
Agência Senado/Geraldo Magela
Oito convidados recusam participar no Superpop com Rico Melquiades
RedeTV! avalia cancelar gravação com o vencedor de "A Fazenda 13" após rejeição de participantes gays, incomodados com sua imagem e apoio a Flávio Bolsonaro
Convidados rejeitam participação no programa
A RedeTV! pode cancelar uma gravação do “Superpop” com Rico Melquiades após oito convidados recusarem participar de uma sabatina com o vencedor de “A Fazenda 13”. A produção procurou diferentes pessoas para dividir o palco com o influenciador, mas enfrentou uma sequência de negativas. Segundo a coluna Outro Canal da Folha de S. Paulo, os convidados não queriam associar suas imagens à de Rico e também rejeitavam seu posicionamento político em apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
Por que ninguém quer entrevistar Rico?
Todos os convidados procurados inicialmente eram pessoas declaradamente gays. A resistência ganhou uma dimensão política após o influenciador se aproximar da campanha de Flávio Bolsonaro para o 2º turno presidencial. Rico já havia declarado voto no candidato do PL em 10 de outubro, quando publicou um vídeo com a mensagem: “Eu trago fatos e não narrativas, dia 25 é 22”.
Na segunda-feira (19), ele divulgou uma conversa com Flávio sobre os direitos da população LGBTQIA+. “Quando você assumir a presidência, você vai caçar os gays? Vai perseguir?”, perguntou. O candidato negou qualquer intenção de perseguição e garantiu que manteria direitos como a união estável entre pessoas do mesmo sexo. “Isso aí ninguém mexe. Ninguém mexe”, respondeu.
Rico responde processo por assédio eleitoral
A rejeição também acontece após uma sequência de controvérsias envolvendo o influenciador. Em setembro, o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Alagoas apresentou uma ação civil pública contra Rico por suspeita de assédio eleitoral. O processo foi motivado por um vídeo em que ele questionava quatro mulheres apresentadas como funcionárias domésticas sobre suas preferências políticas. Ao descobrir que uma delas apoiava o PT, declarou: “Não quero petista aqui”. Em seguida, anunciou: “Tá demitida! Traga sua carteira”.
O MPT pediu indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos e acusou Rico de utilizar sua posição de empregador para constranger trabalhadoras. A Justiça do Trabalho determinou que ele não pressionasse funcionários por suas escolhas eleitorais nem os utilizasse em vídeos políticos. O juiz também estabeleceu multa de R$ 300 mil por infração em caso de descumprimento da decisão. O Ministério Público Eleitoral encaminhou o episódio à Polícia Federal para apuração de possível coação eleitoral.
O influenciador publicou um pedido de desculpas após a abertura do processo. “Hoje, eu quero vir a público pedir desculpas a todos os brasileiros e aos trabalhadores. Nenhum funcionário deverá sofrer qualquer tipo de coação ou imposição por parte de seu empregador”, declarou. Rico também afirmou que as mulheres mostradas no vídeo eram integrantes de sua família e haviam concordado com a gravação.
O Superpop será cancelado?
A gravação comandada por Cariúcha estava prevista para esta quarta-feira (21). Após as oito recusas, a produção continuava à procura de participantes dispostos a entrevistar Rico. Segundo a Folha, a emissora avalia cancelar o compromisso caso não consiga confirmar ao menos um convidado para a sabatina.
Aberto para posicionamentos
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.