
Divulgação/ITV
Ator de “Doctor Who” é acusado de crimes sexuais contra cinco mulheres
Acusações contra Noel Clarke envolvem agressão sexual, voyeurismo e exposição indecente entre 2007 e 2016
Seis acusações
Noel Clarke, que ficou conhecido mundialmente por sua participação na série “Doctor Who”, foi formalmente acusado nesta quarta-feira (9/9) de seis crimes sexuais contra cinco mulheres no Reino Unido. O ator e cineasta de 50 anos responderá por duas acusações de agressão sexual, três de voyeurismo e uma de exposição indecente por episódios que teriam ocorrido entre 2007 e 2016. A promotoria britânica autorizou a abertura do processo após analisar as provas reunidas pela Polícia Metropolitana de Londres.
Investigação começou em 2025
A investigação criminal que resultou nas acusações começou em setembro de 2025. Clarke foi preso em 25 de setembro daquele ano e posteriormente liberado enquanto os policiais continuavam a apuração. O material reunido foi encaminhado ao Crown Prosecution Service (CPS), responsável por decidir se havia base para levar o caso à Justiça.
Bethan David, vice-chefe da promotoria de Londres, afirmou que os investigadores reuniram elementos suficientes para o processo. “Nossos promotores trabalharam para estabelecer que há provas suficientes para levar este caso ao tribunal e que é do interesse público fazê-lo”, declarou. Clarke deverá comparecer ao Tribunal de Magistrados de Westminster em 21 de outubro.
O que aconteceu em 2021?
As primeiras acusações públicas contra Clarke surgiram em abril de 2021, quando uma investigação de repórteres do The Guardian reuniu relatos de 20 mulheres que haviam trabalhado com o ator. Elas descreveram episódios de assédio sexual, toques sem consentimento, intimidação, comentários de teor sexual e gravações de imagens íntimas sem autorização. Clarke negou as acusações e qualquer irregularidade criminal.
A repercussão provocou o afastamento imediato do ator de diferentes projetos. A BAFTA suspendeu sua filiação e o prêmio de Contribuição Britânica Excepcional ao Cinema que havia concedido semanas antes. A Sky interrompeu trabalhos com Clarke, enquanto a ITV retirou da programação o último episódio da série “Viewpoint”.
A Polícia Metropolitana avaliou as denúncias em 2022, mas decidiu naquele momento que as informações disponíveis não atingiam o patamar necessário para abrir uma investigação criminal. Ele anunciou que processaria todo mundo pelo prejuízo em sua carreira. O cenário mudou três anos depois, quando uma nova investigação começou em setembro de 2025 e culminou nas seis acusações anunciadas agora.
Derrota judicial antecedeu acusações
Pouco antes da abertura da investigação policial, Clarke sofreu uma derrota importante na tentativa de contestar as denúncias. Ele havia processado o Guardian por difamação, sustentando que as reportagens eram falsas e resultado de uma conspiração. Em agosto de 2025, após um julgamento de seis semanas, a Alta Corte britânica rejeitou a ação e considerou que o jornal demonstrou tanto a veracidade substancial das reportagens quanto o interesse público de sua publicação.
A juíza Karen Steyn concluiu ainda que Clarke não era uma testemunha confiável e considerou substancialmente verdadeiras as acusações centrais analisadas no processo civil. No mês seguinte, ele foi condenado a pagar inicialmente £ 3 milhões pelos custos jurídicos do Guardian. O atual processo criminal é distinto daquela disputa e se concentra nas acusações relacionadas a outras mulheres.
Quem é Noel Clarke?
Noel Clarke ganhou projeção na televisão britânica como Mickey Smith em “Doctor Who”, papel que interpretou por cinco anos, entre 2005 e 2010. Enquanto estava na série, consagrou-se como cineasta, ao escrever e estrelar “Juventude Rebelde” (2006), conhecido originalmente como “Kidulthood”. Considerado um retrato realista e impactante da juventude de periferia britânica, o filme foi premiado no BIFA (premiação britânica de cinema independente) e se tornou cult. O sucesso rendeu duas continuações com os mesmos personagens: “Adulthood” (2008) e “Brotherhood” (2016).
A carreira como roteirista se fortaleceu com a trilogia, rendendo diversos outros filmes, incluindo o drama “Fast Girls – Garotas Velozes” (2012) e a ficção científica “Storage 24” (2012), que ele também estrelou. Em Hollywood, Clarke integrou o elenco de “Além da Escuridão – Star Trek” (2013), de J.J. Abrams, e apareceu no cult “Caçadora de Gigantes” (2017), ao lado de Madison Wolfe, Zoë Saldaña e Imogen Poots.
Ele também cocriou e estrelou a série policial “Bulletproof” (2018), ao lado de Ashley Walters. Em 2009, venceu o prêmio de Estrela em Ascensão da BAFTA e, em 2021, o prêmio de Contribuição Britânica Excepcional ao Cinema, posteriormente suspenso pela Academia Britânica após a publicação das primeiras denúncias de abuso.