
Divulgação/SBT
Ratinho chama cantor de “viado” e volta a ser acusado de homofobia
Ana Paula Renault cobra reação do SBT após apresentador constranger Tiago Piquilo por causa do cabelo platinado
Comentário provoca nova crise
Ratinho voltou a ser acusado de homofobia depois de dizer que Tiago Piquilo, da dupla Hugo e Tiago, estava “com uma cara de ‘viado’” por ter pintado o cabelo de loiro. O cantor tentou disfarçar o constrangimento durante o programa, mas o vídeo repercutiu nas redes sociais e levou Ana Paula Renault a cobrar uma reação do SBT diante da repetição de comentários preconceituosos em sua programação.
Como aconteceu o constrangimento?
Tiago participou com Hugo do “Programa do Ratinho” na noite de quarta (5/8). Ao observar o novo visual do sertanejo, o apresentador decidiu associar o cabelo platinado à orientação sexual. “Você está com uma cara de ‘viado’”, disparou Ratinho.
Visivelmente sem graça, Tiago não confrontou o apresentador e tentou encerrar o assunto com uma resposta breve. “É um tal de inventar moda, né?”, disse.
Ratinho concordou e seguiu com a atração como se o comentário não tivesse causado qualquer desconforto.
Críticas cobram tratamento igual no SBT
O trecho começou a circular pouco depois da exibição e provocou uma onda de críticas no X. Parte do público questionou se o apresentador enfrentaria alguma consequência ou se sua posição histórica dentro do SBT voltaria a protegê-lo.
O influenciador Matty Bala comparou a situação à recente pressão pela demissão de Carol Lekker, após ela atacar Eliana no “Fofocalizando”. “Será que vão afastar o Ratinho por essa fala? Será que a Sonia Abrão vai pedir a cabeça dele? Óbvio que não!”, ironizou.
Léo Bernardes destacou que o episódio não pode ser tratado como um deslize isolado. “O cara é homofóbico reiteradas vezes; vai continuar sendo, pois sabe que pessoas como ele ficam impunes”, escreveu.
“Homofobia recreativa”
A cobrança chegou à direção do SBT por meio de uma carta aberta publicada pelo colunista Alessandro Lo-Bianco e dirigida a Daniela Beyruti, presidente da emissora.
Nos comentários, Ana Paula Renault lembrou que uma concessão de televisão aberta alcança milhões de pessoas e não pode apresentar o preconceito como se fosse apenas uma brincadeira. “A televisão aberta entra na casa de milhões de famílias e não pode continuar dando palco ao preconceito e chamando isso de entretenimento”, escreveu a campeã do BBB 26.
A jornalista comparou o recurso usado por Ratinho a outras formas de violência disfarçadas de humor. “Racismo recreativo, machismo recreativo, homofobia recreativa, mudam-se o alvo, mas o mecanismo é o mesmo: transformar a humilhação de alguém em diversão para os outros”, afirmou.
Para Ana Paula, a repetição impede que o episódio seja reduzido a uma escolha infeliz de palavras.
“Quando isso se repete, já não cabe tratar como uma simples fala infeliz. A mídia precisa ajudar a sociedade a avançar, não autorizar que ela retroceda”, completou.
Apresentador acumula episódios semelhantes
A repercussão atual ocorre três meses depois de Ratinho reclamar da presença de casais gays nas novelas e insinuar que esse tipo de representação poderia “incentivar” a homossexualidade.
“Quando eu vejo dois homens se beijando, eu já fico preocupado: ele já saiu do mercado e levou mais um. É porque é muita novela mostrando homem beijando homem, mulher beijando mulher. Não sei se incentiva isso, porque, no meu tempo, que o negócio funcionava, não tinha isso”, declarou em maio.
A fala provocou denúncias contra Ratinho e o SBT ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público de São Paulo.
Caso Erika Hilton ainda tramita na Justiça
Em março, Ratinho também negou repetidamente a identidade de gênero de Erika Hilton ao comentar a eleição da deputada para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. “Ela não é mulher, ela é trans”, afirmou na ocasião.
A declaração provocou protestos, representações contra o programa e uma ação judicial movida pela parlamentar.
A 2ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo determinou em junho que o SBT exibisse um vídeo de direito de resposta no “Programa do Ratinho”, com o mesmo horário, duração e destaque das declarações ofensivas. O juiz André Della Latta Cartaxo entendeu que o apresentador ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao negar reiteradamente a identidade de Erika.
O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu temporariamente a exibição do vídeo em julho, atendendo a um recurso do SBT. A medida continuará sem efeito até que a 2ª instância julgue o mérito do recurso.
Aberto para posicionamentos
Ratinho não comentou a repercussão do ataque a Tiago Piquilo. O SBT também não havia divulgado um posicionamento até a publicação deste texto.
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.