
Instagram/Luana Piovani
Luana Piovani chama Leonardo de “lixo humano” por trabalho escravo em fazenda
Atriz resgata fiscalização que encontrou seis trabalhadores em condições degradantes e critica apoio político do sertanejo à direita
Atriz denuncia exploração de trabalhadores
Luana Piovani chamou o cantor Leonardo de “lixo humano” ao compartilhar nas redes sociais um vídeo sobre o resgate de seis trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em propriedades do sertanejo em Goiás. A publicação, feita na segunda-feira (2/11), também questiona o apoio político do artista à direita, ao juntar as escolhas eleitorais e as condições de trabalho encontradas na fazenda.
Trabalhadores dormiam sobre galões de agrotóxicos
O vídeo compartilhado pela atriz foi produzido pelo perfil Um Preto que Pensa e recupera uma fiscalização realizada em novembro de 2023 nas fazendas Talismã e Lakanka, em Jussara, no interior de Goiás. A operação encontrou seis pessoas em condições degradantes, incluindo um adolescente de 17 anos. Os trabalhadores dormiam numa construção abandonada, sem água potável, camas ou instalações sanitárias adequadas, sobre tábuas de madeira apoiadas em galões de agrotóxicos.
O relatório da fiscalização, obtido originalmente pela Repórter Brasil, descreveu a presença de morcegos, insetos e fezes espalhadas pelo alojamento. Alguns trabalhadores relataram que formigas e cupins caminhavam sobre seus corpos durante a noite. Parte do grupo trabalhava diariamente na retirada de raízes, pedras e tocos de árvores para preparar o terreno para o plantio de soja, sem equipamentos de proteção.
Vídeo questiona posicionamento político
Ao comentar o caso, o criador de conteúdo associou as irregularidades trabalhistas ao histórico de apoio eleitoral de Leonardo à família Bolsonaro. “Esse cara apoiou um grupo político que era contra o fim da escala 6×1. Os caras acham que o crime contra a dignidade humana se resolve simplesmente pagando uma multa e já era”, afirmou.
O influenciador também criticou o apoio do sertanejo à direita nas eleições de 2018, 2022 e 2026. “Será que eu vou estar sendo muito radical em falar que ele é um inimigo do trabalhador?”, questionou.
A manifestação resgata uma controvérsia que ganhou repercussão nacional em outubro de 2024, quando o Ministério do Trabalho e Emprego incluiu Leonardo na chamada lista suja do trabalho escravo. O cantor apareceu no cadastro pelo nome civil, Emival Eterno da Costa, após a conclusão do procedimento administrativo referente à fiscalização de 2023.
Leonardo foi responsabilizado pela fiscalização
Na época, Leonardo afirmou que a propriedade havia sido arrendada a terceiros em 2022 e que desconhecia os trabalhadores encontrados pelos fiscais. “Em 2022, eu arrendei uma fazenda para que o arrendatário plantasse o que ele quisesse. Nisso, surgiram uns funcionários que eu não conheço, nunca ouvi falar”, declarou em vídeo.
O relatório da fiscalização, entretanto, apontou que a limpeza e a preparação da área continuavam sob responsabilidade do cantor, apesar do arrendamento. Com base nessa constatação, os auditores o identificaram como empregador responsável pelas irregularidades.
Leonardo conseguiu sair da lista suja
Leonardo pagou R$ 94 mil em multas e R$ 225 mil em indenizações aos trabalhadores. Cada adulto recebeu R$ 35 mil, enquanto o adolescente foi indenizado em R$ 50 mil. Posteriormente, o sertanejo firmou outro acordo com o Ministério Público do Trabalho, que estabeleceu o pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos e compromissos para regularizar as relações de trabalho em suas propriedades.
Graças ao acordo, o cantor conseguiu retirar seu nome da lista suja do trabalho escravo em julho de 2025.