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Anitta é coroada rainha e tem samba derrotado na mesma noite na Grande Rio
Cantora assumiu posto à frente da bateria, mas composição feita com Arlindinho e outros parceiros perdeu a final para samba de Derê
Noite teve coroação e derrota
Anitta viveu duas situações opostas na mesma noite na Grande Rio. A cantora foi oficialmente coroada rainha de bateria da escola no domingo (20/9), em Duque de Caxias, mas horas depois viu ser derrotado o samba que havia composto para o Carnaval 2027. A agremiação escolheu outra obra entre as quatro finalistas.
Qual samba venceu?
A Grande Rio escolheu a composição de Derê, Licinho Jr., Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Igor Federal e Gustavo Clarão. O samba vai embalar o enredo “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, sobre africanos libertos que retornaram do Brasil para a região da atual Gana.
Anitta concorria ao lado de Igor Leal, Arlindinho, Fred Camacho, Fabian Juarez e Diego Nicolau. Antes do resultado, a cantora havia pedido que sua posição como nova rainha não interferisse na escolha. “Hoje eu quero que ganhe o melhor para a escola e para o desfile. Vou ficar muito feliz se o meu samba ganhar. Quero que a comunidade torça pelo que mais gosta e que vença o melhor”, declarou.
Anitta já venceu outra disputa de samba
A derrota interrompeu a possibilidade de Anitta chegar à Sapucaí em dupla função, como rainha de bateria e uma das compositoras do samba oficial. A participação na disputa não era apenas uma atração ligada à sua chegada à Grande Rio. Em 2025, ela já havia vencido uma seleção de samba-enredo.
Na ocasião, Anitta integrou a parceria que criou o samba escolhido pela Unidos da Tijuca para “Logun-Edé: Santo Menino que Velho Respeita”. A obra foi assinada também por Feijão, Diego Nicolau, Fred Camacho, Estêvão Ciavatta, Miguel Pinto Guimarães e Luiz Antonio Simas.
Desta vez, sua composição chegou até a última etapa. O grupo de Anitta estava entre as quatro parcerias que disputaram a final na quadra da Grande Rio, mas a escola optou pela obra liderada por Derê.
Coroa veio das mãos de pioneira
Antes da definição do samba, Anitta recebeu a coroa das mãos de Eloína dos Leopardos, apontada como a primeira rainha de bateria do Carnaval carioca. Travesti, transformista e ex-vedete, Eloína ocupou o posto na Beija-Flor a partir de 1976 e se tornou uma referência histórica da função.
“Foi uma grande surpresa e acho que faz todo sentido. Eloína foi a primeira travesti que se colocou nesse lugar e abriu a porta não só para outras travestis, mas também para uma visibilidade artística”, explicou Anitta sobre a escolha.
A cerimônia também recuperou “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”, samba com que a Grande Rio conquistou seu primeiro título no Grupo Especial em 2022. Anitta chorou durante a coroação e definiu a chegada ao posto como a realização de um desejo antigo. “É um sonho meu desde criança. Fiquei muito emocionada, muito feliz”, afirmou.
Cantora promete permanecer enquanto for aceita
Anitta sucede Virginia Fonseca, que deixou o posto depois do Carnaval 2026. A cantora afirmou que pretende manter a função enquanto tiver o apoio da comunidade da escola.
“Uma coisa é encher a quadra com meus fãs, que vão me acompanhar por onde eu for. Outra coisa é o pessoal que vem para a comunidade sempre, independentemente da minha presença ou não”, declarou. “São essas pessoas que fazem a diferença no desfile. Quem tem que estar feliz são essas pessoas.”
A cantora também disse ter procurado aulas específicas de samba após receber o convite. Ela treinou com Mayara Lima, da Paraíso do Tuiuti, Belinha Delfim, da Viradouro, e Ana Flávia, do Salgueiro, e afirmou querer aprender também com Evelyn Bastos, da Mangueira, e Gaby, da Mocidade.
Enredo acompanha retorno à África
“Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade” abordará a trajetória de africanos escravizados no Brasil que conquistaram a liberdade e fizeram o caminho de volta ao continente africano.
O grupo se estabeleceu principalmente na Costa do Ouro, atual Gana, onde seus descendentes ficaram conhecidos como Tabom ou Tabon. A Grande Rio relacionará essa história à ancestralidade, à reconstrução de identidades e ao processo que culminou na independência de Gana em 1957, primeira nação da África Subsaariana a se libertar do domínio colonial europeu.
A escola será a terceira a desfilar na terça-feira de Carnaval, 9 de fevereiro de 2027, entre a Viradouro e a Mangueira.