vilão Jabba the Hut, cuja aparição contraria os fãs da trilogia clássica, para quem o monstro e o biquini de escrava da Princesa Leia (Carrie Fisher) deveriam existir apenas em “O Retorno de Jedi”. A maior polêmica, entretanto, é mesmo sobre quem atirou primeiro, Greedo ou Han Solo (Harrison Ford). Em 1977, foi Han Solo. Por sinal, a cena da cantina não é a única do filme original que é mais violenta que em “Uma Nova Esperança”, já que George Lucas resolveu “melhorar” outros “detalhes” similares com censura digital. Um fã resolveu tirar a limpo todas essas alterações – segundo Lucas, melhorias – e o resultado, bem detalhista, pode ser visto abaixo em dois vídeos. Eles mostram porque o fã de “Star Wars” que só conhece “Uma Nova Esperança” não deve fazer ideia do que foi o verdadeiro “Guerra nas Estrelas”.
Pedro Almodóvar lamenta “sensacionalismo” das acusações de estupro contra Bertolucci
O diretor espanhol Pedro Almodóvar lamentou no fim de semana que “o sensacionalismo” tenha triunfado nas recentes acusações contra seu colega de profissão, o cineasta italiano Bernardo Bertolucci, devido a uma antiga controvérsia do filme “O Último Tango em Paris” (1972). “Tenho certeza que o roteiro era bem conhecido e estava pactuado”, declarou Almodóvar em Breslávia, na Polônia, durante a cerimônia de premiação da Academia Europeia de Cinema, em que disputava por seu filme “Julieta”. “Eu nunca poria um intérprete em risco, nem psíquico nem físico”, disse o espanhol, que considerou que no caso do filme de Bertolucci estaria tudo pactuado entre diretor e atores, além de opinar que há problemas atuais mais relevantes. “São acusações que tanto tempo depois já não têm importância”, disse o cineasta sobre a polêmica gerada após a divulgação de uma entrevista de Bertolucci de 2013, na qual assegurava que não informou à protagonista, Maria Schneider, das mudanças na controvertida cena de estupro de “O Último Tango em Paris”. O desabafo foi entendido como confissão de abuso e originou acusações de estupro em diversos sites e nas redes sociais. Diante da controvérsia, as declarações foram relativizadas pelo próprio Bertolucci, que divulgou um comunicado no qual assegura que Schneider conhecia a cena com antecipação e a “única novidade” foi a manteiga que Marlon Brando usou como lubrificante. Isto não encerrou a controvérsia.
70 anos de David Bowie será marcado pelo relançamento de O Homem que Caiu na Terra nos cinemas brasileiros
Na semana em que completaria 70 anos, David Bowie (1947-2016) será homenageado com o relançamento de seu principal trabalho cinematográfico. A Zeta Filmes vai distribuir a versão restaurada de “O Homem que Caiu na Terra” (1976), em que Bowie vive um alienígena. O cientista alienígena Thomas Jerome Newton foi o primeiro grande papel de Bowie no cinema. O personagem é um milionário excêntrico e recluso de uma empresa tecnológica que faz diversos avanços científicos, com o objetivo secreto de conseguir criar uma nave espacial que o leve de volta à sua família em outro planeta. O diretor Nicolas Roeg selecionou Bowie após o cantor ter incorporado um alienígena no palco: Ziggy Stardust, de cabelo incandescente. Mas o visual de Newton também foi marcante. Pálido, magro e andrógino, acabou acompanhando Bowie por um bom tempo, durante a fase mais criativa de sua carreira. Não por acaso, imagens do filme ilustraram as capas de dois de seus álbuns da época: “Station to Station” (1976) e “Low” (1977). A conexão com seus discos foi uma forma de compensar o fato de “O Homem que Caiu na Terra” não trazer nenhum música do cantor, devido a questões contratuais. Por curiosidade, a trilha foi composta por John Phillips, da banda The Mamas & the Papas, Mick Taylor, guitarrista dos Rolling Stones, e Stomu Yamashta, percussionista do supergrupo progressista Go (que incluía Steve Winwood, Al Di Meola, Klaus Schulze e Michael Shrieve). E nunca foi lançada em disco. Bowie ainda voltou a fazer referência ao filme em um de seus últimos clipes, “The Stars (Are Out Tonight)”, de 2013. Mas a influência de “O Homem que Caiu na Terra” não se resumiu à trajetória do próprio cantor. Até o escritor de ficção científica Philip K. Dick (autor das histórias que viraram “Blade Runner”, “Minority Report” e a série “The Man in the High Castle”) foi inspirado pelo filme para escrever seu romance “Valis”. David Bowie faria 70 anos em 8 de janeiro. O filme voltará aos cinemas em 12 de janeiro. A data também marca um ano da morte do cantor, que faleceu em 10 de janeiro de 2016. Veja abaixo o trailer legendado da versão restaurada.
