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Globoplay corta crítica à direita no Rock in Rio após exibir ataques a Lula em Barretos
Bis tirou Supercombo do ar durante discurso político, duas semanas após Globo transmitir xingamento na Festa do Peão
Fala política sai da transmissão
A transmissão do show do Supercombo no Rock in Rio saiu do ar no sábado (5/9) justamente quando o vocalista Leo Ramos iniciou um discurso contra a extrema direita. O Canal Bis, cujo sinal também era exibido pelo Globoplay, deixou o Palco Supernova durante a manifestação, mostrou imagens da Cidade do Rock e passou para a apresentadora Xan Ravelli. Menos de um minuto depois, voltou à banda, quando a fala política já havia terminado.
O que Leo Ramos disse?
“Esse ano é ano de eleição. É o seguinte: dia 4 de outubro a gente precisa varrer a extrema direita desse país”, declarou o cantor depois de “Amianto”. O músico também defendeu mudanças no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF).
“A gente também, urgente, precisa fazer uma manutenção no Congresso, no STF, na p*rra toda”, prosseguiu o vocalista. Durante a fala, ele citou o empresário Daniel Vorcaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). “Essa galera precisa ir embora.”
Deu “problema” no áudio
Enquanto Ramos ainda falava, o áudio do palco foi reduzido e a transmissão passou a uma imagem aérea do festival. Xan Ravelli apareceu em seguida e disse que a equipe estava “resolvendo algumas questões”, antes de comentar a programação do New Dance Order.
“A gente vai voltar pro Supercombo, porque o show continua”, avisou. Quando a imagem retornou ao Supernova, a manifestação já havia acabado.
Bis nega veto editorial
O corte provocou acusações de censura nas redes sociais. A Central Supercombo, fã-clube dedicado à banda, publicou uma nota de repúdio e afirmou que não aceitaria que “fragilizem o exercício da democracia”. A mensagem terminou com “Censura nunca mais”.
O Canal Bis apresentou outra explicação. Em nota enviada à imprensa, afirmou que ocorreu “uma oscilação passageira de sinal de fibra óptica na mesa técnica externa” e negou qualquer intervenção ou veto editorial relacionado ao discurso.
A coincidência entre a falha e a manifestação política, entretanto, é factual.
Barretos teve tratamento diferente
O episódio chama atenção pelo contraste com outra transmissão recente do Grupo Globo. Em 22 de agosto, durante o show de Gusttavo Lima na Festa do Peão de Barretos, parte da plateia iniciou um coro com um xingamento explícito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação foi transmitida ao vivo pela TV Globo, Multishow e Globoplay, sem interrupção do sinal. Gusttavo Lima não aderiu aos gritos nem comentou o episódio e prosseguiu normalmente com a apresentação.
A situação se repetiu em outros momentos da edição de Barretos.
Dois protestos, duas transmissões
Nos dois casos, a manifestação política surgiu dentro de uma apresentação musical transmitida ao vivo pelo Grupo Globo.
Em Barretos, um coro ofensivo contra Lula chegou integralmente ao público da emissora. No Rock in Rio, a transmissão deixou o palco enquanto Leo Ramos criticava a extrema direita, o Congresso e o STF, com apoio evidente da plateia, e só retornou depois do fim da fala.
Aberto para posicionamentos
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.
A Central Supercombo vem, por meio deste, REPUDIAR a censura que a banda @Supercombo sofreu ao vivo na transmissão de seu show no Rock in Rio pelo Canal Bis.
Não aceitaremos, nunca, que fragilizem o exercício da democracia.
Afaste de nós esse cálice.
CENSURA NUNCA MAIS 🚩 pic.twitter.com/As3rBYkp09— Central Supercombo 🦀 (@centralspcb) September 6, 2026