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Divulgação/Warner Bros.

Filme|13 de setembro de 2026

Supergirl vira nº 1 em 23 países e é elogiado após fracasso nos cinemas

Usuários que evitaram o filme por críticas negativas agora dizem não entender a hostilidade contra a aventura de Milly Alcock


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Fracasso no cinema vira sucesso no streaming
2 Onde “Supergirl” virou nº 1?
3 O que o público está dizendo agora?
4 Crítica e público nunca estiveram totalmente alinhados
5 Hostilidade começou antes da estreia
6 Bilheteria ampliou narrativa de desastre
7 A reviravolta no streaming

Fracasso no cinema vira sucesso no streaming

“Supergirl” encontrou na HBO Max um público que não apareceu nos cinemas. Apenas um dia depois de chegar ao streaming, o filme estrelado por Milly Alcock assumiu o 1º lugar entre os longas da plataforma em 23 países e ficou na 2ª posição no ranking mundial do serviço, segundo o FlixPatrol. O desempenho veio acompanhado por outra mudança perceptível: espectadores que evitaram a produção durante sua passagem pelos cinemas começaram a publicar comentários de surpresa diante da distância entre o filme que acabaram de assistir e a imagem extremamente negativa construída em torno dele.

Onde “Supergirl” virou nº 1?

O levantamento do FlixPatrol referente a sexta-feira (11/9), primeiro dia completo após a estreia na HBO Max, colocou “Supergirl” na liderança entre filmes em mercados como Reino Unido, Austrália, Espanha, Portugal, Bélgica, Holanda, Polônia, Suíça, Dinamarca, República Tcheca, Indonésia, Filipinas, Singapura, Taiwan e Tailândia.

A resposta contrasta diretamente com sua trajetória comercial nos cinemas. Lançado no fim de junho, o longa encerrou a carreira mundial com apenas US$ 126,4 milhões, diante de um orçamento de produção de aproximadamente US$ 170 milhões, sem incluir os gastos de marketing.

O que o público está dizendo agora?

A chegada ao streaming multiplicou nas redes uma pergunta que já aparecia de forma esporádica desde o lançamento digital: por que “Supergirl” recebeu tanto ódio? Em comunidades dedicadas à DC no Reddit, publicações sobre o desempenho na HBO Max passaram a reunir centenas ou milhares de interações de espectadores que consideram a rejeição original desproporcional. “Tinha problemas, mas não merecia fracassar tanto”, resumiu um dos comentários mais apoiados em uma dessas discussões.

Outros usuários relatam que chegaram à HBO Max esperando um desastre depois de meses acompanhando comentários negativos. Uma discussão aberta neste fim de semana pergunta diretamente se o filme “é realmente tão ruim assim”. As respostas mais populares dizem que não, com avaliações recorrentes na faixa de 6 a 8 pontos e elogios principalmente a atriz Milly Alcock. Outra publicação com mais de mil votos afirma que a produção foi “criticada de forma precipitada” durante sua passagem pelos cinemas.

O fenômeno já era previsto por parte do próprio fandom. Quando a HBO Max anunciou a estreia para 10 de setembro, usuários ironizaram que começariam a surgir mensagens de pessoas perguntando por que não tinham assistido ao filme no cinema. Foi exatamente o que aconteceu. Comentários como “acabei de assistir e não entendo o ódio” se repetiram depois que a produção ficou disponível sem custo adicional para assinantes.

Crítica e público nunca estiveram totalmente alinhados

Os números de avaliação já indicavam uma diferença antes da atual reavaliação. “Supergirl” registra 53% de aprovação entre 373 críticas profissionais no Rotten Tomatoes, resultado que coloca sua recepção crítica na faixa mista. Entre mais de 5 mil avaliações verificadas do público, porém, a aprovação é de 72%.

A diferença ajuda a dimensionar o discurso que cercou o fracasso. “Supergirl” não foi recebido como uma unanimidade negativa pelos espectadores que efetivamente assistiram ao longa. A nota B- do CinemaScore também apontava uma resposta apenas mediana entre o público da estreia, distante tanto de entusiasmo quanto da rejeição extrema sugerida por parte das discussões nas redes.

As críticas mais consistentes miraram o vilão Krem, o excesso de tons escuros, algumas sequências de ação e alterações feitas na adaptação de “Supergirl: A Mulher do Amanhã”, de Tom King e Bilquis Evely. Mesmo resenhas negativas destacaram frequentemente a atuação de Alcock como um dos pontos fortes.

Hostilidade começou antes da estreia

Parte da rejeição, entretanto, precedeu qualquer possibilidade de julgamento do filme. Milly Alcock já era alvo de ataques nas redes durante a campanha promocional, especialmente relacionados à aparência da atriz e à caracterização da heroína. Fotografias foram alteradas para tornar o figurino mais sexualizado, enquanto publicações reclamavam que a personagem não era atraente o suficiente ou não sorria nos cartazes.

Dean Cain, que interpretou Superman na série “Lois & Clark”, entrou na discussão ao compartilhar e comentar publicações que atacavam a aparência da atriz. Milly também passou a responder a perfis anônimos que criticavam declarações suas sobre a personagem meses antes de o público ter acesso ao longa.

Depois da estreia, a apresentadora americana Megyn Kelly chegou a comemorar publicamente o desempenho fraco nas bilheterias e associou o fracasso ao que chamou de era da “girlboss imposta”, além de atacar pessoalmente Alcock. A discussão sobre o conteúdo do filme ficou assim misturada desde o início a uma batalha cultural sobre protagonista feminina, aparência e suposta agenda “woke”.

Bilheteria ampliou narrativa de desastre

O próprio desempenho comercial passou rapidamente a alimentar essa percepção. “Supergirl” abriu com apenas US$ 37 milhões nos Estados Unidos e Canadá, abaixo das projeções próximas de US$ 55 milhões, e caiu 77% no 2º fim de semana. A arrecadação doméstica terminou em US$ 72,3 milhões, enquanto o restante do mundo acrescentou cerca de US$ 54 milhões.

Com um orçamento de US$ 170 milhões, o resultado transformou o longa num dos grandes fracassos comerciais do verão americano, apesar de 2026 ter registrado arrecadação recorde no período. A comparação com sucessos bilionários como “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, “A Odisseia” e “Toy Story 5” aumentou ainda mais a impressão de rejeição generalizada.

A reviravolta no streaming

O desempenho na HBO Max não recupera o dinheiro perdido nos cinemas nem altera retroativamente a bilheteria. Mas mostra que a falta de compradores de ingressos não correspondia necessariamente à ausência de qualidades no filme. Uma parcela considerável do público preferiu esperar pelo streaming e agora parece descobrir uma produção muito melhor do que esperava.

No streaming, ganharam espaço espectadores que efetivamente assistiram ao longa e questionam por que um filme que consideram divertido e bem interpretado adquiriu reputação de desastre.

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