
Divulgação/Disney
Guia da Pipoca: Toy Story 5 e as estreias de streaming da semana
Programação também inclui "American Horror Story 13" na Disney+ e a primeira série jurídica nacional da Netflix
O Guia da Pipoca apresenta os 10 principais títulos que chegam ao streaming nos próximos dias. Os destaques da semana incluem lançamentos da Netflix, Prime Video, Disney+, HBO Max, MGM+ e Apple TV, incluindo a aguardada estreia no streaming de “Toy Story 5”. Entre as séries, os destaques são terrores, comédias e dramas criminais, incluindo a primeira produção jurídica nacional da Netflix. Confira mais detalhes.
HOJE
📺 AMERICAN HOSTAGE | MGM+
Em 1977, Tony Kiritsis sequestrou seu corretor de hipoteca em Indianápolis, amarrou uma espingarda serrada ao pescoço dele e exigiu falar ao vivo numa estação de rádio. O impasse, que durou 63 horas, transforma uma história real quase esquecida num thriller em que o jornalismo deixa de observar o acontecimento para se tornar parte dele.
Jon Hamm (“Mad Men”) interpreta Fred Heckman, diretor de jornalismo da WIBC que aceita colocar o sequestrador no ar e passa a negociar com ele diante dos ouvintes. Giovanni Ribisi (“Sneaky Pete”) vive Kiritsis, enquanto Kristoffer Polaha (“Condor”) é Dick Hall, o refém. Mireille Enos (“The Killing”) e William Jackson Harper (“The Good Place”) completam o elenco.
A reconstrução encontra sua melhor tensão no dilema jornalístico: desligar o microfone poderia custar uma vida, mantê-lo aberto transforma crime em espetáculo. A produção evita depender apenas da excentricidade do caso e concentra o conflito na relação construída entre repórter e sequestrador.
Criada por Eileen Myers (“Amor Imenso”) e o veterano Shawn Ryan (“The Shield”), a série adapta um podcast dramatizado que já contava com Hamm no papel principal. As primeiras críticas foram imensamente favoráveis, com 90% de aprovação no Rotten Tomatoes.
📺 YOUTH | HBO Max
Sharon Horgan transformou casamento, maternidade e famílias disfuncionais em matéria-prima para “Catastrophe”, “Motherland” e “Bad Sisters”. Agora, a roteirista e atriz chega aos 50 como quem entra numa nova adolescência: divorciada, sexualmente ativa, cercada por pais envelhecendo e um filho que deveria estar deixando de depender dela.
Horgan interpreta Alex, agente literária londrina que tenta reconstruir a vida amorosa enquanto cuida dos pais e lida com o retorno do filho Ruari, vivido por Aran Murphy. Rupert Friend (“Homeland”) aparece como Patrick, um homem mais jovem que entra nessa reorganização afetiva. Sharlene Whyte (“Small Axe”) e Robbie Gee (“Snatch”) integram o núcleo familiar.
O título parte da ideia de que os 50 seriam a juventude da velhice, e Horgan usa a contradição para fazer uma história de amadurecimento quando a sociedade pressupõe que o amadurecimento já terminou. As primeiras críticas destacaram justamente essa recusa em transformar menopausa e envelhecimento feminino em derrota. A crítica se apaixonou, com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes.
📺 OUTLANDER: BLOOD OF MY BLOOD 2 | Disney+
A guerra finalmente alcança o prelúdio de “Outlander”. Depois de apresentar como os pais de Claire e Jamie se apaixonaram em épocas diferentes, a 2ª temporada coloca os quatro protagonistas diante da Rebelião Jacobita de 1715, conflito que dividiu os clãs escoceses e reorganizou alianças, famílias e casamentos.
Harriet Slater e Jamie Roy voltam como Ellen MacKenzie e Brian Fraser, agora separados pela guerra, enquanto Hermione Corfield e Jeremy Irvine vivem Julia e Henry Beauchamp, casal do século 20 lançado no passado pelas pedras de Craigh na Dun. Henry tenta retornar à própria época, mas a viagem fracassa e volta a separá-lo da mulher, enquanto Ellen precisa decidir como proteger o Clã MacKenzie das consequências da rebelião.
A série continua fazendo o que diferencia este derivado de uma simples história de origem: coloca dois romances em paralelo para mostrar como acontecimentos de gerações anteriores moldam personagens que o público já conhece. A repetição de separações amorosas começa a revelar a engrenagem melodramática, mas o pano de fundo histórico aumenta a escala da trama e dá aos conflitos familiares consequências políticas.
