Gary Oldman incorpora Winston Churchill no novo trailer legendado de O Destino de Uma Nação
A Universal divulgou novas fotos, dois pôsteres americanos e o trailer legendado de “O Destino de Uma Nação” (Darkest Hour), que traz Gary Oldman irreconhecível, numa impressionante transformação em Winston Churchill (1874-1965), o político que liderou o Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial. O filme acompanha Churchill em 1940, no início de seu mandato como Primeiro Ministro britânico. Diante do avanço do nazismo pela Europa, com Hitler expandindo territórios e colecionando vitórias, ele se vê diante de um dilema: aceitar a pressão de seus colegas por um vergonhoso acordo de paz com a Alemanha ou se jogar numa guerra com a perspectiva de uma derrota iminente. O roteiro foi escrito por Anthony McCarten, responsável por “A Teoria de Tudo”, trabalho indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA, e a direção está a cargo de Joe Wright, de “Orgulho e Preconceito” (2005), “Desejo e Reparação” (2007), “Anna Karenina” (2012) e “Peter Pan” (2015). O elenco conta ainda com Kristin Scott Thomas (“Suite Francesa”) no papel de Clementine, esposa de Churchil, Ben Mendelsohn (“Rogue One: Uma História de Star Wars”) como o rei George VI, John Hurt (“O Espião que Sabia Demais”) como o ex-primeiro ministro Neville Chamberlain e Lily James (“Cinderela”) como a secretária de Churchill, Elizabeth Nel. A estreia está marcada para 22 de novembro nos EUA e apenas em 11 de janeiro no Brasil.
Diane Kruger vai estrelar e produzir minissérie sobre a atriz e inventora Hedy Lamarr
A atriz alemã Diane Kruger vai estrelar e produzir uma minissérie sobre Hedy Lamarr, estrela austríaca famosa dos anos 1930 e 1940, que brilhou em clássicos como “Êxtase” (1932), “Argélia” (1938), “Demônio do Congo” (1942), “Flor do Mal” (1946) e “Sansão e Dalila” (1949). Mas, além de estrela sexy de Hollywood, Lamarr também foi uma pioneira da tecnologia de comunicação. Ao lado do compositor George Antheil (“No Silêncio da Noite”), ela inventou um sistema de comunicações que foi esnobado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos durante a 2ª Guerra Mundial, mas hoje é a base do WiFi e do Bluetooth. Sua contribuição tecnológica foi reconhecida muito tarde em sua vida, e em 2014 ela foi homenageada postumamente com sua inclusão no National Inventors Hall of Fame. O Google e algumas fundações de incentivo à pesquisa apoiam o projeto, que terá roteiro baseado no livro escrito por Richard Rhodes, “Hedy’s Folly: The Life and Breakthrough Inventions of Hedy Lamarr, The Most Beautiful Woman in the World”. Kruger adquiriu os direitos sobre o livro após vencer o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes deste ano por “In the Fade”. Ela se associou com a produtora Straight Up Films (que fez “Transcendence” e “Em Busca da Justiça”) para fazer a minissérie. “Sou fascinada por Hedy Lamarr”, afirmou Diane Kruger em comunicado sobre o projeto. “Ela era uma inventora inteligente, espirituosa e visionária, muito à frente de seu tempo, e também era uma grande estrela de cinema. Mal posso esperar para contar a sua história para garantir que o seu legado viva para sempre e inspire outros.”
