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  • Filme

    Johnny Depp se destaca no frustrante Aliança do Crime

    17 de novembro de 2015 /

    O burburinho acerca da atuação de Johnny Depp, depois de muitos anos fazendo caras e bocas em blockbusters fracassados, é o principal chamariz de “Aliança do Crime”, dirigido por Scott Cooper (“Coração Louco”). E ele, de fato, é o destaque deste filme de gângster, que não demora a frustrar toda a expectativa gerada por sua premissa, apesar de começar muito bem – a primeira sequência em close-up, durante o interrogatório do gângster vivido por Jesse Plemons (série “Breaking Bad”), é o ponto alto da produção. “Aliança do Crime” é um longa-metragem desequilibrado, que joga equivocadamente cenas fortes em meio a um ritmo arrastado, além de trazer um protagonista mal desenvolvido. Depp, porém, sobra no papel de James “Whiter” Bulger, um dos maiores gângsteres da era moderna e que, por anos, foi um dos criminosos mais procurados do FBI. Sua atuação se mostra realmente muito diferente das que vinham lhe transformando em piada, menos afetada e contaminada pelos tiques adquiridos depois que viveu o pirata Jack Sparrow na franquia “Piratas do Caribe”. Ainda existem alguns momentos de deslize, mas o ator consegue se controlar bem. E olha que o ambiente não era muito favorável. Com uma maquiagem esquisita e pesada, que dá a seu vilão uma aparência de cadáver, e com um dos piores usos de lentes de contato da história recente do cinema, Depp ainda precisa se virar com um personagem irregular. Durante todo o tempo, a identidade do protagonista é construída por comentários de terceiros, deixando o desenvolvimento de sua personalidade de lado, apenas para justificar destaque aos personagens satélites. Com um elenco espetacular, o longa reúne atuações consistentes de Joel Edgerton (“O Grande Gatsby”), Benedict Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”), Rory Cochrane (“Argo”), David Harbour (“O Protetor”), Kevin Bacon (série “The Following”), Adam Scott (série “Parks and Recreation”), Juno Templo (“Killer Joe – Matador de Aluguel”), Corey Stoll (“Homem-Formiga”), Julianne Nicholson (série “Boardwalk Empire”), do já citado Jesse Plemons e Peter Sarsgaard (“Lanterna Verde”), o mais inspirado de todos. E é só pelo calibre dos coadjuvantes que a trama consegue deslanchar. Os intérpretes, porém, precisam superar o problema da falta de objetividade do longa. Scott Cooper parece não saber muito bem qual é o melhor meio de contar sua história. Perdido em falatórios, que resultam em pouca ação, encontra dificuldades para encaixar as cenas mais violentas e outras situações que despertem o interesse do espectador. É como se essas cenas fossem inseridas no tranco. Desconexas de todo o resto, causam estranhamento. Entretanto, representam os únicos momentos em que é possível vislumbrar o “verdadeiro” Whiter Bulger, tornando sua ameaça real na trama. Duas sequências são um bom exemplo disso: a conversa na mesa com David Harbour e a despedida de Julianne Nicholson. Ambas estão próxima uma da outra, mas só acontecem depois de muito filme decorrido. Mais do que na montagem, um trabalho até esforçado de David Rosembloom (“O Informante”), o problema do filme está mesmo no roteiro, assinado pelo estreante Mark Mallouk e o irregular Jez Butterworth (“James Brown” e “007 Contra Spectre”), com suas personagens super ou subdimensionadas, que acabam por desinteressar o público. E aí não há técnica que dê jeito, mesmo que a produção esteja repleta de profissionais competentes. Caso da direção de fotografia do japonês Masanobu Takayanagi (“A Perseguição”), que consegue mesclar muito bem luz e sombra e trabalhar com planos diversos, e o desenho de produção assinado por Stefania Cella (“A Grande Beleza”), com arte de Jeremy Woodward (“O Verão da Minha Vida”), cenografia de Tracey A. Doyle (“Quebrando a Banca”) e figurinos de Kasia Walicka-Maimone (“Foxcatcher: Uma História Que Chocou o Mundo”), competente na recriação de várias décadas. Cansativo, desinteressante e frustrante, “Aliança do Crime” tinha personagem, elenco e uma excelente equipe técnica, mas lhe faltou a coisa mais importante em um filme: quem soubesse como filmá-lo.

