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    Alfred Sole (1943–2022)

    17 de fevereiro de 2022 /

    O cineasta Alfred Sole, que escreveu e dirigiu o cultuado terror “Alice, Querida Alice”, estreia de Brooke Shields no cinema, morreu na segunda-feira (14/2) aos 78 anos. Segundo informações de um membro da família publicadas pelo site The Hollywood Reporter, a causa foi suicídio, cometido em sua residência em Utah. Sole era um arquiteto e decorador de interiores de Paterson, Nova Jersey, quando decidiu juntar cerca de US$ 25 mil para filmar “Deep Sleep” (1972), seu primeiro longa, um pornô amador produzido de forma independente em sua cidade natal com a ajuda de amigos e parentes, que serviram de elenco e equipe. Mas a produção, sobre um homem com problemas de performance sexual que busca recuperar o vigor com os seguidores desinibidos de um guru indiano, acabou dando uma notoriedade inesperada ao diretor. Um promotor acusou Sole de violar a “lei de fornicação” de Nova Jersey e o iniciou por transporte interestadual de pornografia, porque o filme foi exibido em Oklahoma City. Ele acabou condenado pelas acusações e precisou pagar uma multa, permanecendo em liberdade condicional durante um ano. A fama de pornógrafo acabou superada com seu filme seguinte, “Alice, Querida Alice” (1976). Também rodado em sua cidadezinha, o filme acompanhava uma menina problemática de 12 anos (Paula E. Sheppard) que se torna a principal suspeita do assassinato brutal de sua irmã mais nova (Brooke Shields) no dia de sua primeira comunhão, além de uma série de outros assassinatos à facadas. Sole escalou Shields, então com 10 anos, após vê-la em um anúncio da Vogue, transformando-a em atriz em seu segundo longa. O filme foi elogiadíssimo, mas como era uma produção independente não rendeu muito dinheiro ao cineasta. Por isso, ele tentou recuperar o investimento relançando o longa como “Holy Terror” dois anos depois, após Brooke Shields ganhar fama em “Menina Bonita” (1978). Ele voltou a repetir a tática em 1980, após o estouro de Shields em “Lagoa Azul”. Depois de esgotar as formas de faturar com “Alice, Querida Alice”, Sole filmou “Tanya’s Island” (1980), um filme apelativo que colocava uma modelo negra em luta contra um macaco numa ilha tropical. Foi literalmente um horror, destruído pela crítica e ignorado pelo público. Dois anos, ele depois dirigiu seu último longa, “Pandemonium” (1982), sátira que combinava duas tendências em voga nos anos 1980: as comédias juvenis picantes e os slashers com serial killers mascarados. Há quem considere a produção cult. Depois de roteirizar conteúdos televisivos no final dos anos 1980, ele meio que retomou sua profissão original, passando a se dedicar ao design de produção, o que o manteve no meio artístico até o fim da década passada. Alfred Sole chegou a trabalhar como cenografista em algumas séries populares deste século, como “Veronica Mars”, “Moonlight”, “Castle” e até no recente revival de “MacGyver” – seu último trabalho, entre 2016 e 2019. Nos últimos anos, ele curtia sua aposentadoria em sua fazenda em Utah, postando no Instagram fotos de cavalos, carneiros e vacas. Veja abaixo o trailer de “Alice, Querida Alice”, seu filme mais famoso, que inspirou várias produções de serial killers com máscaras infantis – como “A Morte Te Dá Parabéns” (2017). A versão abaixo foi feita para o relançamento, sugerindo que Brooke Shields seria a assassina, em vez da vítima original.

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