QUARTA
📺 HABEAS CORPUS | Netflix
O primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix se inspira no trabalho do Innocence Project Brasil, organização dedicada a investigar condenações injustas. Em vez de copiar o modelo americano de advogados brilhantes vencendo casos semanais, a produção parte de um problema mais próximo: quem consegue corrigir um erro quando o próprio sistema já decidiu que um inocente é culpado?
Marjorie Estiano (“Sob Pressão”) vive Inez, ex-advogada criminalista e professora de Direito que cria um grupo de revisão criminal com seus alunos. O primeiro caso envolve um jovem que pode estar preso injustamente. Any Gabrielly (“Tudo Igual… SQN”) interpreta Marina, a estudante mais talentosa do grupo, cuja ligação com a professora e com uma injustiça do passado transforma a investigação em assunto pessoal. Vladimir Brichta (“Justiça”) também integra o elenco.
Luiz Villaça (“45 do Segundo Tempo”) divide a criação com Leonardo Moreira (“Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente”) e Donna Oliveira (“Sintonia”), combinando investigação, tribunal, drama social e melodrama ao longo de oito episódios. A escolha é adequada ao contexto: uma história brasileira sobre erro judicial dificilmente poderia ignorar classe, raça, acesso desigual à defesa e a dificuldade de convencer instituições a admitir que falharam.
🎞️ A HIPÓTESE DO AMOR | Prime Video
Antes de virar best-seller, o romance de Ali Hazelwood nasceu de uma fanfic sobre Rey e Kylo Ren, de “Star Wars”. Mas em vez de lutas de sabres de luz numa galáxia muito distante, a trama se revela bem mais mundana: uma comédia romântica com personagens de jalecos, doutorado e uma quantidade considerável de química em duplo sentido.
Lili Reinhart (“Riverdale”) interpreta Olive, doutoranda em Biologia que beija impulsivamente Adam, professor conhecido pelo comportamento intimidador, vivido por Tom Bateman (“Assassinato no Expresso do Oriente”). O improviso serve para convencer uma amiga de que Olive superou um antigo interesse amoroso e acaba virando um relacionamento de fachada conveniente para os dois.
Claire Scanlon (“The People We Hate at the Wedding”) dirige a adaptação sem tentar esconder as raízes de fanfic nem a previsibilidade do romance. Esse é justamente o contrato com o público do livro: personalidades opostas, proximidade forçada e atração evidente antes que os personagens admitam o óbvio. A tarefa do filme não é descobrir se os dois ficarão juntos, mas convencer que vale a pena acompanhar o clichê até sua conclusão.
🎞️ TOY STORY 5 | Disney+
A Pixar encontrou um adversário que ameaça os brinquedos de forma mais convincente que qualquer vilão: uma tela. Andrew Stanton (“WALL-E”) transforma o tablet que monopoliza a atenção das crianças no novo conflito de uma franquia que começou em 1995, quando o maior concorrente de Woody ainda era outro brinquedo.
A chegada de Lilypad, tablet em forma de sapo com voz de Greta Lee (“Vidas Passadas”), muda a rotina de Bonnie e coloca Jessie, Woody e Buzz diante da possibilidade de se tornarem irrelevantes. Joan Cusack, Tom Hanks e Tim Allen voltam às vozes originais do trio principal de brinquedos, enquanto o roteiro desloca parte da atenção para a própria criança e sua relação cada vez mais mediada por tecnologia.
O 5º filme poderia facilmente existir apenas porque a marca continua rentável, mas encontrou um conflito que conversa diretamente com a infância atual. A crítica respondeu bem à ideia: 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, além de 94% entre o público. A franquia envelheceu bem – e até Woody aparece calvo na história – e continua relevante para as crianças de todas as idades.
📺 BROTHERS | Apple TV
A piada nasceu fora do roteiro. Matthew McConaughey e Woody Harrelson, que filmaram juntos “True Detective”, são amigos há décadas e já disseram publicamente que existe uma possibilidade real de serem meio-irmãos, depois que a mãe de McConaughey revelou ter conhecido o pai de Harrelson. A Apple transforma essa dúvida biológica numa comédia em que os dois interpretam versões exageradas de si mesmos.
Na história, Woody leva a família para o rancho de Matthew no Texas depois que o casamento da filha desmorona. A convivência sai do controle quando a mãe de Matthew, interpretada por Holland Taylor (“The Morning Show”), deixa escapar o segredo de que os amigos talvez compartilhem o mesmo pai. Enquanto Woody tenta descobrir a verdade, Matthew enfrenta outra crise fictícia: considera concorrer ao governo do Texas.