Denúncia de O Último Tango em Paris revela o padrão da cultura do estupro
As explicações de Bernardo Bertolucci não acalmaram os ânimos exaltados pela denúncia de estupro cometido contra Maria Schneider durante as filmagens de “O Último Tango em Paris”. Ao contrário, a discussão continua em plena evolução. Os mais velhos, e principalmente o público masculino, perguntam-se o que teria originado uma reação tão apaixonada, após anos de evidências ignoradas. Em busca de uma explicação, o jornal americano The Washington Post publicou um longo artigo que recapitula o caso, lembrando que ninguém prestava muita atenção neste tipo de denúncia até recentemente. O que pode ter mudado isso foi o escândalo envolvendo o comediante Bill Cosby, acusado de estuprar dezenas de mulheres durante décadas. As denúncias também eram conhecidas há anos, mas só em 2014 se tornaram notícia, lembra a publicação. O jornal espanhol El País partiu dessa análise para destacar uma evolução de fatos que contribuíram para o clima de revolta, lembrando como atrizes vêm trazendo à tona denúncias de abuso sexual, que no passado eram ignoradas. No final de outubro, Tippi Hedren publicou um livro de memórias em que voltou a denunciar o tratamento que recebeu de Alfred Hitchcock durante a filmagem de “Os Pássaros” (1963). Ela sofreu uma situação de abuso, não muito diferente da vivida por Schneider, quando o diretor não a avisou que os ataques das aves seriam mais reais do que imaginava. Embora já fosse conhecida a complicada relação entre ambos, em seu livro Hedren finalmente definiu o caso como assédio sexual. Outras situações muito comentadas no passado foram abusos entre Lars Von Trier e seus elencos femininos, Stanley Kubrick e Shelley Duvall e até, de forma mais recente, Abdellatif Kechiche e Léa Seydoux. Nada, entretanto, foi devidamente apurado em relação às denúncias. O El Pais aponta que há um padrão evidente nestes casos, que condiz com a cultura do estupro, cujos conceitos incluem: a normalização do impulso agressor, a impunidade, a culpabilização da vítima e a necessidade de filmar a agressão. Tudo isso se encaixa na acusação contra Bertolucci.
Bernardo Bertolucci se pronuncia sobre suposto estupro em O Último Tango em Paris
[Texto revisado pelo editor] O diretor Bernardo Bertolucci decidiu se pronunciar diante da polêmica criada por um artigo da revista Elle, que o acusa de ter conspirado para “filmar uma cena de estupro não consentido” da atriz Maria Schneider, durante a famosa cena da manteiga em “O Último Tango em Paris”. A acusação foi baseada numa suposta admissão do próprio diretor, registrada em vídeo durante um encontro com cinéfilos na Cinémathèque Française em 2013. Diante da escalada de acusações, o cineasta emitiu um comunicado em italiano nesta segunda-feira (5/12), dizendo: “Eu gostaria, pela última vez, de esclarecer um mal-entendido ridículo que continua a gerar reportagens sobre ‘O Último Tango em Paris’ em todo o mundo. Vários anos atrás, no Cinémathèque Française, alguém me perguntou detalhes sobre a famosa cena da manteiga. Eu especifiquei, mas talvez não tenha sido claro o suficiente, que eu decidi com Marlon Brando não informar a Maria de que usaríamos manteiga na cena. Queríamos sua reação espontânea ao uso impróprio. E é nisto que se resume o mal-entendido. Alguém pode ter achado que Maria não tinha sido informado sobre a violência que aconteceria contra ela. Isso é falso! Maria sabia de tudo porque ela tinha lido o roteiro, onde tudo foi descrito. A única novidade foi a ideia da manteiga. “E isso, eu aprendi muitos anos depois, ofendeu Maria. Não foi a violência a que ela foi submetida na cena, que estava escrita no roteiro.” No vídeo referido pela publicação, porém, o diretor inclui mais detalhes sobre o uso da manteiga na cena, que ele e Marlon Brando tinham combinado de acrescentar na manhã das filmagens. Conforme o diretor diz naquele registro: “Estava especificado no roteiro que teríamos que mostrar seu estupro de alguma forma. E enquanto eu e Marlon tomávamos café da manhã no piso do apartamento onde estávamos filmando, havia um baguette e havia manteiga, e olhamos um para o outro e, sem dizer nada, sabíamos o que queríamos fazer”. Ele acrescentou que se sentiu horrível pela forma como tratou Schneider, mas defendeu-se, explicando que “queria a reação dela como garota, não como atriz.” “Eu não queria que Maria interpretasse sua humilhação e sua raiva, eu queria que ela sentisse… a raiva e a humilhação. Então ela me odiou pelo resto de sua vida.” Maria Schneider também deu sua versão sobre os fatos em vida. Leia aqui o depoimento da atriz.












