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Rock in Rio termina sob chuva e fogo após domingo dominado por cantoras
Halsey levou peso ao Mundo, Ivete celebrou ritmos latinos e o Sunset reuniu Joelma, Marina Sena, Céu e Zara Larsson
Chuva castiga último dia
O Rock in Rio encerrou sua edição de 2026 neste domingo (13/9) sob chuva e fogo, com uma programação majoritariamente feminina nos dois principais palcos. Ivete Sangalo, Lola Young e Halsey ocuparam o Mundo antes do Twenty One Pilots, enquanto Carol Biazin com Joyce Alane, Joelma com Viviane Batidão, Marina Sena com Céu e Zara Larsson formaram uma escalação inteiramente de mulheres no Sunset. O dia passou pelo axé, música paraense, pop, rock, MPB e eletrônica até a madrugada, com Dennis no Espaço Favela e John Summit fechando o New Dance Order.
Twenty One Pilots encerra o Mundo
Tyler Joseph e Josh Dun assumiram o Palco Mundo depois da meia-noite e encerraram os sete dias de atrações principais com um show construído para romper a distância entre palco e plateia. O Twenty One Pilots abriu com “Overcompensate”, usando máscaras ligadas à estética de “Breach” (2025), e rapidamente levou a apresentação para o meio dos fãs. Em “The Contract”, Joseph cantou sobre uma plataforma sustentada pelo público, enquanto Josh Dun tocou bateria no alto de uma estrutura durante outro trecho do espetáculo.
A reta de sucessos reuniu “Heathens”, “Ride” e “Stressed Out” em meio a muito fogo pirotécnico, chuva e mudanças constantes de posição dos músicos. Em “Ride”, um segurança da produção acabou convidado a cantar com a dupla. O público também ganhou trechos de “Believe”, de Cher, e “Seven Nation Army”, do White Stripes, antes do encerramento tradicional com “Trees”, quando Joseph e Dun voltaram a aproximar os tambores da plateia.
Halsey transforma pop em rock
Halsey chegou ao festival poucos dias depois de preocupar os fãs ao revelar uma infecção no rosto, mas não demonstrou limitações no palco. A cantora correu pela estrutura, tocou guitarra e apresentou a última performance de “The Girl in the Tower”, espetáculo dividido em atos e construído com castelos, igrejas, correntes, fogo e uma leitura mais pesada de diferentes momentos de sua carreira.
“Castle”, “I’m Not a Woman, I’m a God”, “You Should Be Sad”, “Hurricane”, “Gasoline” e “Colors” ganharam guitarras mais pronunciadas, e até “Closer”, sucesso originalmente eletrônico com The Chainsmokers, apareceu em versão roqueira. Ela também pôs fogo no palco e, em “Experiment on Me”, pediu um mosh pit à plateia. Em outros momentos, desceu à grade, abraçou fãs e transformou a chuva em parte da energia do show.
A teatralidade chegou ao auge em “Dog Years”, com a cantora presa por uma corrente diante de imagens que remetiam a uma igreja, e no encerramento com “Lonely Is the Muse”. A apresentação também reforçou o eixo feminino do domingo quando Halsey exaltou mulheres livres, sensuais e bem-sucedidas diante do público.
Ivete abre o Mundo com latinidade
Ivete Sangalo começou o dia no Palco Mundo com chuva forte e sua 20ª apresentação na história do Rock in Rio, somadas as diferentes edições do festival. Desta vez, a cantora estruturou o espetáculo em torno de referências latinas, incorporando salsa, cúmbia e lambada ao axé que domina seus shows.
A chuva não alterou sua proposta de transformar a abertura do Mundo numa festa. “Levantou Poeira”, “Festa”, “Sorte Grande” e “Eva” mantiveram o caráter de grandes coros coletivos, enquanto instrumentos e arranjos latinos deram outra direção a parte do repertório. A montagem também explorou elementos teatrais e um cenário floral, sem abandonar a interação constante de Ivete com a plateia.
O show reforçou a posição da cantora como uma das artistas mais recorrentes do festival.
