
Divulgação/Toho
Godzilla Minus Zero destrói recorde histórico de bilheteria nos Estados Unidos
Filme japonês lidera com US$ 32 milhões e conquista maior estreia de um filme live-action estrangeiro de língua não inglesa nos cinemas americanos
Godzilla conquista recorde de 22 anos nos EUA
“Godzilla Minus Zero” assumiu a liderança das bilheterias dos Estados Unidos e Canadá com US$ 31,61 milhões em seu fim de semana de estreia, estabelecendo um novo recorde para produções live-action estrangeiras de língua não inglesa no mercado norte-americano. O filme japonês dirigido por Takashi Yamazaki superou com folga a marca de US$ 17,8 milhões estabelecida por “Herói”, de Zhang Yimou, em seu lançamento americano de 2004. O monstro também derrotou a nova animação “O Gatola da Cartola”, que estreou em 2º lugar.
Monstro superou recorde que durava 22 anos
Lançado originalmente na China em 2002, “Herói” chegou aos Estados Unidos em agosto de 2004, com Jet Li no papel principal. A produção de Zhang Yimou abriu com US$ 17,8 milhões, resultado que permaneceu como referência para filmes live-action estrangeiros de língua não inglesa por 22 anos. A estreia de “Godzilla Minus Zero” supera o antigo recorde em aproximadamente 78%.
O novo filme também registrou uma abertura quase três vezes maior que a de seu antecessor. “Godzilla Minus One” estreou com US$ 11,4 milhões em dezembro de 2023 e encerrou a carreira americana com US$ 57,1 milhões. Agora, a continuação já arrecadou mais da metade desse total em apenas três dias. Em todo o mundo, o longa atingiu US$ 63 milhões de faturamento.
Parte da diferença em relação ao primeiro filme decorre da distribuição mais ampla e da presença em salas premium. As sessões em IMAX e outros formatos especiais, que cobram ingressos mais caros, concentraram grande parte da arrecadação. A boa recepção do público também favorece a continuidade da carreira comercial: o filme recebeu nota A no CinemaScore, a mesma avaliação conquistada pelo antecessor.
Apesar disso, a continuação de “Godzilla Minus One” foi lançado “apenas” em 3.254 cinemas, quase 750 a menos que os 4.003 estabelecimentos que receberam “O Gatola da Cartola”. Apesar disso, o desempenho estabeleceu um recorde para a GKIDS, distribuidora americana especializada em animações e produções internacionais. Sua maior abertura anterior pertencia a “O Menino e a Garça” (2023), de Hayao Miyazaki, que arrecadou US$ 13 milhões no primeiro fim de semana. Com Godzilla, a companhia mais que dobrou essa marca e conquistou sua primeira liderança de bilheteria nessa escala.
O recorde não inclui animações japonesas, que possuem uma categoria própria de desempenho comercial. “Demon Slayer: Castelo Infinito” (2025), por exemplo, estreou com US$ 70,6 milhões nos Estados Unidos, demonstrando a dimensão do mercado americano para produções asiáticas.
Continuação retoma história do vencedor do Oscar
Takashi Yamazaki voltou à direção, ao roteiro e à supervisão dos efeitos visuais depois de conquistar o Oscar de Melhores Efeitos Visuais com “Godzilla Minus One” em 2024. A premiação foi inédita para a franquia japonesa, criada pela Toho em 1954, e deu projeção internacional ao cineasta.
A nova produção retoma a história em 1949, dois anos depois dos acontecimentos anteriores. Ryunosuke Kamiki e Minami Hamabe voltam aos papéis de Kōichi Shikishima e Noriko Ōishi, sobreviventes da destruição provocada pelo monstro no Japão do pós-guerra. Desta vez, a ameaça ganha proporções maiores, com o surgimento de King Ghidorah, um dos adversários mais conhecidos de Godzilla.
O longa também representa uma mudança técnica para a série japonesa, com filmagens voltadas à exibição em IMAX. A estratégia de lançamento aproveitou o reconhecimento do filme anterior e a expectativa dos fãs para concentrar a estreia em salas de grande formato.
