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  • Etc,  Série,  TV

    Djenane Machado (1951-2022)

    29 de março de 2022 /

    A atriz Djenane Machado, estrela de várias novelas da Globo e intérprete de Bebel na versão original de “A Grande Família”, morreu nesta segunda-feira (29/3) aos 70 anos. A causa da morte ainda não foi divulgada. Ela era filha do diretor Carlos Machado, que morreu em 1992 e era conhecido no Rio de Janeiro pelo apelido de “Rei da Noite”, e cresceu entre a produção de shows e espetáculos de teatro, já que sua mãe também era figurinista. Djenane fez a sua estreia na televisão aos 17 anos, na novela “Passo dos Ventos”, novela da Globo de 1968. E no ano seguinte emplacou nada menos que três novelas, “Rosa Rebelde”, “A Ponte dos Suspiros” e “Véu de Noiva”, além de estrear no cinema com a comédia “A Penúltima Donzela”. Ela se transformou numa das principais atrizes da Globo, conquistando grande projeção com a personagem hippie Lucinha Esparadrapo na novela “O Cafona” (1971). Este sucesso foi seguido por outro marco em sua carreira, ao participar do núcleo da dupla Shazam (Paulo José) e Xerife (Flávio Migliaccio) em “O Primeiro Amor” (1972), em que pôde explorar sua capacidade cômica. Um dos maiores sucessos das 19h da Globo, a novela originou uma série derivada, focada justamente em Shazam e Xerife. A versatilidade a fez ser escalada como Bebel, a filha de Lineu e Nenê, na primeira versão de “A Grande Família” em 1973. Mas durante as gravações, problemas de bastidores fizeram com que ela fosse substituída por Maria Cristina Nunes na 2ª temporada da série original. A Globo a deixou na geladeira por três anos, período em que ela fez mais dois filmes, “As Alegres Vigaristas” (1974) e “Já Não se Faz Amor como Antigamente” (1976). O segundo foi um dos maiores êxitos da era das pornochanchadas, o que convenceu a emissora a voltar a escalá-la numa novela, trazendo-a de volta em 1976 no elenco de “Estúpido Cupido” (1976). E ela aproveitou a chance, roubando a cena dos demais colegas com o papel de Glorinha, filha de delegado, mas a mais louca integrante da turma de jovens rebeldes da trama. Apesar da projeção, ela só teve mais dois papéis em novelas da emissora, como Lenita Esper, filha de um palhaço decadente (Lima Duarte) em “Espelho Mágico” (1977), e a Guiomar de “Ciranda de Pedra” (1981). Depois disso, apareceu em “Novo Amor” e “Tudo ou Nada”, ambas na TV Manchete, despedindo-se da televisão em 1986. Antes de sair do ar, ela acrescentou mais três filmes à sua carreira: “Sábado Alucinante” (1977), inspirado na era das discotecas, “Águia na Cabeça” (1984), drama criminal sobre o jogo do bicho, e “Ópera do Malandro” (1986), adaptação do famoso musical de Chico Buarque. Nunca foi segredo que Djenane Machado enfrentava problemas com o vício, motivo de muitos de seus problemas profissionais. Com a morte do pai em 1992, ela mergulhou na depressão, mas se concentrou em lutar contra a dependência química. E passou a acreditar que só se curaria longe dos holofotes. Ela encerrou a carreira precocemente por escolha própria. Foi casada duas vezes, mas não teve filhos, e vivia de maneira simples e discreta, em seu apartamento no Bairro Peixoto, no Rio, na companhia de uma cuidadora.