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  • Filme

    O Último Caçador de Bruxas se beneficia da baixa expectativa

    17 de novembro de 2015 /

    “O Último Caçador de Bruxas” se beneficia da baixa expectativa gerada por sua premissa – Vin Diesel caçando bruxas pela eternidade. O filme não se preocupa muito com o desenvolvimento dos personagens e assume todas as facilidades do roteiro, que nem sempre se encaixa ou se preocupa em fazer muito sentido. Mas boas cenas de ação, bem distribuídas e eficientes na manutenção do ritmo, somadas a efeitos especiais de qualidade, fazem da produção um entretenimento satisfatório. Na trama, o personagem de Diesel (“Velozes e Furiosos”) é um caçador de bruxas de 800 anos, que se tornou imortal por uma maldição da Rainha Bruxa. Séculos após a morte da vilã, uma conspiração ameaça a paz estabelecida entre humanos e bruxos, e o caçador precisa voltar à atividade na Nova York contemporânea. O ator, como de costume, demonstra um carisma muito maior do que suas capacidades interpretativas e, sem inventar muito, não compromete. Junto com ele, está Rose Leslie (série “Game of Thrones”), aquela que conhecemos por contar ao John Snow que ele não sabe nada, como uma bruxa boazinha que o auxilia em sua missão. A boa química entre os dois convence. O elenco ainda destaca Michael Caine (trilogia “Batman: O Cavaleiro das Trevas”), muito bem como um guardião idoso, e Elijah Wood (trilogia “O Senhor dos Anéis”), como o substituto, nem sempre tão bem assim. O roteiro da dupla Matt Sazama e Burk Sharpless (responsável pelo similar “Drácula: A História Nunca Contada”) em parceria com Cory Goodman (do também similar “Padre”) é simplório, mas o acabamento técnico ajuda “O Último Caçador de Bruxas” a entreter o público. De fato, é possível até elogiar o apuro técnico de sua fotografia, assinada por Dean Semler (“Malévola”), os figurinos, desenhados por Luca Mosca (“De Volta ao Jogo”), e um trabalho bastante impressionante com a maquiagem da Rainha Bruxa, vivida pela atriz francesa Julie Engelbrecht (“As Férias do Pequeno Nicolau”).

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  • Filme

    Olmo e a Gaivota documenta o imprevisto da vida

    16 de novembro de 2015 /

    Quando surgiu a ideia de fazer um documentário com a atriz italiana Olivia Corsini (“Les Naufragés du Fol Espoir”), o projeto previa falar sobre um dia na vida de uma mulher, suas reflexões, suas realizações e sua percepção da própria vida. Porém, um imprevisto mudou a proposta original. A atriz descobriu que estava grávida e o documentário virou uma espécie de diário dessa jornada, sem deixar para trás algumas das ideias originais. Outra mudança no direcionamento do longa acontecem quando descobre-se que a gravidez é de risco e um repouso forçado tira Olívia de sua rotina, e da turnê que seu grupo de teatro faria para apresentar a peça “A Gaivota”, de Anton Tchekhov, em Nova York e Montreal. Visualmente belo, o longa-metragem dirigido em parceria pela brasileira Petra Costa (“Helena”) e pela dinamarquesa Lea Glob acompanha os nove meses da gestação, da descoberta com um exame de farmácia até os últimos dias da gravidez. Com formato de diário, com espaço para divagações sobre a vida, envelhecimento, frustrações, inseguranças e memórias, “Olmo e a Gaivota” mistura cenas do cotidiano da atriz e seu marido Serge, também ator teatral, com várias imagens de arquivo, de maneira funcional e pouco invasiva, dando ao produto final uma homogeneidade interessante. Por ser um documentário, a interação de Petra com o cotidiano do casal altera o convívio diário. Mas essa intromissão é escancarada e chama a atenção por seguir uma trilha bastante diversa do gênero. O fato de o casal ser formado por dois atores, com a possibilidade de estarem sempre encenando, também. A confusão entre a determinação do alcance do que é documento e o que é encenação é curiosa. É como se uma caixa ficcional fosse preenchida apenas com conteúdo real, como se todos aqueles pensamentos e divagações de Olívia surgissem aleatoriamente, mas seguissem um caminho determinado. Uma bela experiência, premiada nos festivais internacionais de Locarno e CPH:DOX.