Godzilla engole o Gatola da Cartola
Em 2º lugar, “O Gatola da Cartola” terminou o fim de semana com US$ 20,5 milhões. A animação da Warner Bros. marca o retorno ao cinema do personagem infantil criado por Dr. Seuss, após a versão com atores reais estrelada por Mike Myers em 2003. Dirigido por Alessandro Carloni (“Kung Fu Panda 3”) e Erica Rivinoja, o filme acompanha o felino dublado por Bill Hader (“Barry”), que trabalha para uma organização dedicada a estimular a imaginação das crianças. Sua nova missão é ajudar os irmãos Gabby e Sebastian a se adaptarem à cidade para onde acabaram de se mudar. As travessuras do personagem acabam provocando uma aventura por mundos fantásticos, enquanto ele corre o risco de perder sua cartola mágica.
A recepção crítica foi desfavorável em importantes veículos. O jornal britânico The Guardian considerou a animação superior ao filme de 2003, mas criticou sua duração excessiva e o tratamento corporativo do personagem, apesar da atuação de Bill Hader. O Los Angeles Times também apontou problemas no roteiro, especialmente o excesso de lições sentimentais e a dificuldade de reproduzir o humor anárquico de Dr. Seuss. A avaliação destacou algumas soluções visuais e o elenco de vozes, mas considerou que a produção não aproveitou plenamente seu potencial cômico. No Brasil, o filme estreou na quinta-feira (5/11), com Marco Luque na dublagem do protagonista.
A soma da bilheteria mundial ficou em US$ 30,5 milhões, muito abaixo do esperado pelo estúdio, que recentemente foi comprada pela Paramount. Segundo a Variety, o desenho custou US$ 92 milhões de produção, sem contar despesas de marketing e divulgação.
Como ficou o Top 5?
O drama religioso-patriótico “Drummer Boy”, da Angel Studios, surpreendeu ao conquistar o 3º lugar com US$ 9,31 milhões em 2.850 cinemas. O desempenho da trama passada durante a luta pela independência dos Estados Unidos superou as expectativas iniciais do mercado e deixou para trás produções que já estavam em exibição.
O documentário “Tudo Pode Ser Visto”, sobre Elizabeth Holmes e o escândalo da empresa de exames médicos Theranos, caiu da liderança para o 4º lugar, com US$ 8,86 milhões. A produção da A24 registrou queda de 23% em relação ao fim de semana anterior e segue surpreendendo com seu acumulado norte-americano de US$ 79,8 milhões após 24 dias em cartaz.
“Cara-de-Barro”, terror da DC Studios, completou o Top 5 com US$ 6,68 milhões. Em seu 3º fim de semana, o longa perdeu 39% da arrecadação em comparação com a semana anterior e chegou a US$ 56,6 milhões acumulados nos Estados Unidos e Canadá. A bilheteria mundial superou uma marca importante ao atingir US$ 103 milhões, o suficiente para cobrir seu orçamento “barato” estimado entre US$ 30 milhões e US$ 44 milhões.
Outros filmes em cartaz
“Street Fighter” terminou em 6º lugar com US$ 2,15 milhões, queda de 41%, e acumulou US$ 57,4 milhões. Ao sair do Top 5, a produção da Legendary/Paramount se consagra com um dos maiores fracassos da temporada. A adaptação do game clássico de arcade custou US$ 82 milhões de produção e teve uma campanha de marketing estimada em US$ 50 milhões, mas só rendeu até agora US$ 99,1 milhões em todo o mundo.
Na sequência apareceram o terror “Outra Mamãe”, com US$ 1,55 milhão e total de US$ 58,3 milhões, e o drama de sobrevivência “Coração selvagem”, com Brad Pitt, que arrecadou US$ 1,22 milhão e chegou a US$ 67,2 milhões no mercado doméstico.
As dez maiores bilheterias do fim de semana somaram aproximadamente US$ 82 milhões, com “Godzilla Minus Zero” e “O Gatola da Cartola” responsáveis por mais de 60% dessa arrecadação.