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Felipe Folgosi espalha fake news sobre vacina: “Crime contra a humanidade”
Ex-ator da Globo afirma falsamente que imunizantes contra covid não foram testados e seriam terapia genética
Ator questiona vacinação contra Covid
Felipe Folgosi espalhou informações falsas sobre as vacinas contra a Covid-19 durante participação no SiiLA NXT Podcast. Conhecido principalmente por novelas da Globo nos anos 1990, o ator questionou a segurança dos imunizantes, afirmou que eles não teriam sido devidamente testados e rejeitou até mesmo classificá-los como vacinas.
O que Felipe Folgosi disse?
Ao falar sobre a pandemia, Folgosi afirmou que a discussão sobre imunização foi politizada e alegou que o site da Moderna apresentava sua tecnologia como terapia genética. Também disse que se tratava de “algo que não foi testado”.
O ator ainda afirmou ter sido pressionado a receber diferentes imunizantes e disse que não os considera vacinas. “Me forçaram a injetar no meu corpo várias tecnologias, porque não chamo de vacina, vacina é outra coisa. E você vai viver debaixo de uma sombra de uma potencial doença”, declarou. Ao atacar a campanha de imunização, classificou a situação como “crime contra a humanidade”.
Vacinas passaram por testes clínicos
A alegação de que as vacinas contra a Covid-19 não foram testadas é falsa. Os imunizantes passaram por ensaios clínicos antes de receber autorização das agências reguladoras e continuaram submetidos a monitoramento de segurança após o início da aplicação em larga escala.
No caso específico da Moderna, citado por Folgosi, a Anvisa informa que a versão original da Spikevax teve segurança e eficácia demonstradas inicialmente num estudo clínico de fase 3. A agência aponta eficácia de 93,2% naquele estudo e registra que dados clínicos, não clínicos, de produção e de uso real foram avaliados nas autorizações posteriores da vacina.
A rapidez com que os primeiros imunizantes foram desenvolvidos também não significa que a tecnologia tenha surgido durante a pandemia. Pesquisas com RNA mensageiro já eram conduzidas havia décadas e envolviam, antes da Covid-19, estudos para doenças como gripe, raiva, zika e citomegalovírus.
Vacina de mRNA não é terapia genética
Também é falsa a afirmação de que as vacinas de RNA mensageiro da Moderna e da Pfizer sejam terapias genéticas. A Agência Europeia de Medicamentos diferencia explicitamente as duas tecnologias e afirma que vacinas contra doenças infecciosas não são classificadas como terapia genética porque não têm como objetivo restaurar, corrigir ou modificar genes humanos.
O RNA mensageiro usado nos imunizantes leva temporariamente às células instruções para produzir uma proteína capaz de provocar uma resposta do sistema imunológico. Ele não entra no núcleo celular, onde está o DNA, e é posteriormente degradado pelo organismo.
A própria Moderna já explicou que terapia genética e tecnologia de mRNA seguem princípios diferentes. Enquanto uma terapia genética busca alterar informação genética para tratar uma doença, a vacina fornece uma instrução transitória sem modificar o DNA da pessoa vacinada.
Imunização evitou milhões de mortes
A afirmação de Folgosi sobre uma ameaça provocada pelas vacinas também ignora o impacto medido da imunização durante a pandemia. Um estudo publicado em 2022 na revista científica “The Lancet Infectious Diseases” estimou que as vacinas evitaram 19,8 milhões de mortes em 185 países e territórios apenas durante o primeiro ano de aplicação.
O cálculo foi feito a partir de um modelo que comparou a mortalidade observada com o cenário estimado sem vacinação. Os pesquisadores calcularam que, considerando o excesso de mortalidade, a imunização reduziu em aproximadamente 63% o número potencial de mortes no período analisado.
h2>De onde vem a teoria?
A ideia de que as vacinas de mRNA seriam, na realidade, uma forma de terapia genética começou a circular com força entre grupos antivacina ainda no início da campanha contra a Covid-19 e foi amplificada por redes sociais, sites dedicados à desinformação e influenciadores conservadores. Em agosto de 2021, por exemplo, o apresentador americano Joe Rogan afirmou em seu podcast que os imunizantes da Pfizer e da Moderna seriam “realmente terapia genética”, declaração posteriormente desmentida por especialistas.
A narrativa integra um conjunto de argumentos associados ao negacionismo vacinal que se espalhou durante a pandemia. Estudos sobre desinformação identificam entre essas estratégias a rejeição de evidências consolidadas, o uso seletivo de informações e a transformação de dúvidas legítimas sobre tecnologias novas em alegações que permanecem sendo repetidas mesmo depois de contraditas por evidências e dados disponíveis.
Quem é Felipe Folgosi?
Felipe Folgosi estreou na Globo na minissérie “Sex Appeal” (1993), produção que também revelou nomes como Luana Piovani, Carolina Dieckmann, Camila Pitanga e Danielle Winits. No mesmo ano, ganhou projeção como Alef, protagonista de “Olho no Olho”, novela de Antônio Calmon em que interpretava um jovem com poderes paranormais.
O ator passou posteriormente por outras emissoras e participou da 5ª temporada de “A Fazenda”. Nos últimos anos, também passou a trabalhar como roteirista e autor de histórias em quadrinhos.