Rogéria (1943 – 2017)
Morreu a atriz Rogéria, o primeiro travesti a fazer sucesso na TV nacional, que se definia como “o travesti da família brasileira”. Ela vinha lutando contra uma infecção desde julho, sendo internada algumas vezes. Voltou ao hospital nesta segunda (4/9) no Rio de Janeiro, onde veio a falecer poucos horas após a internação, aos 74 anos. Seu nome artístico surgiu em um concurso de fantasias de Carnaval onde se apresentou como Rogério em 1964. Ao final do show, a plateia a ovacionou aos gritos de Rogéria. A partir daí, nunca mais usou o nome de batismo, Astolfo Barroso Pinto, a não ser como piada. E era realmente engraçado que Rogéria fosse Astolfo e ainda tivesse Pinto. Ela não tinha papas na língua. Costumava dizer que a cidade em que nasceu em 1943, Cantagalo, no interior do Rio de Janeiro, tinha sido o lar do maior macho do Brasil, Euclides da Conha, e da “maior bicha do Brasil: eu”. Desde sua infância tinha consciência da homossexualidade e na já adolescência virou transformista, buscando uma carreira de maquiadora, enquanto se descabelava aos gritos no auditório da Rádio Nacional, nos programas estrelados pela cantora Emilinha Borba, de quem era fã incondicional. Antes de se tornar famosa, Rogéria trabalhou como maquiadora na TV Rio. Lá, foi incentivada a ingressar no universo das artes cênicas, encontrando sua verdadeira vocação como atriz. Virou vedete de teatro de revista no notório reduto gay de Copacabana, a Galeria Alaska. Mas não se contentou em virar apenas um ícone LGBT+ do Rio. Chegou, inclusive, a ter carreira internacional. Viajou para Angola, Moçambique e seguiu para a Europa. Em Paris, virou estrela de renome graças a sua temporada na boate Carrousel entre os anos de 1971 e 1973. Ao voltar para o Brasil, emplacou filmes da Boca do Lixo, como “O Sexualista” (1975) e “Gugu, o Bom de Cama” (1979), ao mesmo tempo em que ganhou o Troféu Mambembe, conferido pelo Ministério da Cultura aos destaques teatrais do Rio e São Paulo, pelo espetáculo que fez em 1979 ao lado de Grande Otelo. Logo, começou a aparecer na TV. A princípio, como jurada de programas de calouro do Chacrinha. Seus comentários provocantes repercutiram com enorme sucesso entre o público, e assim ela se perpetuou nos programas de auditório por várias décadas, incluindo os comandados por Gilberto Barros e Luciano Huck. Rogéria também fez pequenas participações em novelas e séries de comédia da Globo, aparecendo em “Tieta”, “Sai de Baixo”, “Desejo de Mulher”, “Duas Caras”, “Babilônia”, “A Grande Família” e “Zorra Total”, além de fazer papéis bissextos no cinema, em filmes de diretores importantes e tão diferentes como Eduardo Coutinho (“O Homem que Comprou o Mundo”, 1968), Julio Bressane (“O Gigante da América”, 1978), José Joffily (“A Maldição do Sanpaku”, 1991) e Carla Camurati (“Copacabana”, 2001). No ano passado, ela lançou uma autobiografia intitulada “Rogéria — Uma Mulher e Mais um Pouco”, que comemorou os 50 anos de sua carreira, e participou do documentário “Divinas Divas, sobre as primeiras transformistas famosas do Brasil. Dirigido por Leandra Leal, o filme venceu o prêmio do público do Festival do Rio e do Festival SXSW, nos Estados Unidos. “Rogéria era uma artista maravilhosa. Era mais fácil trabalhar com ela do que com qualquer pessoa. Era só acender a luz que ela brilhava. Ela se dizia a travesti da família brasileira. Ela levava a família brasileira pra ver seus shows. Era sensacional”, lamentou o cartunista Chico Caruso, em depoimento ao jornal O Globo. “Ela abriu as portas para uma geração, ela desde sempre foi vanguarda, revolucionária e acho que é uma perda muito grande”, disse Leandra Leal. “Ela fazia a diferença, ela tinha voz, talento, força. Ela dizia: ‘Eu não levanto bandeira, eu sou a bandeira’. A maior mensagem que ela deixa é viver de acordo com a sua potência”.
