
Divulgação/Marvel
Yahya Abdul-Mateen II critica Marvel por cancelamentos de “Magnum” e “Blade”
Ator diz que estúdio deveria mudar a imagem criada pelo fim de projetos recentes estrelados por atores negros
Ator cobra mudança da Marvel
O ator Yahya Abdul-Mateen II (“Watchmen”) criticou a imagem deixada pela Marvel após o cancelamento de “Magnum”, série que protagonizou como Simon Williams, e o fim do projeto de “Blade” com Mahershala Ali. Questionado pela Vanity Fair sobre o apoio do estúdio a histórias negras e inclusivas, ele afirmou que Disney e Marvel deveriam tratar a questão como prioridade. “Eu acho que a imagem que passa é bem óbvia. Se eu sou um grande negócio, se eu sou a Disney, se eu sou a Marvel, eu não quero ser ligado a essa imagem”, disse.
O que Yahya cobra do estúdio?
Abdul-Mateen defendeu uma resposta baseada em novos investimentos. “Deveria ser uma prioridade mudar essa narrativa e fazer o que for possível para, de modo responsável, mudar essa narrativa com histórias de qualidade, com recursos de qualidade”, afirmou.
O ator considera que “Magnum” já reunia esses elementos, com história, recursos e elenco de qualidade, além de uma recepção que levou seu trabalho a uma indicação ao Emmy de Melhor Ator em Série de Comédia. Por isso, cobrou uma justificativa mais concreta para a decisão. “Nossa série merece algum estudo e uma informação real e palpável do porquê uma série como essa não poderia continuar”, declarou.
“Magnum” já tinha sido renovada
O cancelamento causou surpresa porque a Disney+ havia anunciado a renovação de “Magnum” para a 2ª temporada em março, cerca de dois meses após a estreia, mas voltou atrás em julho. Abdul-Mateen contou à Vanity Fair que recebeu como explicação uma questão relacionada à audiência, embora não tenha sido informado sobre quais números levaram à decisão.
Além disso, o cocriador e showrunner Andrew Guest afirmou que a continuação já avançava nos bastidores. Segundo ele, os contratos estavam assinados, as agendas tinham sido reservadas e a sala de roteiristas deveria começar a trabalhar em agosto, afastando também especulações de que conflitos de calendário teriam provocado o cancelamento.
Abdul-Mateen agradeceu aos espectadores após o anúncio e destacou a recepção da produção. “A série funcionou. E essa é a minha coisa favorita sobre isso tudo”, escreveu no Instagram.
“Blade” também chegou ao fim com Mahershala Ali
A discussão ganhou outra dimensão no mesmo período, quando Mahershala Ali confirmou que não faria mais “Blade”. O vencedor de dois Oscars havia sido anunciado como protagonista do filme em 2019, mas o projeto atravessou sete anos de trocas de diretores, reescritas e adiamentos sem chegar às filmagens.
Ali também responsabilizou a Marvel pela falta de avanço. “Vocês me tinham sob contrato. Eles têm bilhões de dólares. Se quisessem fazer o filme, teríamos feito. Então, não vamos fazer o filme”, afirmou em entrevista à GQ. O ator disse que já seguiu em frente, embora a Marvel não tenha anunciado oficialmente se pretende abandonar definitivamente o personagem ou desenvolver outra versão sem ele.
Protagonistas negros no MCU
A discussão levantada por Abdul-Mateen ocorre oito anos depois de “Pantera Negra” se tornar o primeiro filme do Marvel Studios protagonizado por um super-herói negro. O longa de 2018, estrelado por Chadwick Boseman, também fez história como a primeira produção de super-heróis indicada ao Oscar de Melhor Filme.
Nos anos seguintes, protagonistas ou coprotagonistas negros estiveram à frente de produções como “Falcão e o Soldado Invernal”, “Pantera Negra: Wakanda para Sempre”, “As Marvels”, “Capitão América: Admirável Mundo Novo”, “Coração de Ferro” e “Magnum”.
O que mudou? Neste meio tempo, Donald Trump voltou à Presidência dos Estados Unidos com uma agenda de combate às políticas de diversidade e ao que ele e seus aliados classificam como movimento “woke”, ofensiva que aumentou a pressão sobre iniciativas de inclusão também no setor privado.
A própria Disney reformulou seus programas de diversidade após a volta de Trump à Casa Branca, num momento em que várias grandes empresas americanas passaram a reduzir iniciativas de DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão).