
Divulgação/Prime Video
Guia | Volta do Senhor dos Anéis marca estreias de streaming da semana
A superprodução da Prime Video avança para a guerra pela Terra-média, enquanto a HBO Max retoma "Cidade de Deus: A Luta Não Para" após dois anos
A 3ª temporada de “O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder” é a principal atração de uma semana de grandes retornos no streaming. A série mais cara da Prime Video revela a guerra pela Terra-média, enquanto a HBO Max retoma “Cidade de Deus: A Luta Não Para” após dois anos e a Netflix apresenta a temporada final de “A Imperatriz”. O suspense de Stephen King em “O Instituto” e a ação policial brasileira de “Arcanjo Renegado” completam a seleção de continuações.
A Netflix ainda apresenta “O Corpo”, série de terror adolescente ao estilo de “Jovens Bruxas” e “Carrie, a Estranha”, e o thriller musical “No Coração de Nashville”, estrelado por Jessica Chastain. A Apple TV estreia o suspense de assalto “12 12 12”, com Anthony Mackie e Jamie Dornan, enquanto a Prime Video recebe um filme policial de Gus Van Sant baseado num sequestro real. Há ainda a chegada à Netflix de “Ne Zha 2”, animação chinesa que arrecadou mais de US$ 2,2 bilhões nos cinemas. Confira os detalhes.
DOMINGO
📺 CIDADE DE DEUS: A LUTA NÃO PARA 2 | HBO Max
A continuação televisiva de “Cidade de Deus”, filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund que projetou o cinema brasileiro internacionalmente em 2002, retorna após dois anos com uma guerra pelo controle da comunidade. A 1ª temporada mostrou como Buscapé (Alexandre Rodrigues), agora fotógrafo profissional, voltou ao bairro onde cresceu e encontrou novas gerações submetidas à violência do tráfico. Os seis episódios inéditos retomam a história após a morte de Curió, que desencadeia outra disputa territorial e abre espaço para a expansão das milícias.
Berenice (Roberta Rodrigues, de “Cidade de Deus”), eleita vereadora, enfrenta a corrupção política e tenta proteger os moradores da influência de organizações criminosas. Jerusa (Andréia Horta, de “Elis”) procura vingança pela destruição de sua família, enquanto Leka (Luellem de Castro) mobiliza a comunidade por meio da música e dos bailes funk. O elenco também recupera Cenoura, personagem de Matheus Nachtergaele (“O Auto da Compadecida”) no filme original. Depois de anos na prisão, o antigo traficante retorna ao bairro com a intenção de abandonar o crime, mas encontra uma realidade que dificulta seus planos.
A direção de Aly Muritiba (“Deserto Particular”) mantém a conexão com o cinema brasileiro de temática social, agora com maior espaço para desenvolver as relações entre criminalidade, política e resistência comunitária. O regresso de Cenoura reforça a continuidade com o longa original, mas a narrativa não depende exclusivamente da nostalgia. A trajetória de Berenice e a presença crescente das milícias deslocam a discussão para a participação das instituições na manutenção da violência, enquanto o funk assume uma função de identidade cultural e organização dos moradores.
📺 O INSTITUTO 2 | MGM+
A adaptação do romance de Stephen King retorna com uma história que amplia o universo apresentado no livro de 2019. A série acompanha crianças dotadas de telepatia e telecinese, sequestradas para servir a uma organização clandestina que realiza experimentos com suas capacidades. Na 1ª temporada, o adolescente superdotado Luke Ellis (Joe Freeman) descobriu a finalidade dos procedimentos e conseguiu escapar com outros jovens, ajudado pelo ex-policial Tim Jamieson (Ben Barnes, de “O Justiceiro”).