Remake de Dona Flor e Seus Dois Maridos com Juliana Paz ganha primeiro trailer
O remake de “Dona Flor e Seus Dois Maridos” ganhou pôster e seu primeiro trailer. A nova versão traz Juliana Paes (“A Casa da Mãe Joana”) no papel eternizado por Sonia Braga. E a prévia já demonstra como cada produção é resultado de sua época, detalhe que nem a trilha retrô do vídeo é capaz de disfarçar. O longa de 1976, um dos maiores sucessos do cinema brasileiro, veio em meio ao boom da pornochanchada e fazia da nudez de seus protagonistas seu principal chamariz. Já o remake chega numa época de muitos besteiróis pudicos e parece centrar a trama em piadas sobre falta de potência sexual, apoiadas no humorista Leandro Hassum (“Até que a Sorte nos Separe”), que parece ter mais falas e destaque que Mauro Mendonça no original. O elenco ainda traz Marcelo Faria (“O Carteiro”) como Vadinho, o marido fogoso, papel vivido com grande desinibição por José Wilker. Desde elenco, Marcelo Faria é o único já habituado ao papel, que interpretou há anos no teatro. Por sinal, a nova versão tem direção de Pedro Vasconcelos, diretor de novelas da Rede Globo e responsável também pela versão teatral. No cinema, ele só assinou um filme, justamente um besteirol: “O Concurso” (2013). Ou seja, não é um Bruno Barreto. Já Juliana Paes assume pela segunda vez um papel que foi eternizado por Sonia Braga. Em 2012, ela protagonizou o remake da novela “Gabriela”. Tanto Dona Flor quanto Gabriela são personagens criadas pelo escritor Jorge Amado. O romance de Dona Flor foi publicado em 1966 e se passa na década de 1940, acompanhando uma professora de culinária de Salvador dividida entre dois amores, seu primeiro marido boêmio, já morto, e o atual, bastante conservador. A situação ganha ares de realismo fantástico quando o espírito do falecido passa a visitar sua cama, sem que mais ninguém consiga vê-lo. A versão filmada por Bruno Barreto levou 10,735 milhões de pessoas aos cinemas brasileiros e, durante 34 anos, manteve-se como o filme nacional mais visto de todos os tempos. Atualmente, ele ocupa o terceiro lugar no ranking das produções brasileiras com maior público, atrás de “Os Dez Mandamentos” (11,215 milhões) e “Tropa de Elite 2” (11,146 milhões). “Dona Flor e seus Dois Maridos” também já foi minissérie na televisão, em 1998, com Giulia Gam, Edson Celulari e Marco Nanini nos papeis principais. O novo longa-metragem estreia em 2 de novembro, em circuito limitado ao Nordeste.
Dunkirk quebra recorde mundial com a maior bilheteria de filme de guerra da História
O fim de semana registrou um terceiro recorde nas bilheterias de cinemas. Além das marcas de “It: A Coisa”, que quebrou o recorde de arrecadação de terror na América do Norte, e a negativação de “Mãe!” como pior abertura da carreira de Jennifer Lawrence, “Dunkirk” também fez História. Com seus US$ 508,3 milhões de faturamento mundial ao longo de dois meses, o longa dirigido por Christopher Nolan atingiu a maior bilheteria de um filme de guerra em todos os tempos, superando “O Resgate do Soldado Ryan”, que fez US$ 481 milhões em 1998. Filmes sobre a 2ª Guerra Mundial não costumam virar blockbusters. Mas os lançamentos do diretor Christopher Nolan, responsável pela trilogia “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, “A Origem” e “Interestelar”, nunca decepcionaram a Warner, que investiu uma fortuna em marketing para a divulgação de “Dunkirk”, praticamente dobrando os gastos de US$ 100 milhões de seu orçamento. A aposta era mais no prestígio, com possibilidade de Oscar, do que em lucro. Mas “Dunkirk” vai render mais que alguns trocados. A popularidade da produção pode ser atestada pelo fato de ter sido lançada em julho e ainda figurar entre os dez filmes mais assistidos da semana na América do Norte. Mas mesmo com o sucesso, o filme não deve superar o recorde doméstico de quase 20 anos de “O Resgate do Soldado Ryan”. Isto porque “Dunkirk” rendeu o dobro no exterior. Nos EUA e Canadá, sua bilheteria atingiu US$ 185,1 milhões, enquanto o filme dos anos 1990 de Steven Spielberg fez US$ 216,5 milhões no mercado doméstico. Na época, inclusive, o preço dos ingressos era bem mais barato.
