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Octavio Guedes chama carta de Flávio Bolsonaro de “sandice” na GloboNews
Comentarista rejeitou comparação do candidato derrotado com Rui Barbosa e preferiu criticar sua viagem aos Estados Unidos em jato particular
Recusa ao vivo
O jornalista Octavio Guedes se recusou a analisar a carta divulgada por Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (28/10), após o senador fugir para os Estados Unidos e se declarar presidente eleito do Brasil, apesar da derrota nas urnas. Durante a programação da GloboNews, o comentarista chamou o documento de “sandice” e demonstrou indignação com a comparação que o filho de Jair Bolsonaro fez entre sua viagem e o exílio de Rui Barbosa, perseguido pelo governo de Floriano Peixoto no final do século 19. “Ele se comparou a Rui Barbosa. Para mim, ponto final”, disparou.
Críticas à fuga de Flávio
A reação aconteceu depois que Julia Duailibi pediu ao comentarista que analisasse o documento, no qual Flávio questiona o resultado das eleições e acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política. Guedes preferiu discutir a saída do senador do país, realizada num avião particular após a determinação judicial de entrega de seus passaportes. “Não vou ficar aqui falando de sandice”, afirmou.
O jornalista criticou a decisão de deixar o Brasil depois de receber quase 60 milhões de votos, argumentando que candidatos derrotados devem permanecer no país para exercer a oposição. “Fugiu num jato de luxo, deixou para trás 60 milhões de votos. Está fisicamente mais próximo dos 12 milhões de dólares que Vorcaro deu a ele. Então, esse é o tamanho do Flávio Bolsonaro”, afirmou.
A referência diz respeito aos repasses investigados para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo apuração do site Intercept Brasil, os pagamentos ligados a Vorcaro chegaram a aproximadamente US$ 12,3 milhões e foram destinados a um fundo financeiro nos Estados Unidos associado ao projeto.
Democracia e Ruy Barbosa
O comentarista também criticou a recusa do candidato derrotado em aceitar o resultado eleitoral. “Democracia é um regime no qual os perdedores vão para casa fazer oposição, e não fogem do país num jato de luxo, se autoproclamando injustiçados”, declarou.
Guedes voltou então à comparação com Ruy Barbosa e encerrou sua análise: “Só por isso já dá o tamanho dessa sandice, desse absurdo. Para mim, isso já diz tudo. Não dá para comentar muito, não. Precisa ter muito estômago”.
O que diz a carta?
Flávio Bolsonaro divulgou a primeira versão de sua declaração por intermédio do aliado Paulo Figueiredo, apresentando-se como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O documento chegou a circular com o brasão histórico dos “Estados Unidos do Brazil” antes de receber uma atualização com o símbolo atual da República.
Ao todo, quatro versões circularam nesta quarta-feira, incluindo duas publicadas pelo próprio senador. Na última, após sua declaração virar piada nas redes sociais, ele abandonou a autoproclamação presidencial e passou a se identificar como “líder do Brasil”.
Perseguido de Taubaté
Flávio também repete sua acusação de fraude eleitoral, sem apresentar provas, e responsabiliza o ministro Cristiano Zanin pela ampliação do horário de votação no domingo (25). Os números oficiais contradizem sua alegação: o Tribunal Superior Eleitoral registrou apenas 34.393 votos após as 17h, enquanto a diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro superou 4,4 milhões de votos. A prorrogação também havia sido solicitada pela campanha do próprio senador em municípios afetados por problemas de transporte e condições climáticas. O resultado, com 51,79% dos votos válidos para Lula, foi reconhecido pelo PL e pelo candidato a vice na chapa derrotada.
Para completar, ele ainda compara sua situação de fugitivo à de figuras históricas que atuaram no exílio, entre elas Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além dos oposicionistas venezuelanos Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
O senador sustenta que deixou o Brasil para escapar de uma perseguição judicial e anuncia que pretende comandar a oposição ao governo brasileiro a partir dos Estados Unidos. Na carta, agradece aos presidentes Donald Trump e Javier Milei pelo apoio recebido durante sua saída do país, elogia o povo americano e só lembra de mencionar os brasileiros nas linhas finais.
Fugiu de uma democracia
A alegação de Flávio de que estaria fugindo de uma ditadura também foi contestada por Octavio Guedes em outra participação na GloboNews. O jornalista enumerou as condições em que o senador disputou a eleição e a presença de seus familiares e aliados nas instituições brasileiras.
“Flávio Bolsonaro está fugindo de um país no qual ele concorreu livremente. Ele está fugindo de um país no qual o irmão dele é senador. Ele está fugindo de um país no qual o outro irmão é deputado federal. Ele está saindo de um país onde o partido dele tem maioria na Câmara. Ele está fugindo de um país onde a madrasta dele é senadora. Ele está fugindo de um país onde o partido dele tem maioria no Senado”, afirmou.
Após um colega lembrar que o partido também havia elegido seis governadores, Guedes prosseguiu: “Ele está fugindo de um país onde o partido dele tem seis governadores. Ele está fugindo de um país que lhe deu milhões… Quantos milhões de votos? 59 milhões de pessoas foram às urnas livremente manifestar a votação nele. Então ele está fugindo de uma democracia. Ele está fugindo do acerto de contas com a Justiça. É só isso.”
O comentarista também questionou a condição de exilado político reivindicada pelo senador. “Era uma decisão para ele ficar, ele ficar no país do qual ele poderia, por pouco, não vir a presidente. Só isso. Ele só não podia ir pra fora. Tem prisão? Não tem nada. Não existe um exilado, um asilado, um exilado, desculpa, político, cujo irmão é senador, cujo partido é maioria…”
Outro jornalista acrescentou que Flávio não teve o mandato cassado e lembrou como era a perseguição política durante a ditadura militar brasileira. Guedes encerrou o comentário com uma referência às investigações contra o senador:
“O Flávio Bolsonaro não está fugindo de uma ditadura. O Flávio Bolsonaro está fugindo de prestar contas da Justiça, com uma investigação que aponta ele como sócio de uma lavanderia de dinheiro. Então esse é o ponto que o Brasil tem que deixar claro por conta dessa propaganda deles.”
o Octávio Guedes é um respiro na Globo News né… e mandou o recado de parar de dar palco para maluco dançar https://t.co/IQKmgc1qD5
— sza (@szamotopapi) October 28, 2026
Octavio Guedes: “Flávio Bolsonaro não está fugindo de uma ditadura. Está fugindo da democracia. Está fugindo de prestar contas à Justiça”. #Estudioi https://t.co/Zl30ZVvoqc
— Vanessa PBM (@vanessapbm) October 27, 2026