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Instagram/Ed Sheeran

Música|16 de setembro de 2026

Como Ed Sheeran implodiu turnê ao minimizar liberdade de expressão e massacre palestino

Todos os artistas de abertura abandonaram a “Loop Tour” após a saída de Macklemore, inclusive Finneas, escalado para os shows no Brasil


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Turnê perde todos os artistas de abertura
2 Como o discurso virou uma crise?
3 Resposta de Ed Sheeran aumenta reação
4 Finneas também abandona shows no Brasil
5 Outros artistas se voltam contra Sheeran
6 Roger Waters chama Sheeran de “babaca”

Turnê perde todos os artistas de abertura

A retirada de Macklemore da “Loop Tour” após manifestações pró-Palestina desencadeou uma crise que deixou Ed Sheeran sem nenhum dos artistas escalados para abrir seus próximos shows. Finneas, Lukas Graham e Aaron Rowe abandonaram a turnê em solidariedade ao rapper. Para piorar, até a banda irlandesa Beoga, que acompanhava Sheeran no palco, também decidiu deixar a equipe.

Como o discurso virou uma crise?

O conflito começou nos shows de 4 e 5 de setembro no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Macklemore gritou “Palestina livre”, afirmou que as populações de Gaza e da Cisjordânia ocupada não haviam sido esquecidas e apresentou “Hind’s Hall” diante de imagens da destruição em Gaza.

As manifestações provocaram uma campanha do Israeli-American Council pela retirada do rapper. Robert Kraft, proprietário do New England Patriots e do Gillette Stadium, onde Sheeran se apresenta neste mês, também recusou a presença de Macklemore. Kraft afirmou que não cederia espaço ao que considerava discurso antissemita e de ódio. Macklemore rejeitou essa interpretação e sustenta que suas críticas são dirigidas ao governo e às ações militares de Israel, não aos judeus.

A Messina Touring Group confirmou posteriormente que vários estádios avisaram que não receberiam a turnê enquanto Macklemore permanecesse na programação. O rapper estava escalado para 8 dos 10 shows restantes nos Estados Unidos e acabou retirado para evitar o cancelamento dessas apresentações.

Resposta de Ed Sheeran aumenta reação

Sheeran se manifestou na terça-feira (15/9) para afirmar que não tomou a decisão. Segundo o cantor, ele passou dias tentando mediar conversas entre promotores, proprietários de estádios, Macklemore e representantes dos dois lados da discussão, mas a decisão dos locais e da produtora foi definitiva.

O britânico também explicou que prefere não transformar seus shows em espaço para posicionamentos políticos. Disse que mantém opiniões pessoais sobre a guerra, mas considera sua plataforma profissional um ambiente de música, segurança e união para um público de diferentes origens.

A tentativa de se afastar da decisão acabou produzindo o efeito contrário entre os artistas ligados à turnê. Poucas horas depois da manifestação, começaram as desistências coletivas.

Finneas também abandona shows no Brasil

Aaron Rowe foi um dos primeiros a sair. O cantor irlandês afirmou que Sheeran é seu amigo e teve papel importante em sua carreira, mas disse que não poderia permanecer numa turnê em que bilionários, segundo sua avaliação, estariam usando poder econômico para silenciar manifestações sobre a Palestina. Ele também relacionou sua decisão à história da Irlanda com fome, ocupação e colonialismo.

Lukas Graham seguiu o mesmo caminho e defendeu o direito dos artistas de falar sobre guerra, civis mortos e crianças atingidas por conflitos. Pouco depois, Finneas anunciou que também deixaria todas as seis apresentações que faria na América do Sul. “Artistas não devem ser silenciados quando se manifestam em defesa dos oprimidos”, escreveu o irmão de Billie Eilish. “Estou ao lado da Palestina e de seu povo.”

A decisão atinge diretamente o Brasil. Finneas estava anunciado como atração de abertura dos dois shows de Ed Sheeran no Nubank Parque, em São Paulo, nos dias 5 e 6 de dezembro. O músico, produtor e principal colaborador de Billie Eilish subiria ao palco às 19h30, antes da apresentação do britânico.

A Beoga foi além. A banda irlandesa, amiga e colaboradora de Sheeran há mais de uma década, também abandonou a turnê e afirmou que não poderia tocar em estádios que impedissem artistas de defender uma “Palestina livre”. O grupo é a própria banda de apoio do cantor, o que ampliou a crise para além das atrações de abertura.

Outros artistas se voltam contra Sheeran

A reação ultrapassou os músicos envolvidos na turnê. O Garbage classificou a retirada de Macklemore como “loucura” e afirmou que nada do que ele disse no palco era violento ou justificaria censura. Kneecap, Zara Larsson, Paloma Faith e CMAT também manifestaram apoio ao rapper e à causa palestina.

O ator espanhol Javier Bardem (“Onde os Fracos Não Têm Vez”) anunciou “boicote ativado” contra Sheeran. Outros artistas e ativistas passaram a questionar a defesa de neutralidade do cantor, lembrando que ele participou anteriormente de campanhas públicas de apoio à Ucrânia.

Também houve reação no sentido oposto. P!nk criticou partes do discurso de Macklemore e afirmou que sua preocupação estava relacionada ao impacto desse tipo de retórica sobre judeus. O Israeli-American Council igualmente sustenta que a controvérsia não se resume a críticas ao governo israelense e acusa o rapper de ultrapassar a fronteira entre posicionamento político e antissemitismo.

Roger Waters chama Sheeran de “babaca”

A manifestação mais agressiva veio de Roger Waters, cofundador do Pink Floyd e ativista histórico da causa palestina. Em vídeo publicado nesta quarta-feira (16/9), ele abriu sua mensagem com a provocação “Ed Who?” e dividiu as pessoas entre aquelas que, em sua opinião, “fazem a coisa certa” e as que fazem a errada.

Waters colocou Macklemore no primeiro grupo e Sheeran no segundo. Ao se dirigir diretamente ao cantor, quase usou um palavrão, interrompeu a frase e terminou chamando-o de “little prick” — algo como “babaca”, em tradução livre — antes de encerrar abruptamente o vídeo.

A “Loop Tour” continua oficialmente marcada para retomar sua etapa americana no sábado (19/9), na Filadélfia, e os dois shows brasileiros permanecem programados para dezembro. O que desapareceu, em poucos dias, foi toda a estrutura de artistas anunciada para acompanhar Sheeran. O cantor ainda pode fazer shows solo para seus fãs.

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