Mudbound: Trailer de drama épico revela aposta da Netflix no Oscar 2018
A Netflix divulgou o primeiro trailer, o pôster e oito fotos de “Mudbound”, um dos filmes mais elogiados do Festival de Sundance deste ano e aposta da plataforma para o Oscar 2018. A produção é um drama épico à moda antiga, cuja extensão a prévia apenas alude. “Mudbound” conta a história de duas famílias que convivem no sul rural dos Estados Unidos nos anos 1940. Uma delas é branca, racista e recém-chegada, tendo comprado a fazenda com sonhos grandiosos. A outra é negra, humilde e trabalha naquelas terras há muitas gerações. Quando os filhos jovens das duas famílias retornam traumatizados da 2ª Guerra Mundial, acabam criando laços de amizade, forjados pela experiência compartilhada, o que incomoda ambos os lados. O soldado negro tem mais dificuldade em aceitar a situação de ter lutado pela liberdade dos europeus e voltar a um país segregado. O branco não pode ouvir um estouro de escapamento de carro sem achar que está levando tiros. Para piorar, ainda sente atração pela mulher do irmão mais velho. A trama de fôlego literário é uma adaptação do best-seller homônimo de Hillary Jordan, lançado em 2008 nos Estados Unidos, e seu elenco grandioso inclui Garrett Hedlund (“Peter Pan”), Carey Mulligan (“As Sufragistas”), Jason Mitchell (“Straight Outta Compton”), Jason Clarke (“Planeta dos Macacos: O Conflito”), Jonathan Banks (série “Better Call Saul”), Rob Morgan (série “Stranger Things”), Kelvin Harrison Jr. (“Ao Cair da Noite”) e a cantora Mary J. Blige (“Rock of Ages”). Terceiro longa-metragem da cineasta Dee Rees, após o drama lésbico indie “Pariah” (2011) e a telebiografia “Bessie” (2015), da HBO, a produção foi adquirida pronta pela Netflix, por US$ 12,5 milhões em Sundance. Foi a maior aquisição realizada no festival neste ano. Além de Sundance, “Mudbound” também foi exibido no Festival de Toronto e está programado para os festivais de Londres e Nova York em outubro, antes de chegar na Netflix. Atenta às regras da Academia, a plataforma pretende, inclusive, fazer um lançamento simultâneo nos cinemas americanos em circuito limitado. A estreia está marcada para o dia 17 de novembro.
Bye Bye Alemanha usa de bom humor para tratar de tema sério
Os judeus alemães que conseguiram sobreviver ao regime nazista, logo após a 2ª Guerra Mundial, tinham um sonho comum: abandonar a Alemanha e partir para os Estados Unidos. É o caso de David Bermann (Moritz Bleibtreu) e seus amigos, em Frankfurt, em 1946. Com um negócio de família de venda de roupa fina para os alemães, foi possível obter o dinheiro para a viagem, e o visto para a América é quase automático na situação dele. Porém, ao examinar seus documentos e vasculhar seu passado recente, a oficial americana Sara Simon (Antje Traue) resolve investigar melhor e encontra coisas suspeitas. O filme “Bye Bye Alemanha”, do diretor Sam Garbarski, conta a história desse personagem da vida real, do que ele relata e do que ele esconde, e vamos descobrindo uma personalidade cheia de nuances e jogo de cintura, que explicam sua sobrevivência. David tem também uma malandragem e uma vivacidade intelectual que, certamente, contam muito em situações extremas. Basta dizer que um dos elementos centrais nessa história é sua capacidade de contar piadas, nos momentos e situações mais improváveis. E o humor salva. A trama é muito boa e muito bem contada, pelo cineasta que já nos deu dois bons filmes antes: “Irina Palm”, em 2007, e “O Tango de Rashevski”, em 2003. Seu estilo de narrar é tradicional e popular. Comunicativo e bem humorado, geralmente abordando temas bem sérios, como é o caso aqui. O ator alemão Moritz Bleibtreu é talentoso e compõe muito bem o tipo retratado no filme. Ainda assim, para um personagem que conta piadas, ele é discreto demais. Ele optou por uma