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Foo Fighters fecha primeira noite de Rock in Rio com Nirvana e música inédita no Brasil
Dave Grohl resgatou “Marigold”, homenageou Taylor Hawkins e mudou o roteiro para atender pedido por “Exhausted”
Duas horas sem desperdício
O Foo Fighters encerrou a 1ª noite do Rock in Rio na madrugada deste sábado (5/9) com quase duas horas de show e 19 músicas no Palco Mundo. Dave Grohl avisou que o tempo de festival era menor que o das apresentações próprias da banda e tratou de comprimir o repertório: “All My Life”, “The Pretender” e “Times Like These” abriram a apresentação em sequência, seguidas por clássicos como “My Hero”, “Learn to Fly”, “These Days” e “Walk”.
O que há por trás de “Marigold”?
O mergulho mais distante no passado ocorreu com “Marigold”. Antes de tocá-la, Grohl lembrou que sua primeira visita ao Brasil aconteceu em 1993, quando ainda era baterista do Nirvana, e observou que a composição era ainda mais antiga. “Essa é para os antigos fãs do Nirvana”, anunciou. A música nasceu no começo daquela fase de sua carreira, quando ele morava com Kurt Cobain em um pequeno apartamento em Olympia, no estado de Washington, e começava a registrar suas próprias composições às escondidas.
Grohl já contou que gravou uma primeira versão em volume baixo para não acordar Cobain, que dormia no quarto ao lado. O vocalista do Nirvana acabou ouvindo a música e os dois chegaram a tocá-la juntos no apartamento. Intitulada originalmente “Color Pictures of a Marigold”, a faixa saiu em 1992 na fita “Pocketwatch”, lançada por Grohl sob o pseudônimo Late!. No ano seguinte, ele a regravou durante as sessões de “In Utero”, com Krist Novoselic no baixo. Creditada ao Nirvana, “Marigold” virou lado B do single “Heart-Shaped Box”. Anos depois, o Foo Fighters também registrou a composição ao vivo no álbum “Skin and Bones” (2006).
Pedido na grade muda o roteiro
A outra raridade da madrugada surgiu de forma menos planejada. Depois de “Best of You”, quando o repertório caminhava para o encerramento, Grohl percebeu um cartaz na grade pedindo “Exhausted”. O cantor localizou o fã, comentou o pedido e decidiu incluir a música do álbum de estreia “Foo Fighters” (1995). Segundo ele, a faixa nunca havia sido tocada no Brasil. “Essa vai para os fãs ‘old school’”, disse antes de atendê-lo.
A escolha levou o show novamente ao início da trajetória do grupo. “Exhausted” pertence ao disco que Grohl gravou praticamente sozinho depois do fim do Nirvana, tocando quase todos os instrumentos antes mesmo de o Foo Fighters ganhar sua primeira formação. No Rock in Rio, a música apareceu imediatamente antes de “Everlong”, fazendo a reta final saltar do primeiro álbum para um dos maiores sucessos da banda.
Outro momento dedicado à memória veio com “Aurora”. Grohl voltou a oferecer a faixa de “There Is Nothing Left to Lose” (1999) a Taylor Hawkins, morto em março de 2022. O baterista tinha uma ligação particular com a composição, que se tornou uma homenagem recorrente nos shows do Foo Fighters. A lembrança também carrega um capítulo brasileiro: Hawkins morreu dois dias antes da apresentação que a banda faria no Lollapalooza Brasil daquele ano. O show foi cancelado e o grupo só voltou ao país em 2023, no The Town.
Novo baterista muda a formação
A apresentação também marcou a estreia brasileira de Ilan Rubin com o Foo Fighters. O ex-integrante do Nine Inch Nails assumiu a bateria em 2025, após a saída de Josh Freese, e desde então passou a ocupar também parte dos vocais de apoio. No Palco Mundo, ganhou espaço próprio durante “Monkey Wrench”, uma das músicas em que sua entrada na banda ficou mais evidente.
Rubin participa do capítulo atual do grupo ao lado de Grohl, Pat Smear, Chris Shiflett, Nate Mendel e Rami Jaffee. Ele também gravou “Your Favorite Toy”, 12º álbum de estúdio do Foo Fighters, lançado em abril e primeiro trabalho da banda com o novo baterista.
Apesar de a turnê divulgar esse disco, o repertório do Rock in Rio praticamente deixou o álbum de lado. Apenas “Window” representou “Your Favorite Toy” entre as 19 músicas. Grohl chegou a ensinar o coro da faixa para a plateia, num contraste com clássicos reconhecidos imediatamente por dezenas de milhares de pessoas.
Clássicos dominam o show
A concentração no catálogo antigo também respondeu ao perfil da plateia. Em determinado momento, Grohl perguntou quem assistia ao Foo Fighters ao vivo pela primeira vez e recebeu uma quantidade expressiva de braços levantados. O repertório atravessou principalmente “The Colour and the Shape” (1997), “There Is Nothing Left to Lose” (1999), “One by One” (2002) e “Wasting Light” (2011).
A seleção permitiu encaixar “Stacked Actors”, “Breakout”, “Monkey Wrench” e “Wheels” entre músicas mais óbvias como “My Hero”, “Learn to Fly”, “Best of You” e “Everlong”. As longas jams e apresentações de integrantes habituais na turnê foram reduzidas para acomodar mais músicas.
Terceira passagem pelo festival
O show foi a 3ª apresentação do Foo Fighters no Rock in Rio. A banda estreou no festival em 2001 e voltou em 2019. Entre as duas últimas passagens pela Cidade do Rock, retornou ao Brasil em 2023 para o The Town, em São Paulo, e para uma apresentação em Curitiba.
A próxima visita já está marcada. O grupo volta ao país com a “Take Cover Tour” em fevereiro de 2027, com shows em 18 de fevereiro na Arena MRV, em Belo Horizonte, e no dia 20 no MorumBIS, em São Paulo.
O que o Foo Fighters tocou?
O repertório da madrugada reuniu 19 músicas:
- “All My Life”
- “The Pretender”
- “Times Like These”
- “Rope”
- “Stacked Actors”
- “My Hero”
- “Learn to Fly”
- “These Days”
- “Walk”
- “Wheels”
- “Marigold”
- “Monkey Wrench”
- “Breakout”
- “Window”
- “The Sky Is a Neighborhood”
- “Aurora”
- “Best of You”
- “Exhausted”
- “Everlong”