
YouTube/LastWeek Tonight
John Oliver zoa Lula, Flávio e Dark Horse em especial sobre eleição brasileira
Apresentador contextualiza 8 de janeiro, ironiza a malhação de Lula e dedica boa parte do “Last Week Tonight” aos escândalos de Flávio Bolsonaro
Brasil é assunto do Last Week Tonight
John Oliver dedicou o principal bloco do mais recente episódio do “Last Week Tonight” às eleições brasileiras. Durante cerca de 25 minutos, o apresentador tentou explicar ao público internacional como o país voltou a uma disputa entre Lula e um Bolsonaro, desta vez Flávio, enquanto alternava contexto político, piadas e um alerta explícito sobre o que considera estar em jogo na eleição.
Trumpismo ganha “versão em português”
Oliver começou voltando a 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Jair Bolsonaro por margem estreita. Em seguida, recuperou a ida do então presidente para a Flórida, os ataques de 8 de janeiro de 2023 e a condenação posterior de Bolsonaro pela tentativa de golpe. Ao comparar a sequência com Donald Trump e a invasão do Capitólio, resumiu a semelhança dizendo que a história não se repete, mas às vezes “ganha dublagem em português”.
O apresentador também abordou a interferência de Trump a favor do ex-presidente brasileiro, incluindo as tarifas de 50% impostas ao Brasil durante o julgamento de Bolsonaro. Na leitura de Oliver, a pressão americana acabou ajudando Lula politicamente ao permitir que ele respondesse com um discurso de defesa da soberania nacional.
Lula também vira alvo das piadas
O programa não poupou o atual presidente. Oliver comparou Lula a Joe Biden pelo desgaste provocado pela idade e pela imagem de político do establishment. Mas destacou que Lula faz algo que teria ajudado muito a melhorar a imagem de Biden. Ele mostrou o presidente do Brasil se exercitando aos 80 anos.
O apresentador, porém, ironizou as gravações como uma espécie de tentativa geriátrica de sedução e lembrou que, apesar dos melhores índices recentes de desemprego, o custo de vida continua entre as principais preocupações do eleitorado.
Flávio ganha análise dura
O tom leve mudou quando o programa chegou a Flávio Bolsonaro. Oliver contrapôs a tentativa do candidato de se vender como uma versão mais moderada e “vacinada” do pai a declarações anteriores sobre a ditadura militar, falas homofóbicas e alianças com lideranças da direita internacional.
Ele também destacou que as eleições no Brasil poderiam ter um desfecho muito ruim para o resto do mundo, caso o filho do presidente que governou o país durante o período de maior devastação na história da Amazônia vencesse, e alertou que as pesquisas estão indicando empate técnico.
Dark Horse é eviscerado
Boa parte do bloco foi reservada para “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel (“A Paixão de Cristo”). Oliver exibiu imagens, zoou o sotaque forçado do ator num filme falado em inglês, o figurino, a caracterização e o baixo orçamento, mergulhando ainda no roteiro para ridicularizar diálogos e a representação heroica do ex-presidente. “Chamar este filme de arte é esticar o termo além do limite”, declarou.
A produção também serviu para introduzir o escândalo de financiamento que atingiu Flávio. Documentos e mensagens revelaram negociações do senador com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para viabilizar milhões de dólares destinados ao longa. Flávio reconheceu a negociação, mas negou favorecimento político ou irregularidades.
Oliver questionou para onde teria ido o dinheiro, diante do trailer que considerou mostrar um filme barato, e explorou a ironia de o lançamento ter sido adiado para depois da eleição. Em sua leitura, Flávio acabou ficando com o desgaste do escândalo sem receber o benefício eleitoral que uma cinebiografia favorável ao pai poderia produzir.
Programa deixa posição clara sobre Flávio
Apesar de distribuir piadas para os dois principais candidatos, Oliver não escondeu seu favorito na disputa. Ele afirmou que uma vitória de Flávio Bolsonaro não seria “nada boa”, chamou o candidato de “um b*sta perigoso chamado Bolsonaro” e disse considerar preocupante a possibilidade de retorno da família ao comando do país.
O apresentador destacou ainda a promessa de Flávio de perdoar o pai caso seja eleito e descreveu a família como movida por desejo de vingança. No encerramento, contrapôs o discurso de Lula às campanhas de medo e aos “problemas com o papai” que atribuiu à candidatura de Flávio. “Espero que, no próximo domingo, a mensagem de resistência e exercícios de Lula acabe ganhando muito mais força que o alarmismo de Flávio”, concluiu.
HBO Max disponibilizou o episódio
Há uma diferença importante em relação à eleição passada: o episódio foi imediatamente disponibilizado no Brasil pela HBO Max, ao contrário do que aconteceu quando Jair Bolsonaro estava no poder.
Em 2022, a HBO Max retirou do catálogo brasileiro o episódio em que John Oliver desceu a lenha em Jair Bolsonaro às vésperas da eleição. Na época, a Warner Bros. Discovery afirmou que atrasaria a disponibilização para “manter isonomia e evitar parcialidade”, porque não havia programas equivalentes sobre os outros candidatos. Especialistas em direito eleitoral disseram que não existia impedimento legal para a exibição e se tratou de autocensura.
Quatro anos depois, com Lula na presidência, a HBO não viu o mesmo problema e o programa pôde chegar normalmente ao streaming nacional.
O vídeo também pode ser visto por não assinantes da HBO de graça no YouTube, mas sem legendas em português.