interpretação contida, considerando o contexto, mas talvez tenha exagerado um pouco na dose. A personagem de Sara também comportaria mais expansividade. Ela enfatiza mais as suspeitas em relação ao personagem do que o acolhimento e o direito de considerá-lo uma pessoa inocente até prova em contrário, na maior parte do filme. Curiosamente, os dois atores principais trabalharam juntos em outro filme recente sobre as consequências do nazismo, “A Dama Dourada” (2015). “Bye Bye Alemanha” traz uma boa caracterização de época, incluindo uma fotografia que, em tons sépia, cinza e ambientação escurecida, nos remete ao passado, e um passado nada glorioso. Não fosse o tom bem-humorado da realização, poderia resultar em um filme pesado. Não é o caso. Esse é um dos méritos de “Bye Bye Alemanha”: tratar com respeito, mas sem muita dramaticidade, um assunto grave. E por um ângulo inesperado, como verá quem for assistir ao filme.
Dunkirk é xadrez épico em que atores não passam de peões
Christopher Nolan nasceu pro cinema no momento certo. Numa época de ansiedade, euforia e excessos. Não é a toa que ele é o diretor mais festejado pelo público e por uma grande parcela da crítica. Ele traduz a loucura da sobrevivência num cotidiano em que nossa readaptação à realidade não ocorre na mesma velocidade que as mudanças. No cinema dele, a ação não para. Mas isso faz de Nolan um dos maiores cineastas da atualidade? “Dunkirk”, o filme que muito gente vem chamando de obra-prima, é o mais novo “case” de sucesso do diretor. Exatamente como no mundo da publicidade, ele estabelece nos primeiros minutos o espaço, a atmosfera e o conceito de tempo: retoma um capítulo da 2ª Guerra Mundial, a evacuação das tropas aliadas da França, e bifurca em três histórias com três tempos distintos. Temos lá: a espera dos soldados durante uma semana, o resgate de barco que durou um dia e o embate dos aviões que aconteceu em uma hora. Claro que nada disso ocorreu em variáveis tão fixas, só que, no mundo de Nolan, ele estabelece as regras e preenche a planilha prometendo um espetáculo de cinema. Os minutos iniciais realmente surpreendem. Pra começar, aquela falação excessiva, os diálogos reiterativos de suas duas últimas aventuras, “Batman: O Cavaleiro Ressurge” (2012) e “Interestelar” (2014) saíram de cena. Perto desses dois, “Dunkirk” é quase um filme mudo. A primeira imagem na tela mostra o final de um movimento de rápido recuo pra trás de seis soldados, como reflexo de uma bomba que explodiu e que sequer vimos ou ouvimos o barulho. Assinala-se a ideia do susto, do tranco, e o consequente estado de alerta. Não sobra muito tempo pra pensar. Como veremos a seguir: vacilou, piscou, morreu. Na sequência, o soldado raso Tommy (Fion Whitehead, da série “Him”) chega à praia e procura um canto pra defecar. Aliás, ele abaixa a calça e faz as necessidades de pé. Está em estado de vigia, sempre. Um sujeito próximo enterra um cadáver na areia. Tommy se aproxima para ajudar, pensando que o soldado improvisa o funeral de alguém muito familiar e querido. Mas trata-se de outra coisa. O soldado roubou as botas do morto e está, na verdade, jogando terra sobre a vergonha do que a guerra está fazendo ele passar. Esse é o momento mais forte e humano de “Dunkirk”. A ação transfere-se para a história em velocidade mais rápida do senhor inglês (Mark Rylance, de “Ponte dos Espiões”) que está trazendo seu barco para o resgate, e, em seguida, salta mais veloz ainda para o entrecho do piloto de caças (Tom Hardy, de “Mad Max: Estrada da Fúria”) em sua missão de ataque. São 10 minutos impressionantes que mostram tudo o que Nolan tem para oferecer. Um belo curta de 10 minutos. Tudo o que vem depois é uma repetição, com o agravante que o espaço dado aos atores é cada vez mais comprimido. Nolan parece achar os dramas humanos uma enrolação. Ele