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Hollywood tem melhor bilheteria de verão desde 2013
Cinemas dos EUA e Canadá arrecadaram US$ 4,61 bilhões, alta de 26%, impulsionados por terror, desenhos, Odisseia e Homem-Aranha
Bilheteria cresce 26%
Hollywood encerrou seu melhor verão desde 2013. Os cinemas dos Estados Unidos e Canadá arrecadaram US$ 4,61 bilhões entre 1º de maio e 31 de agosto, alta de 26,1% em relação à bilheteria do mesmo período de 2025, segundo dados da Rentrak divulgados pela Reuters e pela Associated Press.
O que puxou a recuperação?
O resultado não veio apenas de franquias estabelecidas. “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, “A Odisseia”, “Toy Story 5”, filmes de terror de baixo orçamento e produções associadas diretamente a cineastas específicos ajudaram a ampliar o público.
Em valores nominais, 2026 superou todos os verões recentes com exceção de 2013. Entretanto, quando os valores são corrigidos pela inflação e consideram o número efetivo de ingressos vendidos, o mercado ainda permanece abaixo dos níveis anteriores à pandemia.
Tom Holland e Christopher Nolan
“A Odisseia”, de Christopher Nolan, aproxima-se de US$ 1,6 bilhão mundialmente. O desempenho reforçou a capacidade do cineasta de atrair espectadores por seu próprio nome e transformou uma adaptação de uma das obras mais antigas da literatura num dos maiores blockbusters do ano.
A produção também impulsionou as sessões em 70 mm e as telas de grande formato. Em julho, a IMAX registrou seu melhor mês da história, com US$ 257 milhões em vendas globais.
Já “Homem-Aranha: Um Novo Dia” alcançou US$ 2,34 bilhões e também tornou-se a segunda maior bilheteria da história da América do Norte sem correção inflacionária, a duas semanas de superar “Star Wars: O Despertar da Força”. O filme estrelado por Tom Holland também virou a maior bilheteria da história da Sony Pictures.
Animações viram blockbusters
O mercado de animações foi o que trouxe mais contribuições para a soma global. “Toy Story 5” foi um dos maiores sucessos da temporada, com US$ 479 milhões nos Estados Unidos e Canadá e cerca de US$ 1,14 bilhão no mundo. Além disso, a Disney também faturou com uma versão live-action de seu desenho clássico “Lilo & Stitch” que rendeu US$ 416,2 milhões no mercado doméstico e US$ 1 bilhão mundialmente.
A Universal também contribuiu com dois fenômenos, “Super Mario Galaxy – O filme” e “Minions & Monstros”, da Illumination. Embora o primeiro tenha estreado em abril, antes do início oficial da temporada de verão, continuou em cartaz no período e encerrou sua trajetória com mais de US$ 1 bilhão mundialmente. Foi o primeiro lançamento de 2026 a ultrapassar essa marca.
Já o novo filme dos “Minions” não teve o mesmo desempenho e arrecadou cerca de US$ 183 milhões no mercado doméstico, resultado considerado abaixo do potencial da franquia, mas atingiu US$ 513 milhões mundiais.
Jovens diretores viram fenômeno
Dois dos casos mais surpreendentes vieram do terror e de cineastas formados inicialmente no YouTube. “Backrooms: Um Não-Lugar”, da A24, dirigido por Kane Parsons aos 21 anos, arrecadou US$ 394,1 milhões no mundo com orçamento de US$ 10 milhões.
“Obsessão”, comandado por Curry Barker, de 26 anos, ultrapassou US$ 500 milhões mundialmente apesar de ter custado menos de US$ 1 milhão. O desempenho colocou o filme entre as produções mais rentáveis dos últimos anos.
Enquanto isso, marcas tradicionais oscilaram. “Star Wars: O Mandalorian e Grogu” encerrou sua passagem pelos cinemas com US$ 345,4 milhões, o remake em live-action de “Moana” terminou com US$ 315,4 milhões e “Supergirl” somou US$ 126,4 milhões globalmente.
Geração Z volta às salas
Durante o verão norte-americano, o público entre 14 e 29 anos tornou-se a faixa que mais frequenta cinemas. Dados da Cinema United apontam que a geração Z foi às salas em média 6,1 vezes em 2025, contra 4,9 no ano anterior.
A retomada também contraria previsões de que jovens habituados ao streaming e às redes sociais abandonariam definitivamente o hábito de assistir a filmes fora de casa.
Além disso, mulheres também voltaram com força para assistir sucessos como “Michael” (US$ 372 milhões domésticos e US$ 1 bilhão mundial), cinebiografia de melhor bilheteria de todos os tempos, e “O Diabo Veste Prada 2” (US$ 220 milhões e US$ 692 milhões).
Produção ainda não voltou ao normal
Apesar do crescimento, os grandes estúdios lançaram apenas 34 filmes em circuito amplo durante todo o verão, dois a mais que no ano passado, mas ainda abaixo dos 44 de 2019. A indústria continua absorvendo os efeitos da pandemia e das greves de roteiristas e atores de 2023.
Paul Dergarabedian, responsável por tendências de mercado da Rentrak, calculou para a Associated Press que a bilheteria doméstica pode ultrapassar US$ 10 bilhões no acumulado de 2026, patamar que não é atingido desde 2019.
“Vingadores: Doutor Destino” e “Duna: Parte Três”, ambos previstos para dezembro, são apontados como os principais motores para manter o ritmo no fim do ano.