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Divulgação/Paramount

Filme|15 de agosto de 2026

Mark Rydell, diretor de “Num Lago Dourado”, morre aos 97 anos

Cineasta indicado ao Oscar trabalhou com Henry Fonda, Katharine Hepburn, Steve McQueen e John Wayne


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Cineasta morreu de causas naturais
2 Como “Num Lago Dourado” marcou sua carreira?
3 Rydell começou a carreira como ator
4 A estreia na direção
5 A volta à atuação
6 A consagração como cineasta
7 Um diretor de atores
8 Últimos trabalhos atrás das câmeras

Cineasta morreu de causas naturais

Mark Rydell, diretor indicado ao Oscar por “Num Lago Dourado”, morreu na quinta (13/8), aos 97 anos. A filha Amy Rydell confirmou que o cineasta morreu de causas naturais na Motion Picture & Television Country House and Hospital, instituição voltada a profissionais da indústria do entretenimento em Woodland Hills, na Califórnia.

Como “Num Lago Dourado” marcou sua carreira?

Lançado em 1981, “Num Lago Dourado” recebeu dez indicações ao Oscar e deu a Rydell sua única nomeação como Melhor Diretor. Henry Fonda venceu como Melhor Ator por seu último papel no cinema, Katharine Hepburn conquistou sua 4ª estatueta de Melhor Atriz e Ernest Thompson levou o prêmio de roteiro adaptado.

O drama, também estrelado por Jane Fonda, arrecadou mais de US$ 119 milhões nos Estados Unidos e Canadá e terminou 1981 como a 2ª maior bilheteria do ano naquele mercado. A produção ainda ganhou dimensão pessoal pela relação difícil entre Henry e Jane Fonda, pai e filha também na vida real.

Rydell começou a carreira como ator

Nascido Mortimer Harold Rydell em Nova York, em 1929, ele pretendia inicialmente seguir a música. Estudou piano com o jazzista Teddy Wilson na Juilliard, mas depois migrou para a atuação, passando pelo Neighborhood Playhouse e pela Broadway antes de conseguir papéis na televisão. Ele apareceu em novelas como “As the World Turns” antes de trocar a atuação pela direção.

A estreia na direção

Ele começou a dirigir séries como “O Homem de Virgínia”, “James West”, “O Fugitivo” e “Gunsmoke” antes de estrear no cinema em 1967 com “Apenas uma Mulher”. O filme, baseado em D.H. Lawrence, chamou atenção pela abordagem de uma relação lésbica — algo ainda raro no cinema americano e que só se tornou viável naquele momento de abertura temática, em que o velho sistema de estúdios e o Código Hays (de censura) perdiam força.

Depois vieram as aventuras “Os Rebeldes” (1969), com Steve McQueen, “Os Cowboys” (1972), com John Wayne, e “Licença Para Amar Até a Meia-Noite” (1973), com James Caan e Marsha Mason, numa trajetória inteiramente inserida na renovação do cinema americano.

A volta à atuação

O cineasta também era ligado pessoal e profissionalmente a figuras centrais da chamada Nova Hollywood. Era amigo e sócio de Sydney Pollack, com quem criou a Sanford Productions, e foi dirigido por Robert Altman em sua retomada da carreira de ator em “O Perigoso Adeus” (1973). No filme, um dos mais emblemáticos do revisionismo de gênero da Nova Hollywood, Rydell viveu Marty Augustine, o gângster explosivo que ameaça o detetive Philip Marlowe interpretado por Elliott Gould. A obra é hoje considerada um marco do neo-noir, por transportar o texto clássico de Raymond Chandler e seu detetive icônico para a Los Angeles desencantada dos anos 1970.

Depois, voltou a atuar para Pollack em “Havana” (1990) e teve um papel importante em “Dirigindo no Escuro” (2002), de Woody Allen, como Al Hack, agente do cineasta vivido por Allen.

A consagração como cineasta

Rydell manteve aparições ocasionais como ator, mas a direção permaneceu no centro de sua trajetória e ganhou novo impulso no fim dos anos 1970. Em “A Rosa” (1979), transformou a estreia de Bette Midler no cinema em um dos papéis mais marcantes da cantora. Inspirado livremente na trajetória de Janis Joplin, o drama rendeu indicações ao Oscar para Midler e Frederic Forrest e consolidou a reputação de Rydell como um diretor especialmente habilidoso no trabalho com atores.

Dois anos depois, Rydell chegou ao auge comercial e crítico com “Num Lago Dourado” (1981). O filme confirmou sua habilidade para conduzir grandes intérpretes e transformou o reconhecimento acumulado ao longo da década anterior em sua única indicação ao Oscar de Melhor Diretor.

O drama familiar reuniu Henry Fonda, Katharine Hepburn e Jane Fonda, recebeu dez indicações ao Oscar, incluindo para seu elenco. O filme também teve uma dimensão particular por colocar Jane diante do próprio pai numa história sobre a reconciliação de uma relação familiar difícil, refletindo a situação real da família Fonda.

Um diretor de atores

O reconhecimento não se limitou aos dois filmes. Ao longo da carreira, nove interpretações em obras dirigidas por Rydell foram indicadas ao Oscar. A lista também inclui Rupert Crosse por “Os Rebeldes”, Marsha Mason por “Licença para Amar até a Meia-Noite”, Sissy Spacek por “O Rio do Desespero” (1984) e novamente Midler por “Para Eles, com Muito Amor” (1991).

Essa capacidade de conduzir intérpretes tornou-se uma das marcas de seu cinema. “O Rio do Desespero”, com Sissy Spacek e Mel Gibson como um casal de agricultores ameaçado por enchentes e dificuldades financeiras, recebeu cinco indicações ao Oscar. Em “Para Eles, com Muito Amor”, Rydell reencontrou Bette Midler numa história que atravessava décadas da vida de uma dupla de artistas que se apresentava para soldados americanos.

Nos anos 1990, sua produção para o cinema diminuiu. Ele dirigiu Richard Gere, Sharon Stone e Lolita Davidovich no drama romântico “Intersection: Uma Escolha, uma Renúncia” (1994), mas passou a alternar os longas com trabalhos para a televisão.

Últimos trabalhos atrás das câmeras

Um dos destaques dessa fase foi “James Dean” (2001), telefilme estrelado por James Franco. A produção teve um componente curioso na trajetória de Rydell: ele havia conhecido Dean pessoalmente quando os dois eram jovens atores e disputavam os mesmos papéis na televisão em 1953. Quase meio século depois, dirigiu a cinebiografia e ainda apareceu diante das câmeras como o poderoso chefe de estúdio Jack Warner. Franco ganhou o Globo de Ouro pela interpretação.

O último longa dirigido por Rydell foi “A Última Aposta” (2006), drama sobre vício em jogos que reuniu Kim Basinger, Danny DeVito, Forest Whitaker, Tim Roth, Kelsey Grammer e Ray Liotta. Ele ainda voltou à direção no ano seguinte com “A Clean Escape”, episódio da antologia televisiva “Masters of Science Fiction”, seu último trabalho como diretor.

Nos anos seguintes, Rydell concentrou parte de suas atividades na formação de novos profissionais. Foi codiretor artístico do Actors Studio West ao lado de Martin Landau e também deu aulas e oficinas de atuação e direção. A ligação com os atores, que atravessou toda sua trajetória desde os primeiros anos no palco, acabou permanecendo como uma das características centrais mesmo após se afastar das câmeras.

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