
RecordPlay/A Fazenda
VAR desmonta acusações, mas A Fazenda 18 mantém Serginho sob pressão
Record descartou expulsão após rever imagens, mas fala de Galisteu sobre atitudes “perto do limite” alimentou votação maciça contra o ator
VAR muda peso das acusações
“A Fazenda 18” finalmente exibiu na noite de terça-feira (29/9) as imagens cobradas pelo público após a avalanche de acusações contra Serginho Hondjakoff. O programa mostrou o abraço de cueca denunciado por Ana Bruna Ávila e recuperou a origem de uma acusação racial feita contra o ator durante a tarde. Nos dois casos, as gravações mudaram significativamente o peso das versões apresentadas pelos peões.
A produção decidiu manter Serginho no programa após analisar as imagens. Adriane Galisteu afirmou que uma intervenção seria feita caso houvesse motivo, “inclusive para expulsão”, mas acrescentou: “Não é o caso agora”.
O que mostrou o abraço?
Na primeira cena, Serginho aparece apenas de cueca e pede um abraço a Ana. Ela aceita e se aproxima. O momento não mostra resistência da influenciadora enquanto acontece.
Logo depois, o ator repete o comportamento com outras pessoas. Ele abraça Fran Almeida, que também não demonstra incômodo nem posteriormente citou o episódio como problema, e Murilo Dias, que se tornou um de seus maiores acusadores.
O conjunto das imagens reforçou entre espectadores a impressão de que Serginho foi sem noção ao circular de cueca e abraçar os colegas, mas enfraqueceu a interpretação de que a cena mostraria uma abordagem forçada. A Record concluiu que o episódio não justificava expulsão.
Isso não apaga o desconforto relatado por Ana. Galisteu fez questão de separar as duas coisas depois do vídeo. “Não seria o caso de expulsão, mas isso não invalida o sentimento da Ana. Ela tem que ser acolhida e respeitada”, afirmou.
Acusação racial cai no VAR
O segundo resgate de imagens foi mais objetivo. Durante a tarde, integrantes do grupo apelidado nas redes de “Macholândia” passaram a acusar Serginho de ter usado a expressão “neguinho” para se referir aos integrantes negros do programa.
O vídeo original mostrou que ele nunca disse isso. Serginho falou que, se voltasse, “vai ter muita gente que vai se mijar na cama”.
A distorção começou quando Alfredo Amaral ouviu a frase à distância na piscina e reproduziu “neguinho” para os demais. A versão inflamou Thaíde e Rikardo Negro, que partiram para o confronto com Serginho. O ator negou repetidamente ter usado a palavra e insistiu que havia dito “gente”.
Thaíde discursou sobre respeito
O VAR também muda a leitura da reação de Thaíde. O rapper foi para cima de Serginho, chamou o ator de “comédia”, “palhaço”, “idiota” e “mimadinho” e afirmou que sempre havia lhe oferecido respeito.
Poucos dias antes, porém, outro resgate de imagens já havia mostrado Thaíde entre participantes que imitavam e debochavam dos trejeitos de Serginho. O episódio ajudou a criar nas redes o apelido “Macholândia” para o grupo masculino que vinha ironizando inclusive a aparência física do ator.
Galisteu mantém alerta
Apesar do conteúdo das imagens e da decisão de não expulsar Serginho, o discurso oficial da produção foi duro contra o ator, alvo de denúncias gravíssimas por parte dos colegas de confinamento.
“Ontem, muitas acusações foram feitas no Aponta Peão. Quero reforçar que estamos aqui para ouvir cada um de vocês, então sempre vale a pena dizer o que estão sentindo”, começou Galisteu.
Em seguida, afirmou: “Já analisamos todas as imagens. Quando uma intervenção for necessária, ela será feita, inclusive para expulsão. Não é o caso agora, apesar de alguns terem chegado bem perto do limite. Mas isso não invalida em nada a posição de vocês”.
A apresentadora então se dirigiu especificamente a Serginho: “Você precisa ter muito cuidado com suas atitudes e falas. Tiveram situações que chegaram muito perto do limite”.
Recado virou munição contra Serginho
A combinação produziu um efeito curioso. A Record mostrou imagens que não justificaram expulsão e, no caso da palavra “neguinho”, contrariaram diretamente a acusação feita pelos rivais. Ao mesmo tempo, o discurso de Galisteu deixou os peões com a impressão de que Serginho havia escapado por pouco de uma punição máxima.
Lucas Bissoli expôs esse efeito na formação da Roça. Ao votar no ator, afirmou que as falas de Galisteu o influenciaram e reclamou da ausência de pedidos de desculpas.
O resultado foi uma votação praticamente em bloco. Serginho recebeu 16 votos e entrou na berlinda como inimigo comum da sede.
“Macholândia” mantém leitura do limite
Nas redes, espectadores passaram a criticar justamente essa diferença entre o que as imagens mostraram e o peso dado às palavras da apresentadora.
Dentro da sede, a expressão “perto do limite” ganhou tração e os adversários passaram a ler o discurso como um empurrão na direção do confronto. Serginho seria alguém que esteve “perto do limite” de ser expulso do programa e, portanto, estaria canceladíssimo diante da audiência.
Produção plantou uma armadilha?
A diferença entre imagens e discurso evoca o histórico de “A Fazenda”, que costuma alimentar percepções equivocadas dos participantes para produzir reviravoltas. Geralmente, a resposta do público choca os peões por destoar do esperado.
Ao evitar qualquer sinal sobre a popularidade real de Serginho e, ao mesmo tempo, reforçar diante da sede que as atitudes do ator seriam malvistas, a produção estimulou um consenso confortável contra um alvo supostamente fácil. O resultado imediato foram 16 votos e a certeza, entre vários peões, de que o ator será eliminado se não voltar Fazendeiro.
Pode ser apenas consequência da tentativa da Record de proteger Ana sem absolver publicamente Serginho de comportamentos considerados inadequados. Mas também existe uma lógica televisiva evidente no cenário criado: esconder o favoritismo, fortalecer antagonistas e preparar uma eventual volta triunfal capaz de incendiar ainda mais a sede. Para um reality, poucas situações produzem uma narrativa tão eficiente.