
IA Arte a partir de imagens de divulgação do Love Affair
Steve Ellis, cantor do sucesso Everlasting Love, morre aos 76 anos
Vocalista da banda britânica Love Affair morreu em 30 de outubro, após complicações de doença crônica
Cantor morreu após complicações de doença crônica
Steve Ellis, cantor britânico que ficou conhecido como vocalista da banda Love Affair e intérprete do sucesso “Everlasting Love”, morreu aos 76 anos. O artista faleceu em 30 de outubro na companhia de familiares, após complicações de uma doença crônica. A morte foi anunciada na segunda-feira (2/11) por meio de suas redes sociais. A família não especificou a enfermidade.
O sucesso na geração mod
A trajetória de Ellis começou na cena mod londrina dos anos 1960. Ainda adolescente, ele integrava um grupo de jovens de Finchley que adotava a estética e os hábitos musicais do movimento, influenciado pelo soul e pelo rhythm and blues americanos. Sua primeira banda, Soul Survivors, que posteriormente se tornaria a Love Affair, tocava versões de artistas das gravadoras Motown, Stax e Atlantic em clubes frequentados pelos mods, como Marquee, Flamingo e Tiles. O grupo chegou a dividir o palco com os Small Faces e o The Who, duas das principais referências daquela geração.
Ellis tinha apenas 17 anos quando gravou “Everlasting Love”, lançada pela Love Affair em dezembro de 1967. A canção chegou ao 1º lugar das paradas britânicas em fevereiro de 1968 e permaneceu no topo durante duas semanas. Escrita por Buzz Cason e Mac Gayden, havia sido registrada originalmente pelo americano Robert Knight, mas conquistou sua maior repercussão no Reino Unido com a interpretação do jovem cantor.
Maior que os Beatles?
Embora o sucesso de “Everlasting Love” tenha transformado a Love Affair num fenômeno pop adolescente, a gravação também provocou controvérsia. Apesar de a música ser creditada à Love Affair, Ellis foi o único integrante da banda a participar da gravação. A parte instrumental ficou a cargo de músicos de estúdio, sob produção de Mike Smith e arranjos de Keith Mansfield. O grupo admitiu o procedimento durante uma entrevista na televisão, o que provocou críticas na imprensa britânica. O uso de instrumentistas contratados era comum na indústria fonográfica, mas raramente reconhecido publicamente.
O sucesso abriu caminho para outros hits, como “Rainbow Valley”, “A Day Without Love” e “Bringing on Back the Good Times”. A banda se tornou uma das principais atrações do pop britânico no final dos anos 1960 e chegou a vender mais compactos que praticamente todos os seus concorrentes no país, atrás apenas dos Beatles em 1968.
O cantor deixou a Love Affair em 1969 e formou a banda Ellis em 1972. O disco de estreia do grupo teve produção de Roger Daltrey, vocalista do The Who. Em 1976, ele integrou a Widowmaker, superbanda de hard rock que também contou com ex-integrantes do Hawkwind, Mott the Hoople e Lindisfarne, e representou uma mudança radical em seu som, soando como uma mistura inesperada de The Kinks e Led Zeppelin.
De roqueiro a estivador
A quantidade de egos reunidos acabou implodindo a Windowmaker. O cantor contou que havia brigas constantes e revelou um episódio particularmente grave: ele e o guitarrista Luther Grosvenor, conhecido como Ariel Bender, chegaram às vias de fato em Nova York. “Deixei a banda porque não queria acabar me transformando numa caricatura de astro do rock dos anos 1970”, revelou em entrevista à Pennyblack Music, em 2008.
Com o rompimento, Ellis enfrentou uma crise financeira que o levou a abandonar a música. Segundo o cantor, o empresário deixou de pagar impostos que havia se comprometido a quitar durante a turnê pelos Estados Unidos, provocando sua falência. O engavetamento de seu álbum solo “The Last Angry Man” agravou a situação. Com uma família para sustentar, mudou-se para Brighton e conseguiu emprego como estivador no porto de Shoreham.
O trabalho físico ajudou Ellis a recuperar a saúde depois dos excessos da vida de músico. Em 1981, quando já planejava deixar as docas para retomar a carreira artística, sofreu um acidente com uma empilhadeira de duas toneladas. As lâminas do equipamento esmagaram seus pés e provocaram fraturas gravíssimas. O cantor passou os oito anos seguintes entre hospitais, cirurgias e enxertos ósseos. Sem conseguir andar normalmente, começou a praticar caratê durante a recuperação e conseguiu voltar aos palcos no início dos anos 1990, à frente de uma nova formação da Love Affair.
Parceria com Paul Weller marcou últimos discos
Ao voltar à música, ele retomou suas raízes mods. Participou da organização de eventos em homenagem aos Small Faces e até assumiu os vocais da banda num show-tributo a Steve Marriott, acompanhado também por Paul Weller e Noel Gallagher nas guitarras. O gosto musical em comum o aproximou de Paul Weller, que liderou a segunda geração mod à frente do The Jam durante a era punk e um revival soul nos anos 1980 no Style Council. Os dois trabalharam juntos pela primeira vez em 1998, no single beneficente “Step Inside My Love”, e firmaram uma forte parceria nos discos solo de Ellis.
A carreira solo do cantor ganhou impulso em 2008 com o álbum “Best of Days”, que iniciou a parceria duradoura com ex-líder do The Jam e ainda contou com participação de Roger Daltrey. Ellis e Weller voltaram a trabalhar juntos em “Boom! Bang! Twang!” (2018), disco que contou com composições e produção do guitarrista.
A colaboração continuou até o último trabalho de Ellis, “Baby Faced Assassin”, lançado em setembro de 2026, apenas um mês antes de sua morte. O álbum inclui três faixas criadas em parceria com Weller.
Despedidas
O cantor já havia realizado apresentações de despedida em 2025, anunciando que abandonaria as turnês devido a problemas pulmonares. Em entrevista concedida neste ano ao site The Strange Brew, comparou a dificuldade de continuar cantando à situação de um carpinteiro que perde um braço.
Após o anúncio da morte, Paul Weller publicou uma homenagem ao amigo nas redes sociais: “God bless ya Stevie safe travels everlasting love for sure”. A mensagem faz referência à música que projetou Ellis internacionalmente. O cantor deixa a mulher, Val, e sua família.
Lembre os hits e momentos históricos
