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Divulgação/20th Century Fox

Filme|26 de agosto de 2026

Tim Curry, astro de “The Rocky Horror Picture Show”, morre aos 80 anos

Ator britânico também marcou gerações como Pennywise em “It: Uma Obra-Prima do Medo” e teve carreira de quase seis décadas


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Morte foi confirmada pela empresária
2 “Rocky Horror” virou fenômeno cult
3 Do interior da Inglaterra ao papel que mudou sua vida
4 Carreira avançou entre teatro, cinema e música
5 Pennywise assustou uma geração
6 Ator também foi referência em dublagem
7 AVC mudou os últimos anos da carreira

Morte foi confirmada pela empresária

Tim Curry, ator britânico eternizado como o Dr. Frank-N-Furter de “The Rocky Horror Picture Show” e o palhaço Pennywise de “It: Uma Obra-Prima do Medo”, morreu na terça-feira (25/8), aos 80 anos. Sua empresária e amiga de longa data, Marcia Hurwitz, informou que ele morreu em paz em sua casa em Toluca Lake, Los Angeles. A causa não foi divulgada. Curry enfrentava problemas de saúde desde um grave AVC sofrido em 2012.

“Rocky Horror” virou fenômeno cult

Nenhum papel marcou tanto sua carreira quanto o cientista sexualmente extravagante Frank-N-Furter, criado por Curry nos palcos londrinos em “The Rocky Horror Show” e levado por ele ao cinema em 1975. O filme de Jim Sharman, com Susan Sarandon, Barry Bostwick e Richard O’Brien, fracassou inicialmente, mas ganhou uma segunda vida nas sessões da meia-noite, com espectadores fantasiados, cantando, dançando e interagindo com a tela.

O próprio Curry percebeu desde o início que o personagem poderia persegui-lo pelo resto da carreira. “Parecia algo que poderia funcionar”, disse numa entrevista de 1975. “Eu hesitei porque, se funcionasse, talvez fosse uma imagem difícil de abandonar. Mas sempre achei que não valia a pena fazer alguma coisa a menos que você corresse um risco.”

Do interior da Inglaterra ao papel que mudou sua vida

Timothy James Curry nasceu em 19 de abril de 1946, em Cheshire, na Inglaterra. Filho de um capelão da Marinha Real britânica, perdeu o pai aos 12 anos e posteriormente mudou-se com a família para Londres. Estudou inglês e teatro na Universidade de Birmingham e iniciou a carreira profissional em 1968 na montagem londrina de “Hair”.

Foi durante “Hair” que conheceu Richard O’Brien, que trabalhava numa peça inspirada nos filmes B de terror e ficção científica. Curry se interessou pelo protagonista e fez o teste cantando “Tutti Frutti”, de Little Richard. O personagem, inicialmente imaginado como um cientista alemão de jaleco, ganhou com o ator o corpete, as meias arrastão e a voz afetada que definiriam Frank-N-Furter.

A montagem de “The Rocky Horror Show” estreou em Londres em 1973, passou por Los Angeles e chegou à Broadway antes de ganhar sua versão cinematográfica. Quando as sessões da meia-noite começaram a transformar o fracasso comercial num fenômeno cultural, Curry tornou-se o rosto de uma obra que atravessou décadas. Em 2005, ele disse à NPR que o filme permitia ao público “experimentar alguns papéis e talvez ajudar a descobrir a própria sexualidade”, acrescentando que havia recebido cartas de pessoas agradecendo pela ajuda para entender quem eram.

Carreira avançou entre teatro, cinema e música

O sucesso de Frank-N-Furter também abriu espaço para uma breve carreira musical. Curry lançou três discos de rock entre o fim dos anos 1970 e o início dos 1980, incluindo “Fearless” e “Simplicity”, enquanto continuava nos palcos. Em 1981, recebeu sua 1ª indicação ao Tony por interpretar Mozart em “Amadeus”, concorrendo com Ian McKellen, que vivia Salieri.

No ano seguinte, apareceu em “Annie” como Rooster Hannigan e recebeu uma indicação ao Olivier pela montagem londrina de “The Pirates of Penzance”.

Paralelamente, especializou-se em personagens excêntricos no cinema. Em 1985, teve dois papéis que reforçaram seu status cult: o Senhor das Trevas de “A Lenda”, fantasia dirigida por Ridley Scott, e o mordomo Wadsworth de “Os Sete Suspeitos”, comédia baseada no jogo de tabuleiro “Detetive”, que também fracassou inicialmente nos cinemas antes de virar febre em VHS.

Curry brincava que ele e Eric Idle se cumprimentavam dizendo “mordomos e vilões”, referência ao destino comum de atores britânicos em Hollywood. “O fato é que os vilões sempre são muito mais bem escritos que os mocinhos, e são meio irresistíveis de interpretar”, explicou.

Pennywise assustou uma geração

Em 1990, Curry ganhou outro personagem definitivo ao interpretar Pennywise em “It: Uma Obra-Prima do Medo”, adaptação televisiva do livro de Stephen King. Exibida em duas partes nos Estados Unidos, a produção foi acompanhada por mais de 37 milhões de lares e transformou sua versão do palhaço assassino numa das imagens mais reconhecíveis do terror televisivo.

O diretor Tommy Lee Wallace contou anos depois que preferiu dar liberdade ao ator. “Meu trabalho era dar o palco a Tim e não atrapalhar muito. Ele era como Robin Williams na maneira como trazia uma improvisação espontânea para o papel.”

No mesmo período, Curry apareceu em “Caçada ao Outubro Vermelho” como o médico soviético Dr. Petrov, seguido pelo concierge desconfiado do Hotel Plaza em “Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York”, de 1992. Em 1993, viveu o cardeal Richelieu em “Os Três Mosqueteiros” e recebeu sua 2ª indicação ao Tony pelo musical “My Favorite Year”.

Ator também foi referência em dublagem

Durante os anos 1990, Curry ampliou seu trabalho como dublador. Sua voz apareceu em séries, animações, filmes e videogames, e a interpretação do Capitão Gancho em “Peter Pan e os Piratas” lhe rendeu um Daytime Emmy. No cinema, também interpretou Long John Silver em “Os Muppets na Ilha do Tesouro”, de 1996, antes de participar de outras produções comerciais como “As Panteras”, em 2000.

O teatro permaneceu paralelo à carreira audiovisual. Em 2005, Curry recebeu sua 3ª indicação ao Tony como Rei Arthur em “Monty Python’s Spamalot”, papel que também interpretou em Londres. A montagem permaneceu entre os trabalhos mais celebrados de sua última fase como ator.

AVC mudou os últimos anos da carreira

O AVC de 2012 deixou Curry dependente de cadeira de rodas e reduziu drasticamente suas aparições diante das câmeras. A dublagem passou a ocupar espaço ainda maior, embora ele continuasse fazendo aparições públicas e trabalhos pontuais.

Em 2016, voltou ao universo que o consagrou como narrador do telefilme “The Rocky Horror Picture Show: Let’s Do the Time Warp Again”, com Laverne Cox no papel de Frank-N-Furter. Em 2024, retornou ao cinema no terror “Stream”, seu primeiro papel em um longa após anos afastado.

Curry publicou em 2025 a autobiografia “Vagabond”, na qual revisitou a carreira, o impacto de “Rocky Horror” e a recuperação após o AVC. No mesmo ano, participou das comemorações pelos 50 anos de “The Rocky Horror Picture Show”, reencontrando pela última vez os integrantes do elenco que transformou o fracasso de 1975 em um dos fenômenos cult mais duradouros do cinema.

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