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Maroon 5 fecha sábado com chuva de hits no Rock in Rio
Demi Lovato recebeu Pabllo Vittar, enquanto Daniela Mercury transformou “Dark Horse” em sátira política no Sunset
Sábado vai do pop à política
O sábado (12/9) do Rock in Rio espalhou por seus palcos muito pop, reggaeton, funk, forró, música baiana, folk britânico e eletrônica. Demi Lovato dividiu “Cool for the Summer” com Pabllo Vittar, J Balvin chamou Pedro Sampaio e Melody, João Gomes levou frevo e maracatu ao Sunset, o encontro de Gilsons com Daniela Mercury e Olodum transformou “Dark Horse” em sátira política, Timbalada armou um Carnaval no Espaço Favela e Alok transformou o festival em rave. Atração principal, Maroon 5 encerrou o Palco Mundo literalmente sob uma chuva de hits.
“Dark Horse” vira sátira no Sunset
O momento político mais explícito aconteceu durante o encontro de Gilsons, Daniela Mercury e Olodum. Uma atriz vestida como um cavalo preto entrou no palco e disparou notas de dinheiro cenográficas para a plateia, numa referência direta a “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro cujo financiamento está sob investigação da Polícia Federal. Nas cédulas aparecia a frase “proteja a democracia”.
Daniela publicou depois o vídeo da performance e escreveu: “Um Dark Horse invadiu nosso palco no Rock in Rio e distribuiu notas de dinheiro. Vamos proteger a nossa democracia e a nossa soberania”. O episódio entrou no meio de um show voltado à música baiana, com tambores, samba-reggae, axé e repertórios das diferentes gerações reunidas no Sunset.
João Gomes leva Pernambuco ao festival
João Gomes transformou sua passagem pelo Sunset numa celebração da cultura pernambucana antes mesmo de subir ao palco. Um cortejo atravessou a Cidade do Rock com frevo, maracatu, pernas de pau, estandartes e bonecos gigantes de Luiz Gonzaga, Chico Science e do próprio cantor enquanto J Balvin ainda se apresentava no Mundo.
No palco, o repertório foi além do piseiro que o tornou conhecido. “Dengo” e “Pulando Etapas” dividiram espaço com referências a Geraldo Azevedo, Flávio José e outros nomes da música nordestina. O maestro Spok apareceu em “Frevo Mulher”, enquanto sanfonas e percussões conduziram a apresentação por xote, baião e frevo.
“Por mais que seja o Rock in Rio, temos nossa cultura para mostrar a vocês”, afirmou João. “As Quatro Estações” fechou o repertório, mas o cortejo continuou com frevo e maracatu mesmo depois do encerramento oficial do show.
Demi encerra show com Pabllo Vittar
Demi Lovato retomou o dance-pop no Palco Mundo com músicas do álbum “It’s Not That Deep” (2025) e sucessos de diferentes fases da carreira. “Heart Attack”, “Confident”, “Tell Me You Love Me”, “Stone Cold” e “Sorry Not Sorry” provocaram alguns dos maiores coros da noite. A cantora apostou mais em voz, coreografias e interação direta do que numa montagem visual de grandes dimensões.
A participação de Pabllo Vittar, antecipada pela passagem de som realizada pela manhã, ficou para o encerramento. A brasileira entrou em “Cool for the Summer”, transformando uma das músicas mais conhecidas de Demi no principal encontro pop do sábado.
Pabllo já havia declarado nos últimos dias que uma colaboração com Demi era um sonho. O dueto concretizou esse encontro num repertório que marcou a volta da americana ao pop dançante depois de fases mais próximas do pop rock.
J Balvin abre espaço para brasileiros
J Balvin fez do Brasil uma parte recorrente de seu show. Começou com “Mi Gente” e logo emendou “Bola Rebola”, parceria originalmente gravada com Anitta e MC Zaac. O repertório também passou por “Ginza”, “Ay Vamos”, “Amarillo”, “Morado”, “I Like It” e outros sucessos responsáveis pela expansão internacional do reggaeton.
O excesso de participações reproduzidas em playback reduziu a energia de alguns trechos, principalmente nas músicas gravadas originalmente com outros artistas. O show ganhou outra dinâmica quando Pedro Sampaio apareceu pessoalmente para “Perversa”.
Melody entrou logo depois para “JETSKI”, reunindo os três artistas no palco. Balvin ainda incluiu referências ao funk brasileiro antes de anunciar que retornará ao país em 2027 para nova apresentação em São Paulo.
Pedro Sampaio transforma Mundo em baile
Pedro Sampaio abriu o Palco Mundo diante de uma área já bastante ocupada e levou para o festival o espetáculo “ABRAÇA!”, com dançarinos, estruturas de palco inspiradas em sofás e um repertório sustentado principalmente pelo funk. “POCPOC”, “Galopa”, “No Chão Novinha” e “Joga pra Lua” estiveram entre as faixas que fizeram a pista assumir clima de baile.
