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Divulgação/Vitrine Filmes

Filme|5 de agosto de 2026

Premiação da Academia Brasileira de Cinema vira polêmica e gera acusações

Kleber Mendonça Filho critica concentração "sudestina" da Academia após dividir Melhor Filme com “Manas”


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Empate transforma premiação em polêmica
2 Como os prêmios foram divididos?
3 Academia Brasileira ignora consagração mundial
4 Kleber criticou Academia
5 Diretor acusa votação de “revanchismo”
6 Como começou a disputa “Manas” x “O Agente Secreto”?

Empate transforma premiação em polêmica

O empate entre “Manas” e “O Agente Secreto” como Melhor Longa-Metragem de Ficção no Grande Otelo provocou acusações de boicote contra o filme de Kleber Mendonça Filho. A reação aumentou depois que o cineasta criticou a concentração “sudestina” da Academia Brasileira de Cinema. Líder da premiação com 18 indicações e consagrado internacionalmente, “O Agente Secreto” saiu com quatro troféus, enquanto “Manas” venceu cinco categorias, incluindo Direção e Roteiro Original.

Como os prêmios foram divididos?

“O Agente Secreto” chegou à cerimônia de terça (4/8) como o filme mais indicado da edição. A produção já havia rendido a Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura os prêmios de Direção e Ator no Festival de Cannes, vencido o Critics Choice de Filme Internacional e conquistado dois Globos de Ouro. Também recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme.

No Grande Otelo, porém, o longa venceu apenas Melhor Filme, Direção de Fotografia, Direção de Arte e Efeitos Visuais, e, ainda assim, dividiu o prêmio principal com “Manas”.

Academia Brasileira ignora consagração mundial

Vencedor do Globo de Ouro e do prêmio de Cannes, Wagner Moura perdeu a disputa de Melhor Ator para Jesuíta Barbosa, que interpretou Ney Matogrosso em “Homem com H”. Kleber também não repetiu no Brasil sua vitória de Cannes e foi superado por Marianna Brennand em Melhor Direção.

“Manas” dividiu o troféu principal com “O Agente Secreto” e ainda venceu Direção, Roteiro Original, Atriz Coadjuvante para Dira Paes e Montagem de Ficção. O drama sobre violência sexual contra meninas na Ilha de Marajó terminou a cerimônia com cinco estatuetas. Até então, sua maior consagração tinha sido o prêmio de Direção numa mostra paralela do Festival de Veneza, com os demais reconhecimentos restritos em sua maioria a premiações secundárias nacionais.

Kleber criticou Academia

A insatisfação ganhou uma dimensão regional quando Kleber subiu ao palco para receber o prêmio principal. Embora tenha celebrado a vitória, o diretor pernambucano aproveitou o discurso para cobrar maior diversidade dentro da Academia Brasileira de Cinema.

“Há um ar forte ‘sudestino’ que a gente precisa dissipar um pouco na Academia Brasileira de Cinema”, declarou. A fala foi interpretada como uma crítica ao predomínio de profissionais do Rio de Janeiro e de São Paulo na instituição responsável pelo Grande Otelo.

O regulamento estabelece que os filmes e profissionais são votados pelos membros do Conselho Acadêmico. Em 2026, 31 categorias foram decididas pelos associados, enquanto apenas o prêmio do Júri Popular teve votação aberta ao público.

Diretor acusa votação de “revanchismo”

O resultado alimentou críticas nas redes sociais, onde internautas passaram a comparar a premiação nacional com a trajetória internacional dos dois filmes.

O diretor baiano Thiago Dude teve grande repercussão ao classificar o empate como “puro revanchismo e classismo”. Para ele, a Academia teria tentado forçar “Manas” durante a escolha do representante brasileiro no Oscar, mas não conseguiu devido à pressão popular. “Já que não conseguiram emplacar ‘Manas’ — que é bom, mas dificilmente chegaria ao Oscar — boicotaram ‘O Agente Secreto’ descaradamente”, escreveu.

“Chateados pela pressão popular que impediu, graças a Deus, ‘Manas’ de ir ao Oscar, foram extremamente revanchistas e, tentando não escancarar ainda mais o ranço, decidiram empatar ‘Manas’ e ‘O Agente Secreto’ como Melhor Filme. Na cara dura”, completou.

Como começou a disputa “Manas” x “O Agente Secreto”?

A declaração do cineasta baiano viralizou e lembrou a polêmica em torno da decisão do filme que representaria o Brasil no Oscar. Na época, a Folha registrou que a disputa causou desconforto dentro da Academia. Bárbara Paz — então diretora-secretária da instituição — interagiu favoravelmente com uma publicação da campanha de “Manas”, enquanto o apoio de Fernanda Torres ao filme provocou forte reação nas redes.

A atriz, também vencedora do Globo de Ouro, precisou esclarecer que não fazia campanha e acabou defendendo “O Agente Secreto” como a escolha mais competitiva.

“Manas” e “O Agente Secreto” estavam entre os seis finalistas, e o filme de Kleber Mendonça Filho foi escolhido no dia seguinte para representar o Brasil, numa votação que não teve placar revelado.

Logo em seguida, a Academia preteriu “O Agente Secreto” por “Manas” na indicação ao Goya (o Oscar espanhol) de Melhor Filme Ibero-Americano. A justificativa ventilada na ocasião foi apenas optar por filmes diferentes para as duas premiações.

“O Agente Secreto”, por sua vez, recebeu quatro indicações ao Oscar, inclusive na categoria principal de Melhor Filme, num feito histórico para o cinema nacional.

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