
Ilustração/Gemini
Fusão Paramount-Warner de R$ 550 bilhões é concluída e cria Skydance
Operação de US$ 111 bilhões reúne Warner Bros., Paramount, HBO, CBS, DC e CNN sob o comando de David Ellison
Paramount e Warner agora são uma só companhia
A Paramount concluiu nesta terça-feira (6/10) a aquisição da Warner Bros. Discovery e oficializou a criação da Skydance, conglomerado avaliado em US$ 111 bilhões, cerca de R$ 550 bilhões. A operação reúne dois dos maiores estúdios de Hollywood com HBO, CBS, CNN e dezenas de canais e serviços de streaming.
A antiga Warner Bros. Discovery passa tecnicamente a funcionar como subsidiária integral da Skydance Corporation. As marcas Warner Bros. e Paramount continuam existindo separadamente, assim como HBO, CBS, CNN, Nickelodeon, Cartoon Network, MTV e Comedy Central. As ações da nova companhia começaram a ser negociadas nesta terça na Bolsa de Nova York com o código SKYD.
Quem manda na nova Skydance?
David Ellison permanece como presidente do conselho e CEO, responsável pela estratégia de longo prazo, direção criativa, tecnologia, relações com talentos e alocação de capital. Ynon Kreiz, que deixou o comando da Mattel, assume como co-CEO e cuidará principalmente da operação diária e da integração das empresas.
No cinema, Dana Goldberg e Josh Greenstein passam a comandar o Skydance Motion Picture Group, substituindo Mike De Luca e Pam Abdy no topo da antiga estrutura da Warner. Paramount Pictures e Warner Bros. Pictures continuam como estúdios distintos dentro do grupo, mas sob o comando da dupla que já chefiava a Paramount.
James Gunn e Peter Safran escaparam da troca. Os dois seguem como copresidentes do DC Studios, preservando a estrutura responsável pelo novo universo da DC.
HBO Max e Paramount+ vão virar uma só plataforma?
A integração do streaming será feita gradualmente. HBO Max e Paramount+ continuarão funcionando separadamente neste primeiro momento, mas a companhia prevê reuni-los futuramente numa única plataforma. A fusão colocará os dois serviços, além da Pluto TV e Discovery+, sob a mesma estrutura corporativa.
Casey Bloys, que já comandava HBO e HBO Max, tornou-se copresidente e diretor de conteúdo da divisão de streaming da Skydance. Na prática, sua área passa a abranger todo o conteúdo dos serviços diretos ao consumidor da antiga Warner e da Paramount, já visando a futura integração.
A mudança não significa o desaparecimento da HBO. David Ellison já havia defendido a preservação da identidade da marca, enquanto a integração deve ocorrer principalmente na distribuição e na tecnologia das plataformas.
George Cheeks ganha controle de três estúdios de TV
George Cheeks também amplia consideravelmente seu poder. O executivo, que comandava a CBS e chegou a dividir a direção da Paramount Global, passa a ser copresidente e diretor de conteúdo da Skydance TV.
Sob sua supervisão ficam Warner Bros. Television Studios, CBS Studios e Paramount Television Studios. Cheeks também passa a responder pela CBS Television Network, 27 emissoras locais, o grupo esportivo e mais de 50 canais, incluindo TNT, TBS, Discovery, HGTV, Food Network, BET, Comedy Central, MTV e Nickelodeon.
CNN e CBS News ficam fora dessa estrutura. Mark Thompson continua como presidente e editor-chefe da CNN Worldwide, enquanto Bari Weiss permanece à frente da CBS News. Ambos respondem diretamente aos CEOs.
Quanto a nova empresa pretende produzir?
A Skydance projeta receita anual próxima de US$ 70 bilhões e promete investir mais de US$ 30 bilhões por ano em conteúdo. O plano prevê pelo menos 30 filmes lançados nos cinemas anualmente, com janela mínima de 45 dias antes da chegada ao streaming, além de mais de 180 séries e programas de televisão.
A integração, porém, pretende cortar pelo menos US$ 6 bilhões em despesas recorrentes nos próximos três anos, principalmente com tecnologia, imóveis, compras e marketing. Ao mesmo tempo, a companhia nasce com uma dívida líquida próxima de US$ 80 bilhões, uma das maiores pressões sobre a administração de Ellison e Kreiz.
A fusão passou por análise concorrencial em quase 70 jurisdições. Nos Estados Unidos, o acordo que permitiu sua conclusão inclui compromissos de produção cinematográfica e investimentos locais depois de uma ação movida por 12 estados contra a concentração das duas empresas.