
Divulgação/AppleTV
Michael J. Fox relata piora do Parkinson, mas vê ciência perto da cura
Ator recebe prêmio por ativismo e diz que ciência em meio ao agravamento da doença
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Doença ficou mais difícil
Michael J. Fox reconheceu que os efeitos do Parkinson se agravaram depois de mais de três décadas convivendo com a doença, mas mantém uma visão otimista sobre os avanços científicos. “É claro que as coisas ficaram mais difíceis ao longo dos anos”, afirmou o astro de “De Volta para o Futuro” à revista People nesta quarta-feira (9/9). Aos 65 anos, ele enfrenta tremores e problemas de equilíbrio, mas diz concentrar sua energia na busca por tratamentos melhores e uma cura.
O que sustenta a esperança?
A confiança de Fox vem dos resultados acumulados pela pesquisa nos últimos anos. “A ciência está mostrando que estamos chegando perto”, afirmou. O ator destacou o aumento no número de descobertas, novos medicamentos para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e ferramentas que aceleram o desenvolvimento de terapias. A declaração não significa que já exista uma cura disponível, mas reflete a mudança de perspectiva provocada por avanços na compreensão biológica do Parkinson.
Um dos principais saltos ocorreu em 2023, quando pesquisadores ligados à Michael J. Fox Foundation validaram um biomarcador capaz de detectar a alfa-sinucleína anormal, proteína associada à doença, no líquido cefalorraquidiano de pessoas vivas e até antes do aparecimento dos sintomas motores. Em 2026, o grande estudo mantido pela entidade passou a se chamar Parkinson’s Precision Medicine Initiative, refletindo a tentativa de identificar diferentes perfis biológicos da doença para desenvolver tratamentos mais específicos.
Fundação recebe reconhecimento
As declarações acompanham a escolha de Fox para o Lasker-Bloomberg Public Service Award de 2026. A Fundação Lasker destacou o ator por usar sua projeção pública para combater o estigma associado ao Parkinson, ampliar a participação de pacientes nas pesquisas e acelerar a busca por melhores terapias e uma cura.
Fox começou a apresentar sintomas aos 29 anos, no início dos anos 1990, mas só tornou o diagnóstico público em 1998. Dois anos depois, criou a Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research, que já destinou mais de US$ 3 bilhões a pesquisas e se tornou a maior financiadora filantrópica mundial de estudos sobre a doença. Dezenas de terapias apoiadas pela organização encontram-se atualmente em diferentes etapas de investigação.
A entidade também mantém a campanha plurianual “All Grit. No Quit.”, com meta de US$ 2,5 bilhões para financiar novas pesquisas. Até agora, foram arrecadados cerca de US$ 1,59 bilhão. Fox afirma que pretende continuar trabalhando na fundação enquanto a doença permitir: “Vamos continuar até que o trabalho esteja concluído”.
Volta à atuação
O avanço do Parkinson não impediu Fox de retomar a carreira neste ano. Depois de se afastar novamente da atuação em 2020 por dificuldades para memorizar textos e suportar jornadas longas de gravação, ele participou da 3ª temporada de “Falando a Real”, da Apple TV, como Gerry, personagem que também vive com Parkinson. O trabalho rendeu uma nova indicação ao Emmy.
A participação colocou Fox diante de Harrison Ford, cujo personagem Paul Rhodes também enfrenta a doença na série. O ator afirmou que o papel permitiu incorporar ao trabalho sua condição real em vez de tentar escondê-la e já manifestou interesse em voltar na 4ª temporada.