
Divulgação/Go Up Entertainment
Dark Horse: delação confirma US$ 12,3 milhões em fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro
Mineiro afirma que fez 7 transferências a pedido de Daniel Vorcaro entre fevereiro e setembro de 2025, contradizendo Flávio Bolsonaro
Sete repasses entram na delação
A colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, confirma sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, a pedido de Daniel Vorcaro. Os pagamentos ocorreram entre fevereiro e setembro de 2025. A informação foi revelada por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura, de O Globo. O fundo, usado no financiamento de “Dark Horse”, é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Rota já aparecia em documentos
Os sete repasses completam uma sequência que até agora aparecia de forma fragmentada na investigação. O Intercept Brasil havia revelado um comprovante de US$ 2 milhões enviados pela Entre Investimentos e Participações ao Havengate em 14 de fevereiro de 2025. Mais recentemente, um relatório do Coaf obtido pela revista piauí mostrou um pagamento de US$ 1,66 milhão em 16 de setembro, que elevou o total conhecido para US$ 12,3 milhões. A delação agora confirma que foram sete operações e atribui todas elas a ordens de Vorcaro.
A Entre pertence a Mineiro e já havia sido apontada pela Polícia Federal como um braço operacional usado para executar repasses definidos pelo ex-controlador do Banco Master. Na colaboração com a PGR, o empresário também relatou outras operações a pedido de Vorcaro, entre elas obtenção e entrega de grandes quantias em dinheiro vivo. Mineiro, porém, afirma não saber qual foi o destino final dado pelo banqueiro a esses valores.
Flavio Bolsonaro teria mentido
A origem do dinheiro ganhou outra dimensão quando mensagens reveladas pelo Intercept mostraram que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro um investimento de US$ 24 milhões, então equivalente a cerca de R$ 134 milhões, dividido em 14 parcelas. Seis pagamentos realizados entre fevereiro e maio somavam US$ 10,6 milhões.
O candidato do PL à Presidência afirmou posteriormente à GloboNews que o último pagamento de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025. Entretanto, um novo pagamento ocorreu oito dias depois de Flávio cobrar Vorcaro para que continuasse honrando os compromissos financeiros com “Dark Horse”. Mensagens também indicam uma tentativa de novo repasse em outubro.
A afirmação sobre o fim dos pagamentos acrescentou outra contradição ao histórico de versões de Flávio sobre sua relação com Vorcaro. Quando o Intercept revelou a negociação do financiamento, em maio, o senador inicialmente chamou a informação de “mentira” e negou os vínculos com o banqueiro. Horas depois, após a publicação de áudios das conversas, admitiu que havia buscado recursos para o filme.
Ele também prometeu a seu partido, o PL, pelo qual concorre à Presidente, que não haveria outras surpresas no caso. Entretanto, o pagamento em setembro agora desmente sua afirmação anterior de que os valores eram apenas os somados até maio.
O que a PF tenta esclarecer?
A Polícia Federal e a PGR investigam se todo o dinheiro enviado ao Havengate foi efetivamente empregado na produção de “Dark Horse” ou se parte dos recursos bancou despesas de Eduardo Bolsonaro ou de outro aliado de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos. O delator diz desconhecer a destinação final das remessas.
O calendário dos pagamentos colocou essa hipótese sob investigação. Eduardo se mudou para os Estados Unidos em fevereiro de 2025, mesmo mês do primeiro repasse conhecido ao Havengate. Um contrato assinado pelo então deputado em janeiro de 2024 também o colocava como produtor-executivo de “Dark Horse” e previa sua participação, ao lado de Mário Frias, em decisões sobre orçamento e captação de recursos para o longa.
Delação ainda depende do STF
Mineiro fechou o acordo de colaboração com a PGR em agosto, mas sua validade ainda depende de homologação do Supremo Tribunal Federal. Uma audiência para verificar a voluntariedade, a regularidade e a legalidade do acordo estava marcada para as 14h desta terça-feira (8/9) no gabinete de André Mendonça, relator das investigações do Banco Master.
A colaboração é a segunda firmada pela PGR no caso. A primeira foi fechada com João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, gestora que administrava fundos usados em operações relacionadas a Vorcaro. Os dois acordos foram encaminhados a Mendonça.
Mendonça afasta cúpula da PF
No mesmo dia em que o conteúdo dos sete pagamentos veio a público e Mineiro tinha audiência prevista no gabinete do relator, Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
Mendonça atribuiu formalmente os afastamentos a outro episódio: a produção e divulgação de relatórios de inteligência da PF que, segundo ele, constituíram monitoramento ilegal de sua atuação e da atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias. Esses documentos foram usados por Alexandre de Moraes para questionar a condução de inquéritos por Mendonça, inclusive no caso Master.
A decisão de afastamento se soma a questionamentos sobre partidarismo da investigação. Mendonça priorizou até o momento denúncias contra Fábio Luís Lula da Silva, o senador Jaques Wagner e seu colega Alexandre Moraes, mas não aparenta agilizar da mesma forma investigações em relação a integrantes da oposição ao governo Lula.
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