
Divulgação/Columbia Pictures
Shelley Fabares, estrela de três filmes com Elvis Presley, morre aos 82 anos
Atriz também virou ídolo adolescente com o hit “Johnny Angel” e estrelou produções de praia muito reprisadas na televisão
Estrela dos anos 1960 morreu em Los Angeles
Shelley Fabares, atriz e cantora que se tornou ídolo adolescente nos anos 1960 e estrelou três filmes ao lado de Elvis Presley, morreu no sábado (22/8), aos 82 anos, em Los Angeles. A morte foi confirmada pela família, que não divulgou a causa. Para o público americano, ela também ficou marcada pelas séries “The Donna Reed Show” e “Coach”, mas sua imagem atravessou gerações no Brasil principalmente por meio dos musicais e comédias juvenis que frequentaram a televisão durante décadas.
“Johnny Angel” transformou atriz em estrela pop
Shelley se tornou conhecida como Mary Stone, filha adolescente de Donna Reed em “The Donna Reed Show”. Ela apareceu em 192 dos 275 episódios da série, exibida na TV Tupi com o título “Nossa Vida com Mamãe” entre o fim dos anos 1950 e a primeira metade da década seguinte. Ao entrar nos anos 1960, a série resolveu explorar musicalmente a popularidade de seus jovens atores. Foi nesse contexto que ela gravou “Johnny Angel”, embora mais tarde admitisse que nunca se considerou propriamente uma cantora.
O resultado contrariou suas próprias expectativas. Lançada em 1962, “Johnny Angel” chegou ao 1º lugar da Billboard Hot 100, permaneceu duas semanas no topo, vendeu mais de 1 milhão de cópias e terminou como a 6ª música mais popular daquele ano nos Estados Unidos. A gravação transformou Shelley em teen idol e abriu espaço para álbuns e outros compactos, ainda que a atuação continuasse sendo sua atividade principal.
Praia, juventude e rock’n’roll
A transição para o cinema coincidiu com a explosão das produções voltadas ao público jovem, carregadas de música, romances, carros, praias e surfe. Ela já vinha circulando por esse universo antes de se transformar em ídolo adolescente. Ainda menina, interpretou Twinky Daley, irmã mais nova do roqueiro Jimmy Daley (John Saxon), em “Curvas e Requebros” (1956), comédia musical centrada numa banda juvenil de rock’n’roll. Ela retomou a mesma personagem dois anos depois em “Estação do Amor” (1958), continuação que leva o grupo para um trabalho de verão num acampamento em Lake Tahoe.
Em 1964, Shelley fez seu grande splash nas telas, ao aparecer de biquíni com o cantor Fabian, Tab Hunter e Barbara Eden (ela mesma, a “Jeannie É um Gênio”) em “Mar Raivoso” (Ride the Wild Surf), aventura ambientada no Havaí que acompanhava jovens surfistas em busca das grandes ondas de Waimea. O filme, que integra o ciclo de “beach movies” da época, fez enorme sucesso… nas rádios, graças à música-título gravada por Jan & Dean.
Logo depois começou sua associação com o Rei do Rock. Shelley foi par romântico de Elvis Presley em “Louco por Garotas” (1965), “Minhas Três Noivas” (1966) e “O Barco do Amor” (1967). No primeiro, viveu Valerie, jovem que o personagem de Elvis é contratado para vigiar durante as férias em Fort Lauderdale, e chegou a cantar com ele em “Spring Fever”.
A química funcionou o suficiente para reuni-los mais duas vezes. Em “Minhas Três Noivas”, ela foi uma das mulheres que disputaram o piloto de corridas vivido por Elvis. Já em “O Barco do Amor”, interpretou uma jovem que se aproxima do herdeiro de um magnata do petróleo enquanto ele finge ser um simples instrutor de esqui aquático.
Neste período, ela também entrou na onda da “invasão britânica” e contracenou com o Herman’s Hermits em “Aguenta a Mão”, musical estrelado pela banda britânica em 1966. No filme, Shelley vive Louisa Page, interesse amoroso de Herman (o cantor Peter Noone), e ainda cantou “Make Me Happy” na trilha sonora.
Televisão acompanhou final da carreira
Em 1971, ela viveu Joy Piccolo em “Glória e Derrota”, telefilme estrelado por James Caan e Billy Dee Williams sobre a amizade entre os jogadores de futebol americano Brian Piccolo e Gale Sayers diante da doença terminal de Piccolo. O drama tornou-se um dos telefilmes mais celebrados da década.
Mais tarde, Shelley voltou a ter um papel fixo de grande repercussão nos Estados Unidos em “Coach”. Entre 1989 e 1997, interpretou Christine Armstrong, jornalista de televisão que se envolve com o treinador Hayden Fox, vivido por Craig T. Nelson. O trabalho lhe rendeu duas indicações ao Emmy, em 1993 e 1994. A série chegou ao Brasil pelo canal Sony.
Ela enfrentou problemas graves de saúde depois do fim de “Coach” e praticamente deixou os papéis diante das câmeras, mas continuou trabalhando como dubladora. Entre 1996 e 2000, deu voz a Martha Kent, mãe adotiva do Superman, em “Superman: A Série Animada”. Retomou a personagem em “Liga da Justiça”, em 2003, e novamente no longa “Superman: Brainiac Ataca”, de 2006, que acabou sendo seu último trabalho como atriz.
Há ainda um detalhe curioso: Mike Farrell, marido de Shelley, fazia a voz de Jonathan Kent nas mesmas produções. Ou seja, os dois interpretavam juntos os pais adotivos do Superman.
Transplante mudou seus últimos anos
A atriz foi casada com o produtor musical Lou Adler nos anos 1960 e, desde 1984, com Mike Farrell, conhecido por “MASH”. O casal participou de campanhas políticas e movimentos sociais, incluindo protestos contra intervenções dos Estados Unidos na América Central e apoio ao movimento antinuclear. Shelley também teve participação ativa no Screen Actors Guild, Sindicato dos Atores dos EUA, e colaborou com as primeiras edições do SAG Awards.
Em 2000, passou por um transplante de fígado após esperar quase dois anos por um órgão, experiência que a levou a defender publicamente a doação de órgãos. Também se envolveu com a Alzheimer’s Association depois que sua mãe desenvolveu a doença.