
Divulgação/Festival de Veneza
TikTok bane conta de documentário crítico a Elon Musk
Plataforma suspende divulgação de "Musk" por supostas violações políticas durante expansão do filme para quase 500 salas de cinema nos EUA
TikTok retira perfil de documentário do ar
O TikTok suspendeu permanentemente a conta oficial de “Musk”, documentário de Alex Gibney que investiga o poder de Elon Musk, justamente quando o filme amplia seu lançamento para 472 salas de cinema na América do Norte. A plataforma alegou violações de suas políticas sobre conteúdo político, mas não especificou quais publicações motivaram a punição. A decisão foi revelada neste sábado (17/10) pela revista americana The Hollywood Reporter.
Qual foi a justificativa para a suspensão?
A distribuidora Bleecker Street recebeu o aviso na tarde de sexta-feira (16/10), pouco antes de o perfil desaparecer do TikTok. A mensagem mencionava a “gravidade das violações das políticas sobre conteúdo político” e advertia que determinadas infrações provocam suspensão imediata. Entretanto, a empresa não esclareceu quais regras teriam sido descumpridas. A distribuidora confirmou que está recorrendo da decisão.
A conta já havia reunido mais de 10 mil seguidores e seria utilizada para impulsionar publicações pagas durante o primeiro fim de semana de distribuição nacional. Pouco antes da suspensão, a equipe divulgou dois vídeos. Um deles brincava com a duração de quase quatro horas do documentário e sugeria que os espectadores aproveitassem o intervalo para apagar suas contas no X ou mudar de assento caso estivessem muito à direita. O outro recomendava assistir ao filme “antes que seja tirado do ar”.
Outras redes também bloquearam a divulgação
O episódio representa uma escalada nas dificuldades enfrentadas pela Bleecker Street para anunciar o documentário. Em setembro, YouTube, Facebook, Instagram, X e TikTok rejeitaram anúncios pagos de “Musk”, alegando problemas relacionados ao conteúdo político. As restrições foram reveladas pelo The Hollywood Reporter antes mesmo da estreia nos cinemas.
Após a repercussão, o Google liberou os anúncios no YouTube e a Meta também autorizou a divulgação no Facebook e Instagram. As empresas reconheceram problemas na classificação do material, mas o TikTok manteve as restrições. O X, pertencente ao próprio Elon Musk, também continuou recusando publicidade do documentário.
A situação se agravou com a suspensão da conta inteira no TikTok, que impediu não apenas a veiculação de anúncios, mas também o contato com os seguidores conquistados pela campanha. A Bleecker Street considera o momento particularmente prejudicial: ainda que consiga reverter a punição, poderá perder a oportunidade de promover o filme durante o fim de semana de estreia ampliada.
Bilionário ligado a Musk é acionista indireto do TikTok
A decisão envolve uma coincidência empresarial relevante. Larry Ellison, fundador da Oracle e aliado de Musk, é um dos principais acionistas da empresa que detém 15% da operação americana do TikTok. O documentário inclui uma mensagem em que Ellison oferece bilhões de dólares para ajudar o empresário a financiar a compra do Twitter, realizada em 2022.
A participação da Oracle no TikTok não demonstra que Ellison tenha interferido na suspensão. Entretanto, a ligação financeira acrescenta uma questão à controvérsia sobre o poder das plataformas digitais para restringir a circulação de conteúdos críticos a seus proprietários e parceiros comerciais.
O que revela o documentário sobre Musk?
Produzido ao longo de quase quatro anos, “Musk” acompanha a trajetória do empresário desde seus primeiros negócios no Vale do Silício até a consolidação de seu poder com a Tesla, a SpaceX, a compra do Twitter e a participação no governo de Donald Trump. O filme também examina sua vida pessoal, as relações com antigos colaboradores e a utilização das redes sociais como instrumento de influência política.
Gibney, vencedor do Oscar por “Um Taxi para a Escuridão” (2007), entrevistou familiares, ex-companheiras, jornalistas e antigos funcionários do empresário. Musk recusou os convites para participar e passou a atacar publicamente o diretor, chamando-o de idiota, propagandista da extrema esquerda e pessoa sem credibilidade. Seus advogados também ameaçaram processar os responsáveis pelo documentário.
O longa estreou em quatro cinemas de Nova York e Los Angeles em 9 de outubro, arrecadando aproximadamente US$ 69 mil no primeiro fim de semana, antes da expansão nacional. A produção foi financiada pela HBO, que planeja disponibilizá-la em 2027. Sua distribuição internacional está nas mãos da Universal, que também enfrenta questionamentos sobre a disposição de lançar o filme diante das ameaças de Musk.