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Lollapalooza 2027 revela line-up com Travis Scott, Charli XCX, The Killers e David Guetta
Evento também terá Queens of the Stone Age, Fontaines D.C., Raye, The Prodigy, Sombr, Slayyter, Lola Young, Die Spitz e Boy Harsher
Line-up contemporâneo
O Lollapalooza Brasil revelou nesta quinta-feira (8/10) a lista completa de atrações de 2027 com um line-up forte e contemporâneo. Travis Scott, Charli XCX, The Killers e David Guetta encabeçam a relação, seguidos por Queens of the Stone Age, The Neighbourhood, Fontaines D.C., The Prodigy, Sombr e o DJ brasileiro Mochakk. A seleção confirma que os acertos da edição de 2026, sintonizada com o pop atual de Sabrina Carpenter, Chappell Roan e Tyler, The Creator, não foram casuais.
Quem são os headliners?
Charli XCX assume o principal espaço pop, Travis Scott comanda o hip-hop e David Guetta leva a música eletrônica das raves para o topo da programação. São nomes fortíssimos, respeitados em seus gêneros e com enorme apelo popular. Já The Killers representa um tipo de rock diferente dos demais festivais da Rock World, mais alternativo. Em termos de comparação, Queens of the Stone Age apresenta a vertente mais pesada entre os artistas anunciados, e ainda assim não se enquadra no heavy metal que costuma ter noite exclusiva no Rock in Rio.
O restante do evento expande essas frentes sem depender tanto de veteranos de meio século atrás como o Rock in Rio. Fontaines D.C., Raye, Sombr, Geese, Lola Young, Slayyyter, Adéla e Dominic Fike representam nomes em evidência em 2026, enquanto The Prodigy, Four Tet, Mochakk, Boys Noize e The Avalanches fortalecem a eletrônica. Cage the Elephant, The Neighbourhood e Boy Harsher ampliam as variações alternativas e indie.
Fim da obviedade
A programação reforça uma diferença cada vez mais evidente em relação ao Rock in Rio e ao The Town, que ironicamente completam com o Lolla uma trinca de eventos da mesma empresa. Não existe um bloco de heavy metal nem um dia focado em cantores românticos entre as principais atrações, gêneros que ocupam espaço recorrente nos festivais criados por Roberto Medina. O line-up também é repleto de artistas que vêm ao Brasil pela primeira vez. Muitos são jovens que estão no começo ou no auge da carreira.
Os mais experientes tampouco são medalhões como os headliners do Rock in Rio. Mike D, que estreia em carreira solo, é quem se apresenta há mais tempo. O ex-integrante dos Beastie Boys começou no hardcore e no rap ainda nos anos 1980. The Prodigy, Queens of Stone Age, Four Tet, Nação Zumbi, The Avalanches, Rodrigo Amarante (com Los Hermanos) e David Guetta gravam desde os 1990. Todos os demais são deste século. Sombr e Lola Young, inclusive, disputaram o Grammy de Revelação do ano, enquanto Adéla, de 22 anos, é cotadíssima para o troféu de 2027, após lançar o álbum de estreia no mês passado e colocar “Ain’t in LA” e “Nicole Kidman” na parada Hot 100.
O contraste é brutal com os demais eventos produzidos pela Rock World, que assumiu a operação brasileira do Lollapalooza em parceria com a C3 a partir de 2024. Enquanto Rock in Rio e The Town recorrem com frequência a artistas que já passaram por seus próprios palcos, o Lolla opta pela renovação, com um elenco bastante representativo do pop, do indie, do hip-hop e da música eletrônica atuais.
A diferença de gerações cria uma analogia curiosa. Enquanto o Rock in Rio 2026 trouxe o Foo Fighters, o Lolla 2027 traz Violet Grohl, filha justamente de Dave Grohl, líder dos Foo Fighers.
Indie de verdade
O evento de 2027 também abre espaço para artistas realmente alternativos, reunindo representantes de cenas que costumam ser ignoradas nos grandes festivais. Boy Harsher já tinha trazido seu dark wave ao Primavera Sound em 2022, mas a muito comentada dupla canadense Angine de Poitrine, que gerou dúzias de análises pela música baseada em microtonalidades, o grunge punk feminista do Die Spitz, o electroclash de Snow Strippers e a revelação australiana Ninajirachi são nomes inéditos no Brasil, assim como Fontaines D.C., banda irlandesa que começou alternativa e hoje se destaca em grandes festivais internacionais.
Outra atração inédita de peso é Tomora, supergrupo de música eletrônica formado em 2025 por Tom Rowlands, do The Chemical Brothers, e pela cantora e compositora norueguesa Aurora. A dupla combina eletrônica alternativa com os vocais etéreos e lançou neste ano o álbum de estreia, “Come Closer”. Para completar, Geese debuta no Brasil após o cantor Cameron Winter se apresentar em show solo no C6 Fest deste ano.
A fórmula de investir em novidades já havia funcionado em 2026, quando o Lollapalooza reuniu 285 mil pessoas em três dias, mostrando que há espaço para mais ousadia no circuito dos grandes festivais brasileiros.
Seleção brasileira
Apesar da ênfase internacional, o Lollapalooza também reservou bastante espaço à música brasileira. A lista de shows repete a diversidade e combinação de veteranos com revelações, incluindo Nação Zumbi, Rodrigo Amarante, Grag Queen, Mochakk, Cat Dealers, Luana Flores, Fernanda Martins, Marina Diniz, Rakta, Deafkids e vários outros nomes de circuitos mais alternativos.
O artista mais popular da seleção brasileira, Criolo, apresenta-se num projeto conjunto com Amaro Freitas e Dino D’Santiago, unindo rap, jazz e referências da música brasileira e africana.
Quando acontece o Lollapalooza 2027?
O festival será realizado em 19, 20 e 21 de março de 2027 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, e celebrará 15 anos de sua estreia no Brasil. A divisão das atrações por dia ainda não foi divulgada.