nunca deixa a emoção desenvolver-se por inteira. Corta pra outra cena de ação. A logística de produção é o que lhe interessa. Para quem ama a orquestração das multidões e das máquinas é um prato cheio. E o making off do filme deve ser muito bom. Elogiam muito também o realismo, a proeza de não usar efeitos digitais para criar figurantes e a busca por vivenciar o calor e o desespero visceral de um conflito, enfim, questões que soam muito boas para vender algo que verdadeiramente não tem nada de autêntico. Videogames igualmente possibilitam esse tipo de imersão. Uma receita para um grande filme de guerra não existe. Os maiores, só para citar alguns, como “Sem Novidade no Front” (1930), “Glória Feita de Sangue” (1957), “Vá e Veja” (1985) e “Apocalipse Now” (1979), possuem pouco em comum, não foram feitos por diretores que vivenciaram uma guerra, como aconteceu com Samuel Fuller e William Wellman, diretores dos seminais “Capacete de Aço” (1951) e “Também Somos Seres Humanos” (1945), mas tanto num caso como no outro, esses cineastas desceram da grua, se embrenharam na pesquisa com o elenco para encontrar um milhão de inquietações humanas que reflete uma guerra. Nolan parte da ideia de que a humanidade é violenta e bárbara, mas entre anônimos você encontra heróis. De fato, é fácil dizer que a humanidade é estúpida. Mesmo sendo um raciocínio generalizado, uma coisa é dizê-lo com doçura e inclusão, outra é olhar do alto, falar de fora. Distante. E é exatamente do alto que Nolan fala. Retomando filmes anteriores, o espectador pode não gostar de “A Origem” (2010) ou de “Interestelar”, mas ali o diretor tinha algo mais a dizer (ainda que sempre com o defeito da redundância). “Dunkirk” atém-se à introdução. Depois de 10 minutos não tem o que acrescentar. Destacam-se apenas o episódio do náufrago (Cillian Murphy, de “Batman Begins”), que não quer voltar para a guerra, e a cena em que um grupo de sobreviventes acuados no porão de um barco encalhado luta para não serem alvejados pelas balas de um inimigo que está lá fora, e ninguém se atreve a sair para ver sua face. Nolan também nunca foi um grande encenador. Pensando os filmes dele, no papel – apesar daquela mania de não deixar subtexto, precisa sempre explicar – , o sujeito tem engenho. Agora, quando se põe a filmar é uma lástima. Na entrevista de divulgação de “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, ele teve a manha de abrir o jogo sobre sua opção pelo formato IMAX. Disse que a resolução do suporte era tão grande, que ele não precisava mais perder tempo em filmar os detalhes. Captava em plano geral e quando precisava de algo particular em cena, sabia que o editor podia dar um zoom eletrônico sem perdas de resolução. Hitchcock, Kubrick, e outros diretores de verdade jamais pensariam assim. Claro, ele não é supervalorizado como diretor apenas por isso. Basta recapitular as cenas mais memoráveis de “A Origem”, ou do melhor dele, “O Cavaleiro das Trevas” (2008), para perceber como ele se apóia na direção de arte, na edição e na trilha sonora. Tirou os três de cena e Nolan vira um engenheiro de obras. Sua vantagem é a inteligência, ele tem consciência de seus limites. Tanto que sobrevaloriza a participação dos três setores. Em “Dunkirk”, chega a exceder a confiança que deposita em Hans Zimmer. A trilha-relojinho que o compositor criou para pontuar a narrativa gera um certo interesse por cinco minutos, depois a insistência segue a mesma filosofia de redundância. Em “A Origem”, havia pelo menos o prazer lúdico de ver o diretor alinhando as peças no tabuleiro e fazendo tudo amolecer e derreter como num quadro de Dali. Em “O Cavaleiro das Trevas”, havia Heath Ledger para trombar pelos cenários e zombar com a mania de rigoroso controle de Nolan. Em “Dunkirk” temos o quê? Nada que transcenda o mero jogo de peões.
