
Juliette expõe ataques a Nossa Senhora Aparecida em documentário
Novo episódio de "Revelando" questiona batismo de Flávio Bolsonaro na igreja de bispo que associou a santa ao satanismo
Juliette assume nova investigação
Juliette Freire estreou nesta segunda-feira (12/10), Dia de Nossa Senhora Aparecida, como apresentadora à frente de “A Guerra à Santa”, novo episódio da série documental “Revelando”. A produção investiga ataques à padroeira do Brasil e questiona a ligação do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro com um bispo evangélico que associou a devoção católica ao satanismo.
O que mostra o documentário?
O vídeo de 22 minutos começa com uma provocação da cantora: “Por que uma santa tão frágil, que já nasceu partida em duas, desperta tanto ódio em quem quer mandar no país?”. A reportagem recupera a história da imagem encontrada por pescadores em 1717, sua identificação com a população negra e a devoção popular que a transformou em padroeira do Brasil.
A produção também reconstrói episódios de intolerância religiosa, incluindo o ataque do bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, que chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um programa de televisão em 1995. O episódio ganhou repercussão nacional e provocou protestos de católicos.
Qual a ligação com Flávio Bolsonaro?
O principal alvo da investigação é o bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações. Em seu livro “A Bomba: A Verdade Pode Ser Explosiva”, de 2001, o religioso associou a figura de Maria venerada pelos católicos a uma divindade pagã que descreveu como “braço direito de Satanás”. Também questionou a legitimidade do feriado de 12 de outubro e defendeu a retirada do título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.
O documentário recupera imagens do batismo de Flávio Bolsonaro, realizado em janeiro de 2024 na Comunidade das Nações, e questiona por que o senador escolheu justamente a igreja de JB Carvalho, diante das declarações do bispo contra a devoção católica. A reportagem estabelece essa aproximação como um fato político, em meio à disputa pelo eleitorado religioso.
A controvérsia ganhou dimensão de peso na campanha presidencial de 2026. Publicações nas redes passaram a atribuir a Flávio um plano para retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida. O candidato negou a intenção, e o Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção das afirmações. A reportagem apresentada por Juliette concentra a crítica na relação comprovada do senador com o religioso, seu histórico de declarações e iniciativas de políticos contra Nossa Senhora.
A tentativa de retirar o título de padroeira
O documentário recupera uma iniciativa legislativa de 2007, quando o então deputado federal Victório Galli apresentou um projeto para retirar o reconhecimento oficial de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. A proposta foi arquivada.
Ao reunir o episódio legislativo, as declarações de JB Carvalho e as agressões contra imagens religiosas, a produção examina como a hostilidade a símbolos católicos ultrapassou as divergências teológicas e chegou às disputas políticas.
Por que Juliette aceitou participar?
A cantora parte também de sua experiência familiar para abordar a convivência entre religiões. Seu pai é evangélico e sua mãe, católica. A diferença entre as crenças dentro de casa aparece como contraponto à hostilidade retratada na investigação.
“Senti que precisava estar aqui”, afirmou Juliette, ao explicar sua participação. A artista contou que teve receio de se envolver no tema por causa da polarização política, mas decidiu aceitar por considerar a defesa do respeito religioso uma questão de justiça.
A ex-BBB também participa musicalmente do documentário, interpretando “Romaria”, composição de Renato Teixeira associada à devoção popular a Nossa Senhora Aparecida. A gravação tem acompanhamento do violonista João Camarero.
Revelando já ultrapassou 25 milhões de visualizações
“A Guerra à Santa” é o 5º episódio da série jornalística produzida pela equipe do podcast Calma Urgente, com apoio de distribuição do ICL Notícias, Mídia Ninja, 342 Artes e Intercept Brasil. O projeto já ultrapassou 25 milhões de visualizações nas plataformas digitais, segundo os produtores.
Os capítulos anteriores foram apresentados por Samara Felippo, numa investigação sobre eugenia; Fábio Porchat, que expôs conexões entre o Banco Master e a Igreja da Lagoinha; Camila Pitanga, que abordou a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa de um policial acusado pela morte de uma criança; e Luana Piovani, que investigou interesses por trás da proposta de privatização de praias brasileiras.
A série já havia provocado repercussão nacional quando o episódio de Porchat viralizou e o Instagram suspendeu temporariamente o perfil do projeto. A conta foi restaurada após a Meta revisar a decisão.
O documentário apresentado por Juliette foi disponibilizado gratuitamente no YouTube às 9h desta segunda-feira, durante as celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida.