
Divulgação/Lionsgate
Diretor diz que equipe de Hayden Panettiere discutiu intervenção antes da morte
Griff Furst afirma que atriz lutava para permanecer sóbria durante filme de 2025 e que aceitou participar da iniciativa
Equipe discutiu uma intervenção
O cineasta Griff Furst revelou que a equipe de Hayden Panettiere chegou a discutir uma intervenção para tentar ajudar a atriz antes de sua morte aos 36 anos. Codiretor de “A Breed Apart” (2025) com o irmão Nathan Furst, um dos últimos filmes de Hayden, ele afirmou que foi convidado a participar da iniciativa depois das filmagens e aceitou, mas não sabe se o encontro chegou a acontecer.
Por que a equipe estava preocupada?
Furst afirmou que percebeu Hayden lutando para manter a sobriedade durante o período em que trabalharam juntos. A atriz havia relatado publicamente sua dependência de álcool e drogas e voltou ao assunto em “This Is Me: A Reckoning”, autobiografia lançada em maio deste ano.
“Quando penso nisso, não é apenas uma história sobre Hayden. Eu cresci em sets de filmagem, conheço muito bem vários atores que começaram quando crianças e entendo o que acontece com alguém que cresce diante de uma câmera antes de ter idade suficiente para consentir. Hayden começou a atuar aos 11 meses, então eu torcia para que ela vencesse a dependência sobre a qual falou aberta e publicamente em suas memórias”, declarou.
O diretor contou que manteve contato com pessoas da equipe de Hayden depois do fim das filmagens. Foi nesse período que surgiu a possibilidade da intervenção.
“Depois que terminamos, porém, continuei em contato com a equipe dela. O que acabou sendo decidido foi que talvez ela precisasse de uma intervenção e me pediram para participar. Eu disse sim, mas essa intervenção não aconteceu, pelo menos até onde sei, e eu não estava liderando essa iniciativa nem seria apropriado que estivesse”, afirmou.
Diretor relata limites dentro de uma filmagem
Furst explicou que produtores e diretores podem perceber problemas durante uma produção, mas não têm necessariamente condições de determinar o que está acontecendo na vida particular de um integrante do elenco.
“Um produtor ou diretor, por mais certeza que tenha de que um ator ou integrante da equipe está numa situação ruim, não tem as provas nem o benefício do tempo para verificar isso. Você pode ajustar o cronograma, pode reunir relatos internos e pode designar alguém para acompanhar e garantir que aquela pessoa esteja recebendo o melhor cuidado possível.”
“A Breed Apart”, terror lançado em maio de 2025, também tem Grace Caroline Currey (“Shazam! Fúria dos Deuses”), Virginia Gardner (“Fall”) e Riele Downs (“Henry Danger”) no elenco. Hayden interpreta Hayden Hearst no filme.
Brian Hickerson esteve nas filmagens
Furst já havia relatado nesta semana que sentiu que “algo estava errado” quando Hayden chegou para trabalhar no longa. Ele também mencionou a presença de Brian Hickerson, namorado com quem a atriz manteve um relacionamento marcado por episódios de violência doméstica.
“O que vou dizer é minha opinião, e é sobre aquilo que vi no meu próprio set: alguém lutando para permanecer sóbria e que merecia uma companhia melhor ao seu redor do que aquilo que observei”, afirmou.
Hickerson foi condenado em 2021 depois de não contestar duas acusações criminais relacionadas a agressões contra Hayden. Ele cumpriu pena de prisão e foi obrigado a participar de um programa sobre violência doméstica.
Em “This Is Me: A Reckoning”, Hayden também relatou episódios de agressão durante o relacionamento. Anos depois, os dois voltaram a manter contato, e Hickerson estava na residência em Greenville, na Carolina do Sul, quando ela morreu no domingo (16/8).
DEA entra na investigação
A causa da morte ainda não foi determinada. A autópsia não encontrou sinais de trauma que pudessem ter contribuído para o falecimento, e os investigadores aguardam exames toxicológicos.
A Polícia de Greenville conduz a investigação e agora conta também com o auxílio da DEA, agência federal americana responsável pelo combate ao tráfico de drogas e pelo controle de substâncias. A participação do órgão foi confirmada à ABC News por fontes ligadas ao caso.
Áudios do atendimento de emergência registraram referências a uma possível overdose e a uma parada cardíaca. Um dispositivo para aplicação de Narcan, medicamento usado para reverter overdoses de opioides, também foi encontrado na residência. Nenhum desses elementos confirma ainda que Hayden tenha sofrido uma overdose. O exame toxicológico está em andamento.
Furst lamenta falta de apoio em Hollywood
Ao encerrar seu relato, o diretor ampliou a crítica para a maneira como a indústria lida com profissionais que enfrentam dependência