Imprensa indiana critica erro histórico de Dunkirk, que omite soldados do país
Festejado pela imprensa norte-americana, o filme “Dunkirk” ganhou adversários na Índia, onde críticos locais apontaram uma grande falha, além de desrespeito, na produção sobre uma batalha histórica da 2ª Guerra Mundial: a ausência completa de soldados indianos. Jornalistas e acadêmicos lembraram que a Inglaterra não era apenas um país em guerra contra a Alemanha nos anos 1940, mas todo um reino, que na época incluía a Índia. Além disso, garantem que havia quatro tropas indianas presentes durante a operação Dínamo, que realizou a evacuação da cidade de Dunquerque. O filme do diretor Christopher Nolan, entretanto, apresenta apenas personagens brancos como representes britânicos no conflito. “Como Nolan esqueceu os desis (indianos) em Dunkirk”, reclama o título de um artigo publicado no jornal Indian Times. Já o Indian Today lembrou da história real: “Milagre em Dunquerque: os indianos também estavam presos com forças aliadas”. O debate acabou tendo repercussão internacional, com um texto de um professor de História no site americano Slate afirmando que a inclusão de maior diversidade “teria trazido uma boa lembrança do quanto foi importante o papel do exército indiano na guerra. Seu serviço significou a diferença entre a vitória e a derrota”. “Dunkirk” estreou nos cinemas brasileiros na quinta-feira (27/7).
Nicholas Hoult é J.D. Salinger no trailer do filme sobre a criação de O Apanhador no Campo de Centeio
A IFC divulgou o primeiro trailer de “Rebel in the Rye”, cinebiografia que conta a origem do clássico literário “O Apanhador no Campo de Centeio”. A prévia mostra o jovem J.D. Salinger lutando com sua escrita na sala de aula e com nazistas na 2ª Guerra Mundial, enquanto escreve sua obra-prima, que ninguém parece apreciar, exceto seu professor mais exigente. O ator Nicholas Hoult (“X-Men: Apocalipse”) vive Salinger e Kevin Spacey (série “House of Cards”) interpreta o professor. O elenco ainda inclui Zoey Deutch (“Tinha Que Ser Ele?”), Sarah Paulson (série “American Horror Story”), Lucy Boynton (“Sing Street”), Victor Garber (série “Legends of Tomorrow”), Hope Davis (série “Wayward Pines”) e Brian d’Arcy James (série “13 Reasons Why”). O filme marca a estreia na direção cinematográfica do roteirista Danny Strong (da franquia “Jogos Vorazes” e “O Mordomo da Casa Branca”). Ele já dirigiu episódios da série “Empire”, da qual é criador, e vem se consolidando cada vez mais como um talento multifacetado, desde que despontou como ator nos anos 1990, vivendo um nerd vilão na série “Buffy: A Caça-Vampiros”. “Rebel in the Rye” teve première no Festival de Sundance e chega em 15 de setembro nos cinemas americanos. Não há previsão para seu lançamento no Brasil.