Os novos episódios mostram Luke e seus companheiros como fugitivos, determinados a destruir definitivamente a organização responsável por seu sofrimento. A descoberta de instalações semelhantes em outros países amplia a dimensão da conspiração, enquanto o Diretor busca reconstruir o Instituto com o financiamento de Nolan Reeves (Alfie Allen, de “Game of Thrones”), bilionário europeu do setor de tecnologia. Mary-Louise Parker (“Weeds”) também retorna como a Sra. Sigsby, antiga administradora da instituição, agora foragida e interessada em recuperar sua posição dentro do sistema.
A continuidade exige que os roteiristas avancem além da história originalmente concebida por King, esgotada na temporada inaugural. O autor participa da produção executiva ao lado de Jack Bender (“A Origem”) e Benjamin Cavell (“Justified”).
QUARTA-FEIRA
📺 O SENHOR DOS ANÉIS: OS ANÉIS DE PODER – 3ª TEMPORADA | Prime Video
A superprodução inspirada nos escritos de J.R.R. Tolkien avança cinco anos depois da queda de Eregion, quando Sauron consolidou sua influência sobre os anéis mágicos e levou a guerra ao território dos elfos. A 3ª temporada aproxima a história da criação do Um Anel, objeto que permitirá ao Senhor do Escuro controlar os demais artefatos e se tornará o centro dos acontecimentos narrados posteriormente em “O Senhor dos Anéis”. A mudança de escala coloca a Terra-média diante de uma guerra generalizada, com o inimigo cada vez mais próximo da vitória.
Sauron (Charlie Vickers, de “Medici”) estabelece seu domínio em Mordor, onde trabalha na fortaleza de Barad-dûr para concluir a forja do anel definitivo. Galadriel (Morfydd Clark, de “Saint Maud”) e Elrond (Robert Aramayo, de “Game of Thrones”) organizam a resistência dos elfos, enquanto os anões enfrentam conflitos internos em Khazad-dûm. Em Númenor, as disputas políticas ameaçam dividir o reino, e Gandalf (Daniel Weyman) tenta impedir que o poder das trevas se expanda pelo leste. A temporada também introduz Celeborn, marido de Galadriel interpretado por Jamie Campbell Bower (“Stranger Things”), e os primeiros servidores de Sauron que se tornarão os Nazgûl.
A série deixa para trás parte das identidades ocultas e dos mistérios que dominaram os dois primeiros anos para concentrar a narrativa no conflito militar e na progressiva corrupção dos reinos. A criação do Um Anel estabelece um objetivo dramático reconhecível para quem conhece apenas os filmes de Peter Jackson. Os criadores J.D. Payne e Patrick McKay continuam trabalhando com acontecimentos anteriores à trilogia cinematográfica, mas a necessidade de distribuir a ação entre elfos, anões, homens e outros povos permanece como seu principal desafio narrativo. A temporada terá oito episódios, com os quatro primeiros disponibilizados na estreia.
📺 O CORPO | Netflix
O terror religioso encontra os filmes adolescentes dos anos 1990 e 2000 nesta série de oito episódios criada por Quinn Shephard, roteirista e diretora de “Debaixo da Ponte: A Verdadeira História do Assassinato de Reena Virk”. A trama acompanha as Lions, integrantes de uma equipe de dança de um colégio católico que conciliam a disciplina exigida pela instituição com experiências sexuais, consumo de drogas e transgressões escondidas dos adultos. A contradição chega ao extremo quando uma brincadeira de iniciação realizada na noite de Halloween assume características de ritual satânico.
As capitãs Anya (Kristina Bogic) e Elise (Sara Boustany) conduzem a recepção de Grace (Sofia Wylie, de “A Escola do Bem e do Mal”), novata escolhida para participar da equipe. Durante uma cerimônia regada a drogas, as estudantes invocam o príncipe das trevas e oferecem simbolicamente a garota em sacrifício para conseguir uma vaga nas competições regionais. O ritual termina em circunstâncias perturbadoras, e as adolescentes começam a experimentar visões proféticas. O desaparecimento de Grace, as suspeitas de possessão e os acontecimentos inexplicáveis desencadeiam uma onda de histeria que alcança toda a cidade.