A proposta pertence à linhagem de comédias em que celebridades desmontam a própria imagem pública. Aqui, a brincadeira ganha material extra porque a amizade, o rumor familiar e o desejo político são reais, enquanto a série embaralha deliberadamente onde termina a biografia e começa a invenção. Lee Eisenberg (“The Office”) comanda a produção de oito episódios, com os próprios atores entre os produtores executivos.
QUINTA
📺 MEUS MORTOS TRISTES | Netflix
O cineasta chileno Pablo Larraín (“Spencer”, “Maria Callas”) troca os personagens históricos de seus últimos filmes pelos fantasmas da argentina Mariana Enriquez, uma das principais vozes do horror latino-americano contemporâneo. A minissérie de quatro episódios combina personagens e situações de quatro contos da autora para transformar sobrenatural, violência urbana e memória numa mesma história.
Mercedes Morán (“O Reino”) interpreta Ema, médica recém-aposentada que convive desde jovem com a capacidade de ver os mortos. Sua rotina muda com a chegada da sobrinha Julie, vivida por Dolores Fonzi (“Blondi”), e com o assassinato de três adolescentes no bairro onde mora. Quando as vítimas começam a aparecer diante dela, as manifestações sobrenaturais ligam a violência recente a fantasmas que a comunidade preferia esquecer.
Mariana Enriquez participa da produção ao lado de Larraín, preservando uma ideia recorrente em sua literatura: fantasmas são menos assustadores que aquilo que os produziu. Mortos violentamente, abandonados ou esquecidos, voltam porque existe uma dívida social com eles. A produção teve sua estreia mundial na competição oficial do Festival de San Sebastián, apresentada em versão de longa-metragem antes de chegar dividida em episódios ao streaming.
📺 AMERICAN HORROR STORY 13 | Disney+
Depois de 12 temporadas construídas sobre a ideia de histórias autocontidas, Ryan Murphy e Brad Falchuk fazem o movimento contrário: a 13ª transforma a antologia num grande continuação e crossover de sua própria história. Casas assombradas, bruxas, hotéis, assassinos e personagens de diferentes fases voltam a coexistir numa temporada que usa o número 13 como superstição e desculpa para mexer no arquivo da série.
Jessica Lange retorna após oito anos para reviver Constance Langdon, de “Murder House”, Irmã Jude, de “Asylum”, Fiona Goode, de “Coven”, e Elsa Mars, de “Freak Show”. A atriz deixou o elenco regular após a 4ª temporada e só havia retornado como convidada em “Apocalypse”, em 2018. Mas ela não é a única com diversos papéis, nem a mais versátil. Sarah Paulson interpretará seis personagens diferentes ao longo dos novos episódios, enquanto Evan Peters retomará cinco.
O ponto de entrada para quem não acompanhou tudo é Ben DeSoto, novo personagem vivido por Joey Pollari (“Love, Simon”), cuidador de pacientes terminais que entra nesse universo pela mão de Constance.
SEXTA
🎞️ UNABOMBER | Netflix
A história de Ted Kaczynski costuma começar na cabana de Montana onde o FBI prendeu o terrorista responsável por uma campanha de bombas que matou três pessoas e feriu quase duas dezenas. O filme de Janus Metz (“Borg vs. McEnroe”) volta mais longe, aos anos de Harvard, e coloca no centro os controversos experimentos psicológicos dos quais o futuro Unabomber participou quando ainda era um adolescente prodígio.
Jacob Tremblay (“O Quarto de Jack”) interpreta o protagonista, enquanto Russell Crowe (“Kraven, o Caçador”) vive Henry Murray, psicólogo que submeteu estudantes a interrogatórios agressivos para estudar reações ao estresse. Paralelamente, outra linha narrativa acompanha a caçada do FBI, conduzida no filme pela agente fictícia Joanne Miller, papel de Shailene Woodley (“Big Little Lies”).
A estrutura oferece uma explicação dramaticamente sedutora para a transformação de um estudante brilhante em terrorista, mas exige cuidado histórico. Kaczynski realmente participou dos experimentos, considerados antiéticos pelos padrões atuais, porém não existe relação causal estabelecida entre eles e seus crimes posteriores. É justamente nessa fronteira entre biografia e interpretação que o filme encontra seu material mais provocador.