
Instagram/Malévola Alves
Malévola volta ao Brasil após prisão no Egito e denuncia abusos
Influenciadora desembarcou em Guarulhos com a amiga Bruna Mercatelli, relatou humilhações na prisão e foi recebida pela imprensa no aeroporto
Influenciadoras desembarcam em Guarulhos
A influenciadora trans Malévola Alves, de 22 anos, desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, por volta das 22h30 de quinta-feira (22/10), após ser presa no Egito. Ela chegou acompanhada da amiga Bruna Mercatelli, que também foi detida pelas autoridades egípcias. As duas foram recebidas por diversos veículos de imprensa. “Finalmente chegamos ao Brasil”, anunciou Malévola, aliviada após a experiência que descreveu como traumática.
Como foi a chegada ao Brasil?
“Eu não volto para o Egito de maneira alguma”, declarou a influenciadora ao g1. Ao lado de Bruna, ela contou que as duas passaram por dificuldades durante o período sob custódia. “A gente tá sem celular, a gente não teve acesso a comida, a gente não teve acesso a água… foram 24 horas numa sala, sentadas numa cadeira de ferro ali em Alexandria”, relatou. Apesar da experiência, agradeceu o apoio recebido nas redes sociais. “Ser recebida com tanto carinho pelos brasileiros é incrível. Acho que igual os brasileiros não tem.”
As duas foram recebidas pela mãe de Malévola, que levou um cartão de boas-vindas ao aeroporto. Ainda durante a viagem de retorno, a influenciadora havia anunciado que chegaria a tempo de participar das eleições de domingo (25). “Quem achou mesmo que eu não ia votar no domingo? Já estou aqui preparadinha”, afirmou. No desembarque, manifestou seu apoio à reeleição de Lula.
Por que Malévola foi presa no Egito?
Malévola e Bruna foram presas na terça-feira (20), em Alexandria, após publicarem vídeos de sua viagem pelas ruas do Egito. O Ministério do Interior egípcio acusou as brasileiras de comportamento obsceno, insinuações sexuais e assédio a pedestres. Segundo as autoridades, as duas teriam admitido que gravaram e divulgaram as imagens para aumentar o número de visualizações nas redes sociais.
A influenciadora contesta a versão oficial. Em entrevista ao UOL, afirmou que os homens que aparecem nas gravações consentiram em participar das brincadeiras. Também relatou que policiais questionaram sua identidade de gênero e fizeram abordagens que considerou abusivas.
As brasileiras foram libertadas na quarta-feira (21), após o pagamento de fiança. No vídeo gravado depois do desembarque, elas disseram ter desembolsado R$ 8 mil para responder ao processo em liberdade. O advogado Jonatha Carvalho Matos informou que os passaportes foram devolvidos, mas os celulares continuaram apreendidos pelas autoridades egípcias.
Malévola denuncia transfobia e humilhações
Nas redes sociais, ela afirmou que a prisão foi motivada por preconceito contra a identidade de gênero das duas. “Eles deixaram claro que a prisão foi porque éramos trans. Vocês não estavam lá, não acreditem no que vocês veem na internet”, escreveu. A influenciadora relatou que foi obrigada a ficar nua diante dos policiais. “Eu disse que não era trans. Só Deus sabe o que eu passei.” Também afirmou que ela e Bruna sofreram abusos de agentes durante a detenção.
Malévola contou que passou a sofrer crises de pânico e ansiedade depois do episódio e pretende procurar atendimento médico. A defesa informou ao g1 que pretende acionar o Itamaraty e organismos internacionais de direitos humanos para investigar as denúncias contra a polícia egípcia. A Embaixada do Brasil no Cairo acompanhou o caso desde a prisão e prestou assistência consular às brasileiras.
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