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    Evereste é um filme de desastre sem surpresas

    14 de novembro de 2015 /

    “Evereste” é aquele tipo de filme que todo mundo vai assistir sabendo o que vai encontrar. Situações limites, angústia e algum melodrama. Um produto calculado e realizado para despertar estes sentimentos em pessoas que querem passar por isso. O filme tem todos os clichês esperados do subgênero dos filmes de desastre. Estão lá o personagem irresponsável e o ultrarresponsável, os que ficam em casa e sustentam momentos piegas, além das inevitáveis decisões esdrúxulas. Na trama, um alpinista experiente transformou sua paixão em um negócio lucrativo. Jason Clarke (“O Exterminador do Futuro: Gênesis”) interpreta o dono de uma empresa especializada em conduzir escaladas pelo monte Evereste e acaba de juntar equipe e clientes para mais uma expedição. Só que uma tempestade inesperada acontece na metade da travessia, levando todos ao desespero. O elenco também inclui Jake Gyllenhall (“O Abutre”), Josh Brolin (“Os Caça-Fantasmas 3”), Keira Knightley (“O Jogo da Imitação”), Sam Worthington (“Fúria de Titãs”), John Hawkes (“As Sessões”) e Robin Wright (série “House of Cards”), entre outros. Mas isso acaba não fazendo muita diferença, porque, no meio do caos e sob camadas e mais camadas de roupa e neve, pouca gente consegue ser reconhecida. Além disso, a trama não exige grandes atuações. Poderiam ter convidado todo mundo que fez “Pânico na Floresta 13” que daria no mesmo. Mas se os clichês negativos estão presentes, há também bons momentos de tensão em travessias vertiginosas. Tanto que, para os não adeptos daquele modo de vida, é difícil entender porque alguém se sujeitaria a algo tão extremo. Outro destaque positivo do longa-metragem, a construção do Evereste e de seus perigos é impressionante. A fotografia, bastante auxiliada pelas locações, somada ao trabalho de efeitos visuais e de som, confere realismo ao filme.

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    Operações Especiais não é Tropa de Elite 3

    14 de novembro de 2015 /

    Ecoando o momento de desencanto, onde se percebe a corrupção em cada canto do país, chega aos cinemas o filme de ação “Operações Especiais”, dirigido por Tomas Portella (“Isolados”) e com Cleo Pires (“O Tempo e o Vento”) no papel principal. A atriz interpreta Francis, uma jovem formada em Turismo que resolve fazer concurso para a Polícia Civil pelo motivo mais bobo do mundo. Depois de ser aprovada no curso de formação com louvor, ela passa seus dias desempenhando trabalho burocrático. Até a tomada do Morro do Alemão e a consequente migração dos chefes do morro para cidades próximas ao Rio de Janeiro. Essa, pelo menos, é a ideia que o filme quer passar, ao apresentrar o aumento da violência na fictícia São Judas do Livramento. Quando duas crianças morrem, vítimas de bala perdida, a Polícia Civil fluminense resolve dar um jeito na situação. Para isso, monta uma equipe especial, mesclando policiais veteranos e novatos. Chefiados pelo delegado Fróes (Marcos Caruso, de “Sorria, Você Está Sendo Filmado”), o único pré-requisito necessário para entrar na operação é ser honesto. E assim a inexperiente personagem de Cleo Pires vai parar no meio dos tiros cruzados. Bobinho no argumento, o filme acaba se valendo de bons momentos de tensão. O jogo de câmeras nas incursões, além de boas sequências de perseguição e tiroteio, chegam exatamente onde gostariam de chegar e conseguem causar sensações na plateia. Como já comprovado em “Isolados”, o diretor é capaz de criar ambiência e manipular sentimentos. Apesar de não sobreviver a certos tropeços na direção de atores. As atuações são irregulares. Embora a maioria do elenco não comprometa, Fabrício Boliveira (“Faroeste Caboclo”) está muitos tons acima dos colegas de cenas, seja na empostação da voz ou nos muitos e exagerados trejeitos. Outra que também deixa a desejar na construção de seu personagem é Fabíula Nascimento (“O Lobo Atrás da Porta”), mas a dificuldade parece vir de um sotaque que não funciona em hora nenhuma. O cinema policial brasileiro já conseguiu combinar ação, desempenho e roteiro capaz de gerar reflexão, mas “Operações Especiais” não é “Tropa de Elite 3”. Trata-se apenas de um passatempo, que prefere divertir o público a fazê-lo pensar.

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