Gary Oldman aparece irreconhecível no trailer da cinebiografia de Winston Churchill
A Focus Features divulgou dois pôsteres, uma novo foto e o trailer de “Darkest Hour”. Se as imagens trazem Gary Oldman irreconhecível, a prévia destaca ainda mais sua transformação em Winston Churchill (1874-1965), o político que liderou o Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial. O Oscar 2018 já tem seu primeiro favorito na categoria de Melhor Ator. O filme acompanha Churchill em 1940, no início de seu mandato como Primeiro Ministro britânico. Diante do avanço do nazismo pela Europa, com Hitler expandindo territórios e colecionando vitórias, ele se vê diante de um dilema: aceitar a pressão de seus colegas por um vergonhoso acordo de paz com a Alemanha ou declarar guerra com a perspectiva de uma derrota iminente. O roteiro foi escrito por Anthony McCarten, responsável por “A Teoria de Tudo”, trabalho indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA, e a direção está a cargo de Joe Wright, de “Orgulho e Preconceito” (2005), “Desejo e Reparação” (2007), “Anna Karenina” (2012) e “Peter Pan” (2015). O elenco conta ainda com Kristin Scott Thomas (“Suite Francesa”) no papel de Clementine, esposa de Churchil, Ben Mendelsohn (“Rogue One: Uma História de Star Wars”) como o rei George VI, John Hurt (“O Espião que Sabia Demais”) como o ex-primeiro ministro Neville Chamberlain e Lily James (“Cinderela”) como a secretária de Churchill, Elizabeth Nel. A estreia está marcada para 22 de novembro nos EUA e apenas em 11 de janeiro no Brasil.
Christopher Nolan diz que desconhecia a fama de Harry Styles antes de escalá-lo em Dunkirk
O diretor Christopher Nolan não sabia que Harry Styles era famoso antes de escalá-lo em “Dunkirk”. A revelação foi feita numa entrevista ao site The Hollywood Reporter. “Eu não acho que estava consciente de que Harry era famoso”, ele revelou ao site, ao discutir sua contratação para interpretar um dos papéis de destaque do filme. “Quero dizer, minha filha tinha falado sobre ele. Meus filhos falaram sobre ele, mas eu não estava realmente ciente que ele era uma grande estrela. Então, a verdade é que eu incluí Harry porque ele se encaixava maravilhosamente no papel e realmente conquistou seu espaço no elenco”. Curiosamente, Nolan não foi o único que se surpreendeu com o interesse dos adolescentes no filme por causa do astro pop. O ator Mark Rylance, vencedor do Oscar por “Ponte dos Espiões” (2015), revelou que sua sobrinha de 11 anos não pára de falar nisso. “Ela está mais excitada com ‘Dunkirk’ do que com qualquer coisa que eu já fiz, porque eu vou aparecer com Harry Styles”, disse o ator, que além do Oscar já venceu três Tonys. “Eu fiquei mais importante em sua estimativa. Eu ganhei o Harry!” No filme, o cantor de 23 anos, ex-integrante da boy band One Direction que recentemente lançou seu primeiro disco solo, interpreta um soldado britânico em meio à evacuação de centenas de milhares de soldados aliados de Dunkirk, na França, em 1940. Além dele, o filme destaca dois jovens ainda pouco conhecidos, Jack Lowden (“71: Esquecido em Belfast”) e o estreante Fionn Whitehead, ao lado dos experientes Tom Hardy (“Mad Max: Estrada da Fúria”), Cillian Murphy (“No Coração do Mar”), Kenneth Branagh (“Operação Sombra – Jack Ryan”) e Mark Rylance. A estreia está marcada para 27 de julho no Brasil, uma semana após o lançamento nos Estados Unidos.
