
Divulgação/Globo
Juarez Machado, mímico desenhista do Fantástico, morre aos 85 anos
Artista catarinense virou personagem popular da TV nos anos 1970 ao interagir com os próprios desenhos e construiu carreira internacional na pintura
Artista morreu no interior do Rio
Juarez Machado, artista plástico que se tornou popular na televisão como o mímico desenhista do “Fantástico”, morreu na terça-feira (6), aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. Ele estava internado para tratar uma pneumonia e sofreu uma parada cardíaca.
Natural de Joinville, em Santa Catarina, Juarez deixa três filhos. A prefeitura de sua cidade natal decretou luto oficial de três dias.
Como ele virou personagem do Fantástico?
Juarez trabalhava como cenógrafo da Globo quando levou para a televisão uma ideia inspirada na coluna de humor “Nonsense”, que mantinha no “Jornal do Brasil”. Entre 1974 e 1978, apareceu no “Fantástico” com o rosto pintado de branco, sem falar, interagindo com linhas e figuras que ele próprio desenhava diante das câmeras.
Ele definia o personagem não como um mímico, mas como um “desenhista do gesto”. As apresentações tinham trilha composta por Júlio Medaglia e normalmente terminavam com Juarez criando no papel uma estrada, passarela, trilho ou sequência de pegadas por onde ele próprio desaparecia.
O quadro tornou Juarez um dos pioneiros do desenho de humor na televisão brasileira e levou sua linguagem visual a um público muito maior do que o circuito de jornais e galerias que já conhecia seu trabalho.
Trabalho também marcou bastidores da Globo
Antes e durante a fase no “Fantástico”, Juarez participou dos núcleos de criação e humor da Globo. Produziu cenários, figurinos e trabalhos visuais para programas e musicais, incluindo projetos de Roberto Carlos, Elis Regina, Raul Seixas e Emílio Santiago.
Ele também participou da concepção visual do primeiro especial de Roberto Carlos na emissora, exibido em 1974. Naquele período, transitava com facilidade entre televisão, charge, ilustração, cenografia e artes plásticas.
Em 1975, publicou “Ida e Volta”, apontado como o primeiro livro-imagem brasileiro construído inteiramente como narrativa visual, sem texto.
Pintura levou carreira para Paris
A partir do fim dos anos 1970, Juarez passou a concentrar cada vez mais sua produção na pintura. Depois de circular por Nova York e Londres, instalou-se em Paris na década seguinte e manteve um ateliê em Montmartre, consolidando uma carreira internacional.
Suas obras foram expostas em países da Europa, América, Ásia e Oceania. A produção ficou reconhecida por cenas de boemia, personagens elegantes, humor visual e uma paleta em que tons vermelhos apareciam com frequência.
Instituto preserva seu legado
Juarez fundou em Joinville o Instituto Internacional Juarez Machado, dedicado à preservação de sua obra e à promoção das artes. O espaço reúne pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, cartazes e publicações produzidos ao longo de mais de seis décadas.
Na cidade, ainda deixou o mural cerâmico “O Grande Circo”, com 90 metros quadrados e 963 peças pintadas à mão na fachada do Centreventos Cau Hansen. O complexo também abriga o Teatro Juarez Machado.
.