
Divulgação/Paramount
Street Fighter vence a luta da bilheteria americana com US$ 31 milhões
Adaptação dos games estreia em 1º lugar apesar das críticas negativas, enquanto documentário sobre Elizabeth Holmes bate recorde de abertura
Street Fighter derrota concorrência
“Street Fighter” estreou no topo das bilheterias da América do Norte, com arrecadação estimada em US$ 31 milhões entre sexta-feira (16/10) e este domingo (18/10). Lançada em 3.575 cinemas norte-americanos, a nova adaptação dos games da Capcom superou quatro concorrentes no Top 5, mas ficou abaixo das expectativas da Paramount. A grande surpresa foi o documentário “You Can See Everything”, sobre a golpista Elizabeth Holmes, que conquistou o 2º lugar com US$ 15 milhões e registrou a maior abertura de um documentário não musical em 22 anos.
Como foi a recepção de Street Fighter?
A adaptação do clássico dos arcades arrecadou outros US$ 20,1 milhões no mercado internacional, totalizando US$ 51,1 milhões mundiais. O orçamento de produção, entretanto, é de US$ 82 milhões, deixando o resultado abaixo do desejado e das projeções iniciais da Paramount. Dirigido por Kitao Sakurai, o filme acompanha Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo), antigos amigos que voltam a se enfrentar após serem convocados por Chun-Li (Callina Liang) para um torneio de artes marciais. O elenco também inclui Jason Momoa, David Dastmalchian e Orville Peck.
A recepção foi dividida, com predominância de avaliações negativas da imprensa especializada. O longa alcançou 42% de aprovação no Rotten Tomatoes, contra 82% entre os espectadores cadastrados no site. Já o CinemaScore, que entrevista o público na saída das sessões, registrou nota B-, a mesma recebida pela adaptação de 1994 estrelada por Jean-Claude Van Damme. O desempenho representa uma estreia razoável para a franquia, mas a combinação de críticas desfavoráveis e entusiasmo moderado do público coloca em dúvida sua sustentação nas próximas semanas.
Documentário sobre Elizabeth Holmes bate recorde
O maior acontecimento do fim de semana, entretanto, ocorreu no 2º lugar. “You Can See Everything”, dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, arrecadou impressionantes US$ 15 milhões em apenas 855 cinemas. É a maior abertura norte-americana de um documentário não musical desde “Fahrenheit 11 de Setembro”, de Michael Moore, que estreou com quase US$ 24 milhões em 2004. A produção também registrou a maior estreia de qualquer filme lançado em menos de mil salas desde “Borat”, em 2006, sem correção pela inflação.
Produzido pela A24 por aproximadamente US$ 7 milhões, o longa acompanha Elizabeth Holmes durante os 34 dias anteriores à sua prisão, em 2023. A fundadora da Theranos foi condenada por fraudar investidores com promessas de uma tecnologia revolucionária de exames de sangue que não funcionava como anunciado. O documentário, filmado secretamente durante três anos, combina o acesso à intimidade da empresária com a abordagem provocadora de Fielder, conhecido pela elogiadíssima série “O Ensaio”.
A resposta do público foi excepcional. A A24 contabilizou mais de duas mil sessões esgotadas, enquanto o filme alcançou 99% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota 99 no Metacritic. Cerca de 70% dos espectadores tinham menos de 35 anos. O resultado superou amplamente as projeções de estreia, inicialmente entre US$ 7 milhões e US$ 8 milhões, e ultrapassou em apenas três dias os US$ 7,1 milhões arrecadados na abertura de “Melania”, documentário sobre a primeira-dama americana que havia estabelecido o melhor lançamento do gênero em mais de uma década no início do ano. Não há previsão de lançamento no Brasil.
Terror ruim sofre queda de 70%
O 3º lugar ficou com “Outra Mamãe”, terror que arrecadou US$ 8,3 milhões em seu segundo fim de semana, perdendo aproximadamente 70% da arrecadação em comparação com a estreia, quando liderou o ranking com cerca de US$ 27 milhões. Destruída pela crítica, a produção da Universal, Blumhouse e Atomic Monster teve apenas 17% de aprovação no Rotten Tomatoes, uma das piores avaliações da filmografia da atriz vencedora do Oscar Jessica Chastain. Mas, apesar da queda acentuada, o filme já acumula US$ 44,8 milhões na América do Norte, superando com folga seu orçamento estimado em US$ 18 milhões.
Dirigido por Rob Savage (“Boogeyman: Seu Medo É Real”), o longa acompanha uma menina de oito anos que passa a receber visitas de uma entidade sobrenatural com a aparência de sua mãe. Chastain interpreta tanto a mulher quanto sua cópia assustadora, numa adaptação do romance “Incidents Around the House”, de Josh Malerman, autor de “Caixa de Pássaros”. A produção estreou nos cinemas brasileiros em 8 de outubro.
Dentro da Baleia fracassa na estreia
O suspense de sobrevivência “Dentro da Baleia” ficou na 4ª posição, com US$ 8 milhões arrecadados em 3.065 cinemas. O desempenho foi decepcionante para uma produção de US$ 60 milhões da 20th Century Studios, distribuída pela Disney. Com outros US$ 9,5 milhões no exterior, o filme somou US$ 17,5 milhões mundiais, um resultado insuficiente para compensar seu elevado custo de produção.
Dirigido por Brian Duffield (“Ninguém Vai te Salvar”), o longa apresenta Austin Abrams como um mergulhador que procura os restos mortais do pai no oceano e acaba engolido por um cachalote. Preso no interior do animal, ele dispõe de apenas uma hora de oxigênio para encontrar uma saída. Josh Brolin interpreta o pai, cuja relação com o protagonista é reconstruída ao longo da história. Curiosamente, o filme teve recepção da crítica superior à de “Street Fighter”, com 71% de aprovação no Rotten Tomatoes e nota B no CinemaScore, mas não conseguiu converter as avaliações em bilheteria. O filme também chegou no circuito nacional na quinta-feira (15/10).
Razão e Sensibilidade completa o Top 5
O 5º lugar foi ocupado por “Razão e Sensibilidade”, nova adaptação do romance clássico de Jane Austen, que estreou com US$ 7,2 milhões em 2.545 cinemas. A produção da Focus Features, dirigida por Georgia Oakley (“Blue Jean”), teve orçamento estimado em US$ 25 milhões e recebeu nota A- no CinemaScore, a melhor avaliação do público entre os principais lançamentos do fim de semana.
Daisy Edgar-Jones (“Twisters”) e Esmé Creed-Miles (“Hanna”) interpretam Elinor e Marianne Dashwood, irmãs que enfrentam dificuldades financeiras e amorosas na Inglaterra do século 19. A nova versão revisita uma história que ganhou sua adaptação cinematográfica mais conhecida em 1995, sob direção de Ang Lee, com Emma Thompson e Kate Winslet. A estreia no Brasil está marcada para 29 de outubro.