Globo vai resgatar A Grande Família com especiais de retrospectiva da série
A rede Globo vai resgatar a série “A Grande Família” com uma, claro, grande retrospectiva. Embora tenha marcado época em sua versão original, nos anos 1970, a atração foi muito além em seu revival no século 21, virando um fenômeno de longevidade, com exibição de 2001 a 2014, sempre com grande audiência. A estreia da segunda fase aconteceu em março de 2001, com o episódio “Meu Marido Me Trata como Se Eu Fosse uma Geladeira”, que fará 16 anos neste mês. A retrospectiva trará os melhores momentos de cada personagem da atração, com narração feita por Marco Nanini, o intérprete do patriarca Lineu. Intitulada “O Álbum da Grande Família”, a homenagem irá ao ar de 20 de março a 28 de abril, lembrando a trajetória de cada integrante da família ao longo de seus 13 anos de produção. Os primeiros cinco episódios serão voltados à trajetória de Nenê (Marieta Severo), que começou a série como dona de casa e terminou como empresária de sucesso. Em seguida, virão os arcos de Bebel (Guta Stresser), Agostinho (Pedro Cardoso), Tuco (Lúcio Mauro Filho), os convidados especiais e, por fim, o próprio Lineu. Além da série, os personagens também estrelaram um filme, intitulado, como não poderia deixar de ser, “A Grande Família – O Filme” (2007), dirigido por Mauricio Farias (“Vai que Dá Certo”).
Após pedir emprego no Facebook, ator de A Grande Família vai estrelar vídeos de aplicativo
Pedir emprego pelo Facebook deu certo para o ator Marcos Oliveira, o Beiçola de “A Grande Família”. Uma semana após o apelo, ele conseguiu seu primeiro trabalho: estrelar uma série de vídeos para o aplicativo GetNinjas, que permite a contratação de serviços – como aulas particulares, limpeza e técnicos de informática. “Venho hoje agradecer a todos vocês que tentaram me ajudar”, disse Oliveira em um vídeo publicado em seu perfil no Facebook (veja abaixo). “A partir de janeiro eu vou estar aqui para tentar testar algumas profissões e aí vou mostrar tudo em vídeo pra vocês. Vou tentar ser um pintor, um barman, um personal trainer, um diarista e por aí vai. Vai ser engraçado”. Sem trabalho desde agosto, quando terminou a novela “Liberdade, Liberdade”, Marcos Oliveira desabafou publicamente sobre a falta de emprego em 16 de dezembro. Na ocasião, o ator disse estar disposto a aceitar qualquer trabalho na área artística, de participação na TV a animação de festas.
Ator de A Grande Família pede emprego no Facebook
Joanna Fomm fez escola. Após pedir emprego na internet, a veterana atriz brasileira foi contratada para fazer um filme (“Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola”) e uma série (“Magnifica 70”). Agora, é a vez do comediante Marcos Oliveira, o Beiçola de “A Grande Família”. Sem trabalho desde agosto, quando terminou a novela “Liberdade, Liberdade”, o ator desabafou em seu perfil no Facebook, nesta sexta-feira (16/12), pedindo uma oportunidade. Veja abaixo: Oi gente eu sou o Marcos Oliveira e estou na batalha. Estou sem contrato e quero trabalhar. Beijos. Publicado por Marcos Oliveira em Sexta, 16 de dezembro de 2016 “Está difícil. Estou tentando sobreviver. Como não conheço a tecnologia, uma amiga me ajudou. As pessoas acham que sou contratado da Globo e eu não sou”, disse o ator ao UOL. “Não tenho dinheiro para pagar aluguel e as contas. Fiz dois empréstimos para sobreviver acreditando que acharia um trabalho logo. Estou juntando dinheiro para tentar pagar o aluguel desse mês. Se não pagar, daqui a pouco estou sendo despejado”, lamentou. O ator de 60 anos revelou que nunca teve contrato fixo da Globo, mesmo em “A Grande Família”, que durou 14 anos, e que gastou o dinheiro que recebeu da Globo tratando problemas graves de saúde. O ator está disposto a aceitar qualquer trabalho na área artística, de participação na TV a animação de festas. “Quero trabalhar, ter minha dignidade. Não quero ficar receber esmola de ninguém. Parece que meu trabalho não é suficiente ou que não tenha qualidades para ser bem-sucedido no meu trabalho, entendeu?”