Lola Young estreia no Brasil
Lola Young fez sua primeira apresentação brasileira num dos maiores palcos possíveis. A britânica abriu com “Wish You Were Dead” acompanhada por banda completa e precisou apresentar grande parte de seu repertório a uma plateia que a conhece principalmente por “Messy”, fenômeno que projetou sua carreira internacionalmente.
A dimensão do Mundo nem sempre favoreceu o caráter mais íntimo de suas composições, especialmente diante da chuva e da concorrência simultânea de artistas brasileiros em outros espaços. Ainda assim, Young conseguiu momentos de conexão direta. Chorou durante “Spiders” e agradeceu aos brasileiros por acompanharem músicas que parte da plateia ainda não conhecia. Quando “Messy” finalmente apareceu, o palco ganhou o coro mais reconhecível de sua estreia no país.
Joelma coloca o Pará no Sunset
Joelma fez sua estreia no Rock in Rio com uma apresentação dedicada às raízes paraenses e aos sucessos acumulados desde os tempos da Banda Calypso. Figurinos com brilho, franjas e penas acompanharam uma performance física que manteve a identidade construída pela cantora durante três décadas.
Viviane Batidão ampliou essa representação ao levar ao Sunset o tecnomelody e o chamado “rock doido” das aparelhagens paraenses. Joelma destacou no próprio festival que passou por diversos ritmos de seu estado ao longo da carreira, mas que a sonoridade apresentada pela convidada acrescentava outro braço da produção musical do Pará.
O encontro funcionou também como afirmação de uma cena que durante décadas encontrou dificuldades para chegar aos grandes palcos do Sudeste. Joelma lembrou o preconceito enfrentado no início da carreira e comemorou o espaço atual para artistas e ritmos paraenses.
Marina Sena transforma show em teatro
Marina Sena levou “Coisas Naturais” ao Sunset num espetáculo mais próximo de uma encenação do que de uma sequência convencional de músicas. A cantora abriu com “Numa Ilha” e a faixa-título do disco enquanto personagens mascarados, figurinos e objetos construíam uma narrativa visual sob a chuva.
Um boneco em tamanho humano virou personagem de “Carta de Maria” e “Ouro de Tolo”. Marina interagiu com a figura até rasgá-la durante a música de separação, num dos momentos visuais mais comentados da noite.
Céu apareceu depois para “Varanda Suspensa” e “Malemolência”. Marina retomou sozinha músicas como “Por Supuesto” e “Mágico”, até fechar com “Desmitificar”, quando derrubou o pedestal do microfone em meio às guitarras.
Zara Larsson faz verão debaixo de chuva
Zara Larsson fechou o Sunset já perto da meia-noite diante de um público que permaneceu no espaço apesar da chuva contínua. A sueca levou um espetáculo visualmente inspirado no verão, com cores fortes e até golfinhos infláveis, num contraste direto com o tempo na Cidade do Rock.
Acompanhada por uma banda formada apenas por mulheres, Zara percorreu “Midnight Sun”, “Never Forget You”, “Symphony” e outros sucessos com vocais majoritariamente ao vivo. Um fã também foi chamado ao palco para dançar, reforçando o tom festivo de uma apresentação que funcionou como o encerramento pop do Sunset.
Outros palcos atravessam samba, funk e eletrônica
Carol Biazin marcou a programação do Sunset com Joyce Alane, num encontro entre pop, R&B e a nova MPB. No Espaço Favela, Marvvila iniciou o dia com pagode, seguida por Suel, enquanto Dennis fechou o palco com funk. O Supernova reuniu AR Baby, Bruna Black, Sant e Lourena, e o Global Village recebeu Kynnie, Lucy Alves e Haley Smalls.
A música eletrônica continuou depois dos shows principais. Dawn Patrol, Illusionize e Roddy Lima prepararam a pista do New Dance Order para John Summit, que assumiu o encerramento da programação na madrugada.
Festival já confirma volta em 2028
A organização anunciou antes mesmo do último show que o Rock in Rio retornará em setembro de 2028. Segundo a Rock World, mais de 700 mil pessoas passaram pela Cidade do Rock ao longo dos sete dias da edição de 2026.
Roberta Medina também avaliou positivamente a estreia de uma programação dedicada ao K-pop e afirmou que o gênero deverá continuar presente na próxima edição. Antes disso, a Rock World realiza o The Town em São Paulo nos dias 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2027.