Poesia sem Fim evoca juventude de Alejandro Jodorowsky com beleza surreal
Escolher a poesia como ofício e condição de vida é um ato de coragem. Também de destemor, de enfrentamento do sistema, talvez revelando um irreal excesso de confiança. Coisa para se fazer aos 20 anos de idade, enquanto se pode arriscar mais, quem sabe, tudo. Alejandro Jodorowsky, poeta, escritor, ator e cineasta chileno, nascido em 1929, fez um filme irreverente, transgressor e inventivo sobre essa escolha de vida. Segunda parte de uma reflexão autobiográfica, após abordar sua infância em “A Dança da Realidade” (2013), “Poesia sem Fim” dispensa de forma quase absoluta o realismo. Com uma câmera ágil, irriquieta, constrói um universo plástico belíssimo, que respira liberdade, sensualidade, autenticidade. E vai desenrolando sua narrativa de forma fantástica, metafórica, realizando um cinema que é pura magia, como sempre foram os filmes do diretor dos clássicos psicodélicos “El Topo” (1970) e “A Montanha Sagrada” (1973). Sedutor para quem se entrega, se deixa levar. Mais do que os fatos que, de alguma forma, também estão lá, o que vale são as sensações, os sentimentos, a libertação. O encontro com o que se é e se deseja criar, produzir, realizar, como sentido de vida. Quem vê o mundo por uma forma poética, artística, acaba percebendo que precisará contestar muito, transgredir sempre, para chegar a se encontrar e dar sua contribuição à sociedade com aquilo que lhe é natural e precioso. Alejandro Jodorowsky nos conta isso no filme, inovando bastante, quebrando convenções, provocando e nos trazendo muita beleza. Ou seja, sua forma é o seu conteúdo, é a sua história e a sua luta. Trabalho de um homem de 87 anos que se mostra fiel a seus ideais de juventude, desenvolvidos ao longo de toda sua vida. O relacionamento pai e filho, que remonta aos anos 1940 e 1950 no relato de “Poesia Sem Fim”, é vivido por dois filhos do diretor, Adan e Brontis Jodorowsky. E o próprio Alejandro participa numa ponta. Uma família que enfrenta os conflitos pelo caminho da arte e embarca ao lado de um elenco todo dedicado à experimentação poética e visual do cineasta. Um filme como “Poesia sem Fim” não busca mercado, não aspira ao sucesso, quer se expressar, se comunicar, sem amarras. O jeito é buscar apoio financeiro, não nas instituições e mecanismos de financiamento, mas nas pessoas que possam se envolver no projeto. Foi o que fez Alejandro Jodorowsky. Com uma trajetória de filmes cults, que gerou muitos aficcionados, ele se valeu de 1 milhão de seguidores nas redes sociais para angariar contribuições individuais e, por meio de financiamento coletivo, viabilizar este novo trabalho.
Dunkirk: Filme de guerra de Christopher Nolan ganha 21 fotos com o elenco principal
A Warner Bros divulgou 21 fotos de “Dunkirk”, o novo filme de Christopher Nolan (trilogia “Batman”, “Interestelar”). As imagens destacam os principais atores e cenas de bastidores da superprodução, que retrata a batalha de Dunquerque, uma das maiores derrotas das forças aliadas na 2ª Guerra. Mas poderia ter sido muito pior. Acuados numa ponta de praia, os soldados aliados contaram com um esforço logístico sobre-humano para não serem exterminados durante uma ofensiva por terra e ar, embarcando em fuga, sob bombardeio, para dezenas de navios mobilizados para resgatá-los rumo ao Reino Unido, inclusive com a ajuda de pequenos barcos civis. As filmagens foram realizadas nas locações em que os fatos aconteceram e renderam muita atenção dos paparazzi, devido ao interesse pela participação do cantor inglês Harry Styles, ex-One Direction, no elenco. Além dele, o filme destaca dois jovens ainda pouco conhecidos, Jack Lowden (“71: Esquecido em Belfast”) e o estreante Fionn Whitehead, ao lado dos experientes Tom Hardy (“Mad Max: Estrada da Fúria”), Cillian Murphy (“No Coração do Mar”), Kenneth Branagh (“Operação Sombra – Jack Ryan”) e Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”) – todos destacados nas fotos. A estreia está marcada para 27 de julho no Brasil, uma semana após o lançamento nos Estados Unidos.












