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Felca volta às redes para revelar fobia social
Influenciador relata oito anos de agressões na escola, problemas com álcool e isolamento após repercussão de "Adultização"
Retorno após sete meses de silêncio
Felca voltou ao YouTube na madrugada desta terça-feira (20/10), após sete meses sem publicar nas redes sociais, com uma revelação sobre sua saúde mental. Em um vídeo de 1h03 intitulado “Fobia Social”, o influenciador apresentou seu diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social (TAS) e relatou como oito anos de bullying na escola afetaram sua vida adulta. “Eu tenho fobia social. Esse é o meu laudo. Esse é o vídeo mais sincero e mais difícil que eu já fiz”, declarou. O youtuber também contou que passou meses sem sair de casa após a repercussão nacional de “Adultização”, sua denúncia sobre a exploração de crianças na internet.
Felca contou que começou a sofrer bullying aos 12 anos, inicialmente com ofensas verbais que evoluíram para agressões físicas. Em um dos episódios mais violentos, cinco estudantes o espancaram no banheiro da escola. “Não me bateram só até eu cansar, mas até eles cansarem”, recordou. O influenciador afirmou que chegou a passar horas escondido no banheiro para evitar os colegas e descreveu a adolescência como um período de sobrevivência. “Dos 14 aos 18, eu sobrevivi. Eu me mantive vivo, e isso foi tudo”, declarou.
As humilhações também envolviam colegas por quem sentia atração. Numa ocasião, uma garota passou uma aula inteira acariciando suas costas, fazendo-o acreditar que estava sendo aceito. Depois, descobriu que ela e outras estudantes haviam colado adesivos em sua roupa para ridicularizá-lo. As experiências contribuíram para seu medo de frequentar ambientes coletivos. Ao terminar o ensino médio, disse aos pais que não conseguiria enfrentar uma faculdade e preferia tentar ganhar a vida produzindo vídeos.
Álcool, ansiedade e isolamento
Na vida adulta, Felca passou a recorrer ao álcool para conseguir participar de situações sociais, incluindo gravações e eventos públicos. Em um episódio, bebeu antes de entrevistar desconhecidos num shopping e acabou desmaiando ao chegar em casa, numa queda que provocou a fratura de duas costelas. O influenciador associou o consumo de bebidas à tentativa de enfrentar o medo de interagir com outras pessoas.
Mesmo depois de conquistar milhões de seguidores e participar de programas de televisão, o problema persistiu. O vídeo apresenta imagens de bastidores em que seus batimentos cardíacos chegam a 140 ou 150 por minuto antes de compromissos públicos. Felca contou que passou dois dias sem dormir antes de uma participação no “Roda Viva” e que a ansiedade também aparece em atividades comuns, como ir ao shopping ou passar pela portaria de um prédio.
A repercussão de “Adultização”, publicado em agosto de 2025, agravou seu isolamento. “Depois que eu postei a adultização, e aconteceu tudo o que aconteceu, eu me fechei. Eu fiquei meses sem sair de casa”, relatou. A denúncia sobre a exposição sexualizada de crianças e adolescentes alcançou dezenas de milhões de visualizações, mobilizou autoridades e provocou ameaças contra o influenciador, que chegou a adotar segurança particular. Ele permaneceu sem atualizar suas redes desde março deste ano, embora tenha participado de atividades profissionais durante o período.
Denúncia mudou legislação e ampliou exposição
O vídeo “Adultização” transformou Felca em uma das principais vozes do debate sobre a proteção de menores nas plataformas digitais. Entre os casos apresentados estava o do influenciador Hytalo Santos, posteriormente condenado em 1ª instância, junto com o marido, por crimes relacionados à exploração sexual de adolescentes. A repercussão também acelerou a tramitação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital ou Lei Felca, que entrou em vigor em março de 2026.
Naquele mesmo mês, Felca estreou o quadro “Sobre Nós”, no “Fantástico”, dedicado justamente à saúde mental. A série de seis episódios abordou temas como ansiedade, autoestima e procrastinação, mas o apresentador não havia exposto publicamente a extensão das próprias dificuldades.
O retorno começou a ser anunciado no domingo (18/10), com uma publicação de fundo preto e a frase “Eu me escondi por tempo demais”. A mensagem indicava apenas a meia-noite desta terça como horário de uma revelação. O suspense provocou especulações de que Felca apresentaria uma nova denúncia, possivelmente envolvendo políticos na reta final das eleições presidenciais. Após a publicação, parte dos internautas demonstrou frustração nas redes sociais por esperar um conteúdo político, enquanto outros destacaram a importância do relato sobre saúde mental.
O que Felca pretende fazer agora?
O influenciador anunciou o projeto “Sinfel”, um desafio pessoal de três meses para enfrentar a fobia social. A proposta é aceitar convites, voltar a frequentar lugares públicos e registrar suas experiências nos Stories do Instagram, estimulando seguidores a compartilhar situações semelhantes. Ele também pretende retomar o programa de entrevistas “Sofá do Felca”.
Outra iniciativa será a realização de palestras gratuitas em escolas para conversar sobre bullying com estudantes. Felca quer utilizar suas experiências para acolher vítimas e incentivar os agressores a refletir sobre as consequências de suas atitudes. “Eu não vou cobrar nada por isso”, afirmou.