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  • Etc,  Filme

    Paulo Thiago (1945-2021)

    5 de junho de 2021 /

    O cineasta Paulo Thiago, um dos maiores talentos do cinema brasileiro, morreu durante a madrugada deste sábado (5/6), aos 75 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado no hospital Samaritano desde o dia 7 de maio e sua morte foi causada por uma parada cardíaca após uma doença hematológica. Nascido em Aimorés, em Minas Gerais, o diretor foi morar no Rio de Janeiro ainda criança. Ele chegou a cursar economia e sociologia política na PUC, mas seus dias de universitário acabaram lhe desenvolvendo a paixão pelo cinema e o lançando numa trajetória completamente diferente de seus planos originais. Seu primeiro filme foi o documentário “A Criação Literária de João Guimarães Rosa”, lançado em 1969, que chegou a ser premiado no Festival de Santarém, em Portugal. No ano seguinte, lançou seu primeiro longa-metragem de ficção, “Os Senhores da Terra”, também reconhecido internacionalmente ao ser incluído no Festival de Karlovy Vary. Seus próximos trabalhos o consagraram de vez. “Sagarana, o Duelo” (1974) foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Berlim e “Soledade, a Bagaceira” (1976) foi premiado no Festival de Brasília. Ele também fez “Batalha dos Guararapes” (1978), que se tornou um dos primeiros épicos do cinema brasileiro, e “Águia na Cabeça” (1984), pioneiro ao abordar o jogo do bicho e a contravenção do Rio. Ao longo da carreira, Paulo Thiago se especializou em retratar o homem comum em luta contra adversidades maiores que suas capacidades, e essa temática teve seu auge em “Jorge, um Brasileiro” (1989), centrado num caminhoneiro com uma missão de entrega impossível, que refletia as condições da categoria. Com seus trabalhos, também participou da retomada do cinema brasileiro nos anos 1990, alcançando sucesso com “Vagas Para Moças de Fino Trato” (1993), premiado no Festival de Brasília, e “Policarpo Quaresma, Herói do Brasil” (1998), sobre um populista fanático de direita que busca o poder e hoje parece terrivelmente premonitório. O diretor dedicou duas obras consecutivas ao poeta Carlos Drummond de Andrade, o documentário “Poeta de Sete Faces” (2002) e a ficção “O Vestido” (2003), adaptação de um poema do escritor. Por sinal, essa era outra característica de sua filmografia. Depois de estrear com “A Criação Literária de João Guimarães Rosa”, ele filmou “Saragana”, de Guimarães Rosa. A alternância ainda se refletiu de forma temática em dois filmes seguidos com fundo musical, “Coisa Mais Linda: Histórias e Casos da Bossa Nova” (2005), documentário sobre a Bossa Nova, e “Orquestra dos Meninos” (2008), a história de Mozart Vieira, que ensinou música a crianças pobres de Pernambuco e, recusando-se a participar do jogo político local, sofre vingança e tem seu trabalho questionado por uma falsa acusação de abuso de alunos. “Orquestra dos Meninos” serviu como resumo da temática mais emblemática do diretor, exemplificando a luta de brasileiros para melhorar de vida e de país, sempre em luta com interesses de poderosos, fossem os coronéis de “Os Senhores da Terra” ou a manipulação política da “Batalha dos Guararapes”. O diretor ainda fez “Doidas e Santas” (2016), a rara comédia de sua carreira, e “A Última Chance” (2017), exibido no Festival do Rio e protagonizado por Marcos Pigossi, sobre a história de um ex-presidiário que se redime graças às artes marciais (ele fez um documentário sobre esse personagem real em 2013), além de “​Memórias do Grupo Opinião” (2019), que esteve na 24ª edição do festival É Tudo Verdade, apresentando a trajetória do grupo teatral carioca Opinião, marco da resistência contra a ditadura. Entre os projetos que desenvolvia, ficaram incompletos “Rabo de Foguete”, filme baseado na obra de Ferreira Gullar, e um documentário sobre o grupo musical MPB4. Mas Paulo Thiago não foi só diretor. Ele produziu filmes como “Engraçadinha” (1981), de Haroldo Marinho Barbosa, “O Bom Burguês” (1983), de Oswaldo Caldeira, “Fulaninha” (1986), de David Neves, “Beijo na Boca” (1986), de Euclydes Marinho e “Aparecida, O Milagre” (2010), de Tizuka Yamasaki. Também presidiu o Sindicato da Indústria Cinematográfica e Audiovisual do Rio de Janeiro e a Associação Brasileira de Produtores Cinematográficos, além de ter sido um dos fundadores da Associação Brasileira dos Cineastas.

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