
Instagram/Mark Ruffalo
Mark Ruffalo ataca compra da Warner e Paramount rebate: “Estereótipos antissemitas”
Ator relacionou negócio à Oracle e ao apoio tecnológico a Israel
Críticas à megafusão
O ator Mark Ruffalo, intérprete do Hulk no universo Marvel, voltou a atacar na sexta (21/8) a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, desta vez ao relacionar a família Ellison à Oracle e ao apoio tecnológico da empresa ao Exército de Israel. Em Stories do Instagram, ele compartilhou um vídeo de Safra Catz, vice-presidente executiva da Oracle, falando sobre tecnologias fornecidas aos militares israelenses durante a guerra contra o Hamas.
O que Ruffalo disse sobre a Oracle?
No vídeo compartilhado pelo ator, Catz afirma que a Oracle colocou à disposição do Exército israelense uma “tecnologia realmente profundamente assustadora”, sem detalhar quais sistemas foram fornecidos. Larry Ellison, cofundador da Oracle e pai do presidente da Paramount, David Ellison, é um dos principais financiadores da operação para comprar a Warner.
“Esta é a empresa que Larry Ellison está usando para financiar a aquisição da Warner Bros. por seu filho David”, escreveu Ruffalo. “Essas ‘tecnologias realmente profundamente assustadoras’ provavelmente serão incorporadas a um dos maiores conglomerados de mídia do mundo e, um dia, usadas contra você. Veja como ela se alegra com o que agora passamos a ver como um genocídio, que foi construído sobre um sistema de opressão de apartheid alimentado pela Oracle.”
Por que o ator quer barrar o negócio?
Ruffalo também voltou a argumentar que a concentração dos dois estúdios prejudicaria trabalhadores e consumidores. “Há um velho ditado: ‘A maneira como você faz uma coisa é a maneira como faz tudo’. De uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Alimentando algumas das forças mais destrutivas e desumanas do mundo. Por que Trump empurrou essa fusão ilegal adiante? Larry Ellison será dono da maior parte da ‘Para Bros’. Larry é um oligarca clássico. Eles estão esmagando trabalhadores e concentrando a riqueza do mundo para seu próprio poder e domínio.”
O ator citou ainda projeções sobre o impacto da compra no mercado de trabalho de Los Angeles. “Temos uma chance de impedir isso. Há 12 procuradores-gerais estaduais processando para bloquear esta fusão. Será catastrófica para nossa indústria cinematográfica. Haverá a perda de 4.500 empregos diretos na produção audiovisual e de outros 10 mil empregos auxiliares. Fusões como esta quase sempre são ruins para trabalhadores, consumidores e para a indústria que tendem a dominar. É um caso clássico de antitruste. Vai aumentar o custo da TV por assinatura e reduzir a concorrência. Isso significa menos opções para nosso público. Também concentra uma enorme quantidade de controle criativo em empresas que dizem e fazem coisas como essa mulher estranha da Oracle. Pessoas realmente profundamente assustadoras.”
Paramount reage às declarações
A Paramount respondeu às publicações de Ruffalo e relacionou as críticas do ator ao uso de estereótipos antissemitas. “Estamos, como sempre, preocupados quando estereótipos antissemitas são invocados supostamente a serviço de uma disputa empresarial. Palavras como ‘genocídio’ e ‘apartheid’, aplicadas a uma transação corporativa, não estão apenas erradas — elas passam dos limites e diminuem o sofrimento muito real que essas palavras deveriam descrever. Isso não merece uma resposta na mesma moeda — e, para deixar claro, não toleramos preconceito de nenhum tipo, contra ninguém.”
A empresa acrescentou: “Isso nos leva a um momento de baixar a temperatura, não de aumentá-la. Preferimos construir a continuar participando desse tipo de retórica. Isso simplesmente expõe a verdadeira motivação de alguns que têm defendido a oposição a esta transação. Por outro lado, nosso compromisso com ótimo conteúdo é acompanhado por nosso compromisso com a aceitação — de todas as histórias, de todos os contadores de histórias, e sem listas negras, sem exceções, para ninguém.”
“Entendemos que as pessoas têm opiniões fortes sobre esta fusão e esperamos que ela seja julgada com base em seus méritos jurídicos, não em preconceitos subjacentes. Estamos pedindo a mesma boa-fé que oferecemos: menos retórica, mais compreensão. O futuro da Paramount está sendo escrito para todos que querem criar e assistir a grandes histórias”, concluiu a companhia.
Campanha começou antes das novas críticas
Ruffalo já vinha participando da mobilização contra a compra. Em abril, ele se uniu ao advogado Norm Eisen numa campanha para pressionar autoridades estaduais a barrar o negócio por razões antitruste. Uma carta aberta organizada com participação do Writers Guild of America (WGA), Sindicato dos Roteiristas dos EUA, reuniu mais de 5 mil assinaturas e afirmou que a operação poderia “ameaçar a sustentabilidade de toda a comunidade criativa”.
A oposição ganhou força em julho, quando uma coalizão liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, reuniu 12 estados numa ação para impedir a aquisição. O processo sustenta que a união eliminaria a concorrência direta entre dois dos cinco grandes distribuidores de cinema dos Estados Unidos e daria ao grupo resultante quase um terço do mercado de grandes lançamentos.
O WGA também contesta a operação. O sindicato afirma que a redução do número de grandes compradores de filmes e séries diminuiria empregos, salários e oportunidades para roteiristas.
Prefeita defende negociação
A nova manifestação de Ruffalo ocorreu depois que Karen Bass, prefeita de Los Angeles, pediu que Paramount e o procurador-geral da Califórnia negociem uma solução para o impasse. Ela afirmou que sua posição não representa apoio a um dos lados, mas uma tentativa de evitar novos danos à indústria audiovisual da cidade.
O posicionamento provocou críticas do WGA, que rejeitou a ideia de que a única alternativa à fusão seria a saída da Paramount da Califórnia. David Ellison ameaçou transferir a sede da empresa para outro estado caso o conflito não avance para uma solução negociada.
A aproximação entre os lados começou a tomar forma. Representantes da Paramount e do gabinete de Rob Bonta devem se reunir na segunda (24/8) para discutir um possível acordo. Enquanto isso, a compra permanece suspensa, e o julgamento da ação antitruste está previsto para março de 2027.