O DJ também misturou suas músicas a referências de outros repertórios brasileiros. A proposta funcionou menos como adaptação do funk ao formato do Rock in Rio do que como ocupação integral do palco principal por uma linguagem que durante muitos anos ficou restrita às áreas secundárias dos grandes festivais.
Maroon 5 aposta no repertório conhecido
O Maroon 5 encerrou o Palco Mundo sem tentar reinventar o formato que consolidou sua relação com o público brasileiro. Adam Levine e a banda encadearam “This Love”, “She Will Be Loved”, “Animals”, “One More Night” e “Moves Like Jagger” num show apoiado quase inteiramente na nostalgia dos fãs por uma carreira de mais de 20 anos.
Sem dar espaço para o álbum mais recente, “Love Is Like” (2025), a apresentação preferiu a segurança do catálogo conhecido, com arranjos próximos das turnês anteriores e interação constante de Levine com a plateia. Uma chuva fina acompanhou parte do show, que durou cerca de 1h45. Ela começou durante “Don’t Wanna Know”, momento em que o vocalista tirou a regata e a jogou para a plateia. “Girls Like You” e “Moves Like Jagger” prepararam o bis, encerrado com “Payphone” e “Sugar”.
Mumford & Sons oferece contraste no Sunset
Enquanto o Mundo concentrava o pop, o Mumford & Sons fechou o Sunset com uma apresentação de perfil mais contido. Banjo, violões e arranjos folk conduziram músicas como “Little Lion Man”, “The Cave”, “Rushmere” e “I Will Wait”.
O público era menor que o reunido diante dos grandes nomes do Mundo, mas acompanhou as músicas de forma constante sob a chuva fina. A atmosfera acústica ofereceu um contraste direto com a produção dançante que dominava outros pontos da Cidade do Rock.
Criolo conecta Brasil e Cabo Verde
Criolo abriu a programação do Sunset ao lado de Amaro Freitas e Dino D’Santiago num show que cruzou rap, jazz, samba, MPB, frevo, afrobeat e funaná. A formação evitou a lógica de cantor principal com convidados e funcionou como encontro musical efetivo entre os três.
“Oceano”, de Djavan, ganhou uma leitura coletiva, enquanto “Não Existe Amor em SP” voltou a produzir um dos maiores coros do repertório de Criolo. O encerramento com “Anoitecer” aproximou referências a Milton Nascimento e Cabo Verde.
A Timbalada transformou o Espaço Favela num Carnaval fora de época com timbaus, samba-reggae, capoeiristas, coreografias e um pequeno trio elétrico. “Beija-Flor”, “Água Mineral”, “Na Ilha Grande”, “Maimbê Dandá” e “A Roda” apareceram ao lado de releituras de músicas de outros artistas.
Denny Denan e Buja Ferreira também prestaram homenagem a Carlinhos Brown, criador do grupo, enquanto imagens de diferentes formações da Timbalada apareciam no palco. A apresentação reforçou a presença baiana num sábado em que Daniela Mercury, Gilsons e Olodum também passaram pela programação.
Milo J estreia no Brasil
O argentino Milo J começou sua primeira apresentação brasileira diante de um público relativamente pequeno no Supernova, mas viu a área crescer ao longo do show. Aos 19 anos, o cantor alternou trap com violões, percussões e referências da música tradicional argentina.
Muitos fãs acompanharam as letras, antecipando a sequência de apresentações que Milo ainda fará em São Paulo.
DJ com síndrome de Down faz história
Outro marco aconteceu fora dos palcos principais. João Pedro Rocha, o DJ JP, de 23 anos, tornou-se o primeiro DJ com síndrome de Down a se apresentar na história do Rock in Rio. Ele tocou no Artist Village, espaço voltado a artistas, convidados e profissionais do festival, pouco mais de um ano depois de iniciar a carreira profissional.
“Eu nunca poderia imaginar que um dia eu chegaria ao Rock in Rio, convidado para um trabalho como este, que vai mostrar meu trabalho para tanta gente. E também de como ser uma pessoa com Síndrome de Down não me impede de fazer o que eu quiser”, declarou antes da apresentação.
Alok fecha a noite em família
A noite avançou por uma madrugada eletrônica com narrativa familiar. Bhaskar, irmão gêmeo de Alok, abriu o New Dance Order. Depois de Adam Sellouk e Gabe, Ekanta e Swarup, pais dos dois DJs e nomes pioneiros do psytrance brasileiro, assumiram a pista à meia-noite.
Alok encerrou a programação às 1h30 com “Rave the World”, projeto baseado na improvisação de parte do repertório de acordo com a resposta do público. O encontro reuniu no mesmo palco diferentes gerações para mostrar que rave também pode ser um programa de família.