
Instagram/Lilly Wachowski
Diretora de “Matrix” não consegue financiar filme com elenco trans
Lilly Wachowski afirma que produtores elogiam “The Hunted”, mas resistem ao orçamento de US$ 10 milhões com atores trans em todos os papéis
Hollywood resiste a novo filme de Lilly Wachowski
Lilly Wachowski está encontrando dificuldades para financiar “The Hunted”, thriller político distópico de US$ 10 milhões que pretende realizar com um elenco inteiramente formado por pessoas trans. A diretora de “Matrix” afirmou que o roteiro desperta interesse em Hollywood, mas que potenciais financiadores recuam diante da proposta de colocar artistas trans em todos os papéis.
O que ela ouviu em Hollywood?
“As pessoas gostam, mas realmente não querem fazer porque o elenco é inteiramente trans”, afirmou Wachowski no podcast “The Business”, da KCRW. “Preciso ser criativa e descobrir maneiras diferentes de colocar isso diante das pessoas.”
A cineasta escreveu “The Hunted” com sua companheira, Mickey Ray Mahoney. O projeto está em desenvolvimento pela Anarchists United, de Wachowski, e pela Ariadne, produtora de Natasha Lyonne.
Filme nasceu da revolta da diretora
Wachowski explicou que o roteiro surgiu diretamente de sua reação ao ambiente político e social enfrentado pela população trans.
“Este é um roteiro que foi extremamente importante para mim escrever. Foi uma resposta ao que está acontecendo no mundo com as pessoas trans e me deu um recipiente imensamente catártico para despejar toda a minha raiva, indignação e frustração”, afirmou.
Sem conseguir até agora o financiamento necessário, a diretora decidiu experimentar outras maneiras de levar a história ao público. No último fim de semana, ela e Lyonne organizaram uma leitura ao vivo do roteiro no teatro Dynasty Typewriter.
“Vou simplesmente sair e agarrar essa alegria trans com todos os meus amigos”, explicou. “Não é aquilo que eu imaginava que seria, mas o resultado final é o mesmo.”
Qual é a história de “The Hunted”?
O filme é ambientado numa versão distópica dos Estados Unidos em que pessoas trans são perseguidas, violentadas e empurradas para as margens da sociedade.
A trama começa quando um crime brutal provoca uma reação de solidariedade e resistência dentro de uma comunidade trans. Duas mulheres passam então a procurar o responsável e descobrem uma ligação que alcança os níveis mais altos do governo.
Wachowski define o projeto como um thriller político na tradição de histórias sobre rebelião contra governos autoritários, com uma investigação criminal servindo de caminho para explorar a perseguição institucional à população trans.
Representação trans desapareceu
A dificuldade para financiar o projeto aparece num momento de forte retração da representação trans no cinema comercial americano. O estudo “Where We Are in Film”, divulgado pela GLAAD, analisou 225 filmes lançados em 2025 pelos dez grandes distribuidores acompanhados pela organização e não encontrou um único personagem trans.
Dos 225 títulos analisados, 46 tinham personagens LGBTQIA+, equivalentes a 20,4% do total. O índice representa o terceiro ano consecutivo de queda depois do recorde de 28,5% registrado em 2023.