
Vincent Cassel vira o Corcunda de Notre Dame em trailer da Netflix
Filme imagina a vida do homem que teria inspirado Victor Hugo a criar o personagem de "O Corcunda de Notre-Dame", em meio a uma epidemia e uma revolução
O homem por trás da lenda
Vincent Cassel aparece transformado num homem perseguido por sua aparência no primeiro trailer de “Quasímodo: A Alma de Paris”, divulgado nesta sexta-feira (30/10) pela Netflix. O filme francês apresenta uma versão diferente do personagem de “O Corcunda de Notre-Dame”, de Victor Hugo. Em vez de recontar a história do sineiro apaixonado por Esmeralda, a produção imagina a vida do homem real que poderia ter inspirado o escritor. Ambientado em Paris, em 1830, o longa mistura uma epidemia de cólera, revoltas populares, experiências médicas e um amor impossível.
O que mostra o trailer?
A prévia começa com um prisioneiro encapuzado numa cela, enquanto uma narração apresenta a intenção de Victor Hugo de escrever sobre um homem desprezado pela sociedade, mas capaz de se tornar um herói. As imagens revelam aos poucos o Quasímodo de Cassel, com o corpo deformado, o rosto parcialmente escondido e uma aparência que provoca medo nos outros personagens. O filme substitui a figura conhecida das adaptações anteriores por um trabalhador que tenta sobreviver numa cidade dominada pela violência e pela doença.
Quasímodo é um escultor de pedras que trabalha na Catedral de Notre-Dame e parece resistir à cólera que ameaça a população. Sua condição desperta o interesse de um médico, interpretado por Benjamin Voisin (“Ilusões Perdidas”), disposto a utilizá-lo em experiências para encontrar a cura. Perseguido também pela polícia, o protagonista tenta proteger Agnès, uma dançarina por quem se apaixona. A relação se desenvolve enquanto as ruas de Paris são tomadas pela agitação política que antecede a Revolução de Julho de 1830.
Quasímodo existiu de verdade?
A premissa nasceu de uma descoberta anunciada em 2010 pelo arquivista britânico Adrian Glew, que trabalhava na coleção da Tate Britain, em Londres. Ao examinar as memórias do escultor inglês Henry Sibson, encontrou referências a um artesão corcunda que participou de obras de restauração da Catedral de Notre-Dame durante a década de 1820. O homem, cujo nome verdadeiro não foi identificado, era chamado de “Monsieur Le Bossu”, ou “Senhor Corcunda”.
Sibson mencionava que o artesão supervisionava o trabalho de um escultor chamado Trajan. Glew encontrou outras pistas que situavam esses trabalhadores no mesmo ambiente frequentado por Victor Hugo durante a preparação de seu romance. Uma coincidência chamou especialmente sua atenção: numa versão preliminar de “Os Miseráveis”, o escritor havia dado ao protagonista o nome de Jean Trajean, posteriormente alterado para Jean Valjean.
A hipótese de que Hugo conheceu o escultor nunca foi comprovada. O diretor Jean-François Richet explicou à revista Vanity Fair que utilizou a descoberta como ponto de partida para criar uma ficção histórica. “Partimos, portanto, de uma premissa plausível, e não de uma história real”, declarou. O filme também altera a época da narrativa: enquanto “O Corcunda de Notre-Dame”, publicado em 1831, se passa no século 15, a produção da Netflix acompanha os acontecimentos que antecedem sua publicação no século 19.
Reencontro de Vincent Cassel com o diretor
“Quasímodo: A Alma de Paris” marca a 5ª colaboração de Vincent Cassel com Jean-François Richet. Os dois trabalharam juntos nos filmes “Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte” (2008) e “Inimigo Público Nº 1 – Parte 2” (2008), sobre o criminoso francês Jacques Mesrine, além de “Doce Veneno” (2015) e “O Imperador de Paris” (2018), outra produção histórica. Richet também dirigiu o suspense de ação “Alerta Máximo” (2023), estrelado por Gerard Butler.
O cineasta contou à Vanity Fair que precisou escolher rapidamente o protagonista. “Eu precisava encontrar um ator muito depressa, praticamente durante um fim de semana. Então liguei para ele na sexta-feira à noite, explicando que precisava de uma resposta até a segunda-feira seguinte. Ele leu o roteiro e achou promissor”, relembrou.
A caracterização de Cassel utiliza maquiagem e próteses para transformar sua aparência. O elenco também inclui Karim Leklou como o chefe de segurança encarregado de capturar Quasímodo, Daphné Patakia (“Benedetta”) e Noémie Lvovsky (“Camille Outra Vez”). O roteiro foi escrito por Éric Besnard (“Infiltrado”) e Edgar Marie (“Marselha em Perigo”).
“Quasímodo: A Alma de Paris” estreia em 27 de novembro na Netflix.
