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  • Filme

    Festival Verão Sem Censura vai celebrar filmes e artistas atacados por Bolsonaro

    24 de dezembro de 2019 /

    A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo anunciou a programação do Festival Verão Sem Censura, que reunirá na capital paulista atrações culturais atacadas pelo governo federal. O evento terá ao todo 45 atividades gratuitas de 17 a 31 de janeiro, que abrangem shows, filmes e peças. O idealizador do festival, o secretário de Cultura Alexandre Youssef, diz que o projeto não nasceu de algum antagonismo em relação ao governo de Jair Bolsonaro, mas por protagonismo em algo maior. “É uma medida de valorização da nossa cultura”, ele disse, em comunicado à imprensa, acrescentando que o objetivo é valorizar “uma resistência que luta pelo bem mais valioso da nossa cultura, a liberdade de expressão”. Apesar da prefeitura paulistana ser governada pelo PSDB, partido que “endireitou” muito nos últimos anos, aproximando-se de Bolsonaro após realizações históricas (Plano Real, medicamentos genéricos, Bolsa Família) como principal representante da centro-esquerda brasileira, o prefeito Bruno Covas tem desafinado o coro conservador, ao apoiar e elogiar eventos como a Parada LGBTQIA+ em São Paulo, e investir na expansão da Spcine, iniciativa do petista Fernando Haddad, que deu um grande salto qualificativo sob seu mandato. O Festival Verão Sem Censura terá abertura, na Praça das Artes, a cargo de Arnaldo Antunes, que teve um clipe, “O Real Resiste”, proibido na TV Brasil, segundo denúncia de funcionários da empresa. Na mesma noite, na sacada do Theatro Municipal, tocará o DJ Rennan da Penha, funkeiro que criou o Baile da Gaiola e passou sete meses preso pelo crime de associação para o tráfico, numa tentativa, segundo a OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil do Rio), de criminalizar o funk – ele agora vai produzir parceria de Ludmilla com a rapper americana Cardi B (do filme “As Golpistas”). Outro destaque da programação musical é o grupo russo de rock feminista Pussy Riot, que também teve integrantes presas na Rússia – e virou documentário da HBO – , com participação da cantora e atriz transexual Linn da Quebrada (da série da Globo “Segunda Chamada”). Na lista de filmes, está prevista uma exibição do já clássico “Bruna Surfistinha” (2011), que foi atacado nominalmente por Bolsonaro. Ele disse: “Não posso admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha. Não dá”. Programada para o dia 18, na Praça das Artes, a sessão terá debate com a atriz Deborah Secco e a ex-prostituta Raquel Pacheco, a Bruna Surfistinha real, cuja história inspirou o filme. No dia seguinte, o Centro Cultural São Paulo exibirá “A Vida Invisível” (2019), de Karim Aïnouz, que foi cotado para representar o Brasil no Oscar. Em dezembro, uma sessão para funcionários da Ancine foi cancelada sem maiores considerações. Em protesto, os servidores da agência organizaram uma projeção na rua, no centro do Rio. Também está prevista no CCSP uma mostra com diversos pôsteres de filmes brasileiros, em resposta à retirada, no começo de dezembro, de cartazes da sede e do site da Ancine por ordem da nova direção da entidade. O espaço também apresentará uma Sessão de curtas LGBTQIA+ e os longas “Bixa Travesty” (2018) e “Corpo Elétrico” (2017), ambos com Linn da Quebrada, lembrando uma das lives mais perturbadoras de Bolsonaro em 2019 – na qual ele falou em “degolar” os integrantes da Ancine por “jogar dinheiro fora” com financiamento de produções LGBTQIA+. A programação, que inclui várias peças e até eventos literários, será encerrada pela montagem teatral de “Roda Viva”, do Teatro Oficina, com direção de José Celso Martinez Corrêa, que ganhou notoriedade pelo ataque violento e censura sofridos durante a ditadura militar. A programação completa do Festival Verão Sem Censura está disponível no site da Prefeitura de São Paulo. Informações para a retirada de ingressos ainda não foram divulgadas.

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  • Etc

    Secretaria da Cultura é transferida para o Ministério do Turismo

    7 de novembro de 2019 /

    Lembram quando o Brasil tinha Ministério da Cultura? Foi criado em 1985 pelo primeiro presidente civil após o fim da ditadura militar no Brasil. Antes, durante o período em que generais presidiam o país, ele era subordinado ao Ministério da Educação. Um dos primeiros atos do ex-capitão Jair Bolsonaro, ao assumir a presidência em janeiro, foi extinguir o Ministério, voltando a transformá-lo em apêndice de outro departamento, no caso o Ministério da Cidadania, invenção do atual mandatário de Brasília. Isso durou 300 dias. Nesta quinta (7/11), Bolsonaro jogou a atual Secretaria da Cultura em outra pasta, transformando-a em linha auxiliar do Ministério do Turismo. Também foram transferidas para o Turismo o Conselho Nacional de Política Cultural, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura e a Comissão do Fundo Nacional de Cultura e outras seis secretarias não especificadas, além de atribuições como a proteção do patrimônio histórico, artístico e cultural, e regulação dos direitos autorais. Vale lembrar que o atual Ministro do Turismo é Marcelo Álvaro Antônio, denunciado pelo Ministério Público Federal por envolvimento no escândalo de corrupção que é chamado pelo próprio Bolsonaro de “laranjal” do PSL. O deputado Alexandre Frota aproveitou o decreto que oficializou a mudança para fazer piada nas redes sociais. “Com a ideia de Bolsonaro transferir a Secretaria de Cultura que estava na Cidadania para o Ministério do Turismo acho que o primeiro filme a ser realizado poderia ser o Meu Pé de ‘LARANJA’ Lima”, postou o político, aludindo tanto ao escândalo quanto à adaptação do famoso romance de José Mauro de Vasconcelos, lançado em 1968. Questionado sobre os motivos da transferência, a assessoria do Ministério Turismo disse à imprensa não ter detalhes ainda sobre a decisão do presidente, nem o nome de quem comandará a Secretaria, que, para completar, está sem chefia. Na quarta, o antigo Secretário de Cultura, o economista Ricardo Braga, foi exonerado do cargo para assumir um novo posto no governo. Braga assumiu a pasta da Cultura após Henrique Pires, que ocupou o mesmo cargo, pedir demissão em agosto. Na ocasião, Pires disse que preferia “cair fora” a “ficar e bater palma para censura”, aludindo à perseguição do governo à produções de temática LGBTQIA+. O descaso chamou atenção do atual Secretário da Cultura de São Paulo, que foi às redes sociais protestar. “Que absurdo a cultura do nosso país sendo tratada dessa forma. Atacada, sucateada, censurada. E agora, jogada como uma sub pasta de um ministério para outro”, escreveu Alexandre Youssef no Instagram. “A classe cultural precisa se levantar unida, para erguer a bandeira da nossa identidade nacional. É disso que se trata: cultura é identidade!” Ver essa foto no Instagram Que absurdo a cultura do nosso país sendo tratada dessa forma. Atacada, sucateada, censurada. E agora, jogada como uma sub pasta de um ministério para outro. Alvo da sanha de grupos obscurantistas raivosos. A classe cultural precisa se levantar unida, para erguer a bandeira da nossa identidade nacional. É disso que se trata: cultura é identidade! Precisamos estabelecer um novo modelo de desenvolvimento econômico e social para o Brasil, que tenha a cultura como eixo central. A hora é agora. ✊??? Uma publicação compartilhada por Alexandre Youssef (@aleyoussef) em 7 de Nov, 2019 às 5:21 PST

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