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Netflix concentra quase metade da receita de streaming na América Latina
Plataforma reúne apenas um terço das assinaturas, mas domina o faturamento de um mercado que deve movimentar US$ 35 bilhões em 2026
Netflix domina faturamento do streaming
A Netflix deve encerrar 2026 com quase metade de toda a receita de assinaturas de streaming na América Latina, apesar de concentrar apenas um terço dos contratos da região. A diferença foi revelada nesta segunda-feira (12/10) pela consultoria Omdia, durante a Mipcom, feira internacional do mercado audiovisual realizada em Cannes, na França.
Qual é a fatia da plataforma?
A pesquisa projeta que os serviços de vídeo online alcançarão 190,7 milhões de assinaturas na América Latina até dezembro. Desse total, 63,8 milhões estarão na Netflix, o equivalente a aproximadamente 33%. Mesmo com essa participação, a plataforma deverá concentrar quase 50% do dinheiro arrecadado com as mensalidades.
A diferença demonstra a capacidade da empresa de obter mais receita por assinatura que suas concorrentes. “Não se trata apenas de ter mais assinantes”, afirmou María Rúa Aguete, diretora de Mídia e Entretenimento da Omdia, ao apresentar os resultados. A executiva destacou a importância dos planos com publicidade, que permitem atrair consumidores interessados em preços menores e, simultaneamente, gerar receita com anunciantes.
Quanto vale o mercado latino-americano?
O domínio da Netflix acontece num mercado em expansão. Segundo a Omdia, o setor de mídia e entretenimento da América Latina deve faturar US$ 62 bilhões em 2026, crescimento de 15,4% em relação ao ano anterior.
O vídeo online responderá por US$ 35 bilhões desse total, mais que o dobro dos US$ 16 bilhões previstos para a televisão tradicional. O valor engloba diferentes fontes de receita do vídeo digital, não apenas mensalidades de streaming.
Outros segmentos continuam relevantes, mas movimentam cifras menores. A indústria de videogames deve gerar US$ 5,9 bilhões, seguida pela música, com US$ 3 bilhões, e pelo cinema, com US$ 1,8 bilhão.
Televisão ainda chega a mais famílias
Apesar da vantagem financeira do vídeo online, a televisão convencional permanece muito mais presente nos lares latino-americanos. Em 2025, alcançava 91% dos domicílios, enquanto os serviços de streaming por assinatura estavam presentes em apenas 35%.
A principal barreira ao crescimento das plataformas é a conectividade. A banda larga chega a 53% dos lares da região, o que limita o avanço dos serviços digitais. Para a Omdia, a próxima etapa da expansão dependerá de preços acessíveis, melhorias na infraestrutura e parcerias com operadoras de telecomunicações.
Qual a previsão para os próximos anos?
O estudo estima que a América Latina chegará a 208,7 milhões de assinaturas de streaming em 2027 e a 243,5 milhões em 2031. A Netflix deverá aumentar sua própria base regional para 73,7 milhões de contratos no mesmo período.
O ritmo de crescimento do setor latino-americano também supera o americano. Enquanto a região deve avançar 15,4% neste ano, a projeção para os Estados Unidos é de 10,2%. O mercado americano, entretanto, continua muito maior em valores absolutos, com faturamento estimado em US$ 476 bilhões.