Shephard cita “Carrie, a Estranha”, “Garota Infernal”, “Jovens Bruxas” e “Meninas Malvadas” entre suas referências, combinação que aproxima o horror sobrenatural da sátira sobre as hierarquias sociais da adolescência. A criadora também utiliza experiências pessoais relacionadas à repressão sexual e à formação de sua identidade para abordar a culpa religiosa e o medo do julgamento coletivo. A referência às perseguições de Salem e à peça “As Bruxas de Salém”, de Arthur Miller, situa a história numa tradição em que o pânico moral pode ser tão destrutivo quanto qualquer ameaça sobrenatural.
QUINTA-FEIRA
🎞️ NE ZHA 2: O RENASCER DA ALMA | Netflix
A maior bilheteria da história da animação chega à Netflix depois de ultrapassar US$ 2,2 bilhões nos cinemas, graças a um sucesso concentrado principalmente na China. Dirigida por Yu Yang, conhecido como Jiaozi, a produção continua a história de “Ne Zha”, filme de 2019 inspirado na mitologia chinesa, que praticamente passou em branco no Ocidente. O protagonista é um menino dotado de poderes sobrenaturais que nasceu sob uma maldição e precisa lutar contra o destino reservado a ele pelas divindades. Seu principal companheiro é Ao Bing, príncipe dos dragões, cuja origem deveria colocá-lo na posição de inimigo.
A nova aventura começa depois da batalha que destruiu os corpos dos dois personagens, embora suas almas tenham sobrevivido. O mestre Taiyi tenta reconstruir suas formas físicas com a ajuda do lótus sagrado de sete cores, mas o processo enfrenta obstáculos que obrigam Ne Zha e Ao Bing a assumir riscos cada vez maiores. A ameaça dos dragões marinhos coloca em perigo a passagem de Chen Tang e a população que vive sob sua proteção, enquanto os protagonistas enfrentam conflitos entre suas famílias e as forças divinas que determinam o equilíbrio daquele universo.
Com mais de duas horas e vinte minutos de duração, a animação utiliza a escala de um épico de fantasia para combinar confrontos sobrenaturais, humor físico e conflitos familiares. O tratamento visual privilegia movimentos intensos e batalhas que mobilizam criaturas mitológicas, sem abandonar a relação entre os dois jovens como centro emocional da narrativa. O contraste entre Ne Zha, impulsivo e rejeitado por sua aparência, e Ao Bing, educado para obedecer às expectativas de seu povo, sustenta uma história sobre preconceito, lealdade e resistência a destinos impostos.
📺 A IMPERATRIZ 3 | Netflix
A produção alemã vencedora do Emmy Internacional de Melhor Série Dramática chega à 3ª e última temporada com a crise do casamento entre Elisabeth da Áustria (Devrim Lingnau Islamoğlu) e o imperador Francisco José (Philip Froissant). Inspirada na trajetória da monarca conhecida como Sisi, a produção acompanha a jovem aristocrata que se casou por amor, mas descobriu que sua posição na corte de Viena exigia obediência a regras políticas e sociais incompatíveis com seus ideais. Os episódios finais avançam para as consequências da Guerra da Sardenha, que agravou as tensões dentro do Império Austríaco.
Francisco retorna do conflito traumatizado pela morte de milhares de soldados e se distancia da esposa, até encontrar refúgio numa relação extraconjugal. Rejeitada pelo marido e pressionada pela corte, Elisabeth enfrenta problemas de saúde e deixa Viena para se recuperar numa ilha distante. Durante a viagem, conhece o conde Andrássy (Dejan Bućin), ligado ao movimento nacionalista húngaro, com quem estabelece uma conexão intelectual e afetiva. Em paralelo, Maximiliano (Johannes Nussbaum), irmão do imperador, parte para o México com a esposa Marie (Josephine Thiesen) para assumir a coroa imperial.
