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  • Filme

    A Vastidão da Noite é uma das estreias mais instigantes dos últimos anos

    7 de junho de 2020 /

    “A Vastidão da Noite” é apenas o pontapé inicial na carreira do diretor Andrew Patterson, mas já se tornou umas das estreias mais instigantes dos últimos anos. A obra demonstra um carinho muito grande pelos filmes de ficção científica da década de 1950, numa grande homenagem ao estilo, mas não é retrô. Na verdade, não abre mão de parecer moderna. Afinal, filmes daquela época não teriam explorado tanto as conversas entre personagens. E é o que Patterson faz, tanto que ele próprio cita influência da trilogia de Jesse e Celine, de Richard Linklater, em seu trabalho. O diretor de 38 anos também se mostra muito atento aos aspectos visuais e sonoros de sua obra. A ponto de a exibição em streaming – “A Vastidão da Noite” é um lançamento da Amazon Prime Video – dar saudades das sessões com tela grande de cinema. A primeira parte do filme são basicamente planos gerais, com cenas em um ginásio onde acontece um jogo de basquete. Mais tarde saberemos que praticamente toda a cidadezinha de Cayuga, Nova México (uma cidade fictícia), está naquele local. O filme joga o espectador na trama sem uma apresentação dos personagens. Esse tipo de recurso mais moderno não é exatamente novo, mas integra um repertório específico, que parece querer incomodar os espectadores em muitos aspectos, inclusive com ruídos. Há os ruídos da bola batendo no chão e do arrastar dos tênis dos jogadores, enquanto a conversa rola de maneira descontraída, descontrolada e realista. E são justamente ruídos que amarram a trama. Os personagens principais são dois jovens: um radialista chamado Everett (Jake Horowitz) e uma operadora de uma central telefônica chamada Fay (Sierra McCormick). Ela parece ter uma ligeira queda por ele, mas essa relação afetiva não chega a ser algo tão essencial. Durante uma passagem dos dois pelos carros ao redor do ginásio, um ruído é ouvido ao fundo. E o uso de câmera subjetiva cria tensão naquele ponto, evocando as experiências de Sam Raimi em “Evil Dead” (1981). O uso da câmera é, de fato, um dos aspectos mais brilhantes do filme, embora chegue a chamar demais a atenção, a ponto de atrapalhar a imersão na trama. Outro elemento importante é a escuridão. Deliberadamente, Patterson usa muitas cenas escuras, como a esconder o que há em volta dos personagens – na verdade, para esconder o baixo orçamento da produção indie. Mas apesar da amplitude dos primeiros takes – com direito a um passeio noturno pela cidade – , “A Vastidão da Noite” encontra seu ritmo em cenas de interiores e nas ligações telefônicas entre os dois personagens, cada um em seu local de trabalho. O ponto de partida para a trama são ruídos estranhos ouvidos ao telefone. Fay resolve mostrar para seu amigo Everett aquilo que conseguiu captar. O jovem radialista, por sua vez, resolve mostrar esse ruído para sua audiência. E imediatamente ele recebe a ligação de um homem que diz saber o que é aquilo. O interessante é que o ruído só ganha força e importância porque os personagens dão a ele importância. É o caso clássico de filme que brinca muito com as reações, principalmente faciais, de seus personagens e convida o público para entrar no jogo e ficar tão preocupado, tão interessado, tão intrigado e tão entusiasmado quanto eles. E o que é o tal ruído? O mistério envolve as tais referências de ficção científica cinquentista. Mas principalmente dá o que falar. Em tempos pandêmicos, é uma alegria poder ver uma estreia (ainda que direto no streaming) capaz de provocar tantos comentários positivos entre cinéfilos, críticos de cinema e apreciadores do gênero sci-fi.

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  • Filme

    A Vastidão da Noite: Amazon estreia sci-fi premiada que encantou a crítica americana

    1 de junho de 2020 /

    A Amazon acaba de lançar em seu serviço de streaming a sci-fi “A Vastidão da Noite” (The Vast Of Night), produção independente que chega precedida por críticas muito positivas e premiação em alguns festivais americanos. Altamente atmosférico e estilizado, basta ver o trailer disponibilizado abaixo para começar a entender como o diretor Andrew Patterson conseguiu criar um longa de época sobre invasores espaciais com pouco orçamento e ser aplaudido com entusiasmo por 92% do Rotten Tomatoes. A trama se passa no Novo México em meados da década de 1950, durante uma noite fatídica em que uma jovem telefonista e um jovem radialista descobrem uma estranha frequência de áudio que vem do espaço. Obcecados em encontrar a fonte do som, eles embarcam numa jornada que pode mudar sua pequena cidade e o futuro para sempre. Os papéis principais são desempenhados por Sierra McCormick (ex-estrelinha da Disney do “Programa de Talentos”) e Jake Horowitz (visto na série “Manifest”). Mas o destaque é mesmo para o cineasta Andrew Patterson, que passou a receber propostas para dirigir grandes produções após o filme, considerado “uma estreia impressionante” pelo jornal Los Angeles Times. A plataforma de streaming da Amazon adquiriu o filme logo após ele ser exibido no Festival de Sundance do ano passado. Os planos originais previam lançamento no cinema, mas a covid-19 mudou tudo e “A Vastidão da Noite” virou atração de drive-ins, antes de chegar ao streaming neste fim de semana. Fica a dica. E o trailer.

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