A criadora Katharina Eyssen utiliza o drama conjugal para abordar as contradições entre o poder simbólico da imperatriz e sua limitada autonomia nas decisões do Estado. O conflito com Francisco ganha importância política quando Elisabeth passa a se identificar com reivindicações de povos submetidos à autoridade dos Habsburgos. A narrativa também incorpora a expansão dos interesses europeus nas Américas, por meio da aventura mexicana de Maximiliano. Embora a série recorra a liberdades dramáticas na representação de personagens históricos, a combinação de intrigas palacianas, romances e disputas territoriais oferece uma perspectiva sobre o declínio de antigas monarquias europeias.
📺 ARCANJO RENEGADO 5 | Globoplay
A série policial criada por José Junior amplia suas fronteiras para o Pará e aproxima ainda mais a criminalidade organizada das disputas pelo poder político no Rio de Janeiro. A produção retoma a trajetória do sargento Mikhael (Marcello Melo Jr.), policial que rompeu com antigos companheiros depois de descobrir a corrupção dentro das forças de segurança. A 5ª temporada começa com as consequências de um atentado contra o protagonista e a delegada Akemi (Carol Nakamura), responsáveis por uma investigação que alcança uma rede internacional de tráfico de drogas.
As pistas levam os dois ao esquema comandado por Wendell (Fernando Pavão), enquanto Mikhael também precisa enfrentar a ascensão de Poke (Thiago Hypolito), traficante que pretende consolidar seu domínio sobre comunidades cariocas. Sarah (Erika Januza) tenta implantar um projeto de acolhimento e transformação social no Morro do Catuque, mas encontra resistência dos grupos criminosos. Paralelamente, Manuela (Rita Guedes), Antônio (Tatsu Carvalho) e Maíra (Cris Vianna) disputam o governo fluminense em meio a alianças políticas e interesses que interferem diretamente nas operações de segurança.
Com direção geral de Lucas Villamarim, a produção incorpora personagens apresentados em “Verônika com K”, ampliando o universo compartilhado das séries policiais do AfroReggae. A conexão estabelece relações entre diferentes organizações criminosas e permite acompanhar suas disputas para além da perspectiva de Mikhael. A mistura de operações armadas, intrigas eleitorais e conflitos pessoais mantém a fórmula de ação dos anos anteriores, agora com maior atenção ao tráfico internacional e à influência política exercida pelas facções. A Globoplay disponibiliza os cinco primeiros episódios nesta semana e reserva os cinco restantes para a seguinte.
SEXTA-FEIRA
📺 12 12 12 | Apple TV
Anthony Mackie (“Capitão América: Admirável Mundo Novo”) e Jamie Dornan (“Belfast”) protagonizam uma série policial construída em torno de três períodos de um mesmo assalto: os 12 meses necessários para planejá-lo, as 12 horas de sua execução e os 12 dias seguintes, quando os criminosos tentam escapar da polícia. A produção de oito episódios foi criada por Dudi Appleton e Jim Keeble (“Silent Witness”) e acompanha uma operação contra um cofre bancário subterrâneo em Zurique, na Suíça, narrada simultaneamente pelas diferentes linhas temporais.
Mackie interpreta Jack Strickland, agente desacreditado do FBI que investiga a quadrilha especializada em roubos de grande porte. Seu principal adversário é Paul Galvin (Dornan), criminoso americano que organiza o assalto e tenta desaparecer com o dinheiro antes que as autoridades consigam reconstruir sua operação. A perseguição leva os dois por diferentes países europeus, enquanto os preparativos, a execução e as consequências do crime revelam novas informações sobre os envolvidos. Agathe Rousselle (“Titane”) e Jack Kesy (“Hellboy e o Homem Torto”) também estão no elenco.
A estrutura em três tempos é o principal diferencial da série em relação aos suspenses tradicionais de assalto. Em vez de apresentar o planejamento, a execução e a perseguição em ordem cronológica, o roteiro apresenta tudo ao de forma simultânea e distribui revelações entre as etapas para modificar a percepção do espectador sobre as decisões dos personagens. Kari Skogland (“Falcão e o Soldado Invernal”), Ellen Kuras (“Lee”) e Takeshi Fukunaga (“Xógum: A Gloriosa Saga do Japão”) estão entre os diretores.
🎞️ NO CORAÇÃO DE NASHVILLE | Netflix
Jessica Chastain (“Os Olhos de Tammy Faye”) interpreta uma antiga estrela da música country que volta aos palcos e aos bastidores de Nashville para investigar o desaparecimento da sobrinha. A produção tem roteiro e direção de Shana Feste, que já havia retratado a indústria musical no drama “Onde o Amor Está”, estrelado por Gwyneth Paltrow. Desta vez, a cineasta utiliza o universo do country como cenário para um suspense policial sobre fama, interesses financeiros e os segredos escondidos por artistas que dependem da própria imagem pública.
Chastain vive Misty Jones, cantora que abandonou a carreira e passou duas décadas longe dos holofotes. Seu retorno é provocado pelo desaparecimento de Charlie Heart (Carter Faith), sobrinha de 22 anos que tentava seguir os passos da tia e conquistar espaço na indústria musical. A investigação coloca Misty diante de Jace (Ross Lynch, de “O Mundo Sombrio de Sabrina”), namorado da desaparecida, e Roy Combs (Garrett Hedlund, de “Mudbound”), empresário responsável por administrar a carreira de Charlie. Quanto mais se aproxima das pessoas que conviviam com a sobrinha, mais a protagonista descobre relações perigosas e informações que também comprometem seu próprio passado.
A música não funciona apenas como acompanhamento do mistério. Chastain interpreta suas próprias canções, incluindo um dueto com Jennifer Nettles, que vive outra cantora country. A trilha reúne gravações originais do elenco e artistas associados ao gênero, numa abordagem que relaciona as histórias cantadas pelos personagens aos conflitos que enfrentam fora dos palcos. Feste recupera o ambiente musical de seu trabalho anterior, mas substitui o melodrama de bastidores por elementos de cinema noir, com uma protagonista que utiliza sua antiga influência para investigar pessoas interessadas em preservar os segredos da cidade.
🎞️ REFÉM POR UM FIO | Prime Video
Gus Van Sant (“Gênio Indomável”, “Elefante”) reconstrói um sequestro que paralisou a cidade de Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1977, e transformou um empresário endividado numa figura controversa diante das câmeras de televisão. Bill Skarsgård (“Nosferatu”) interpreta Tony Kiritsis, homem que acreditava ter sido enganado por uma companhia hipotecária e decidiu cobrar reparações com uma ação violenta. O longa estreou no Festival de Veneza de 2025 e chega ao catálogo da Prime Video depois de passar pelos cinemas e pelo mercado de aluguel digital.
Kiritsis invade o escritório da Meridian Mortgage Company à procura de M.L. Hall (Al Pacino, de “O Poderoso Chefão”), mas encontra seu filho Richard (Dacre Montgomery, de “Stranger Things”). O empresário faz o jovem refém com uma espingarda serrada conectada por um mecanismo que dispara a arma caso ele seja morto. A negociação se prolonga por 63 horas, com exigências de dinheiro, perdão das dívidas e um pedido público de desculpas. Colman Domingo (“Rustin”) interpreta Fred Temple, radialista que participa das conversas com o sequestrador e ajuda a transformar o episódio num acontecimento acompanhado nacionalmente.
O roteiro de Austin Kolodney utiliza o caso real para discutir a maneira como o espetáculo televisivo modifica a percepção pública de um crime. A revolta de Kiritsis contra uma instituição financeira desperta simpatia em parte da população, embora suas reivindicações dependam da ameaça permanente à vida de outra pessoa. Van Sant concentra o conflito nessa contradição, sem reduzir o protagonista à figura de justiceiro nem ignorar a desigualdade de poder entre indivíduos endividados e grandes empresas. O ambiente dos anos 1970, a cobertura da imprensa e a negociação transmitida ao vivo situam a história num momento em que a televisão começava a transformar crises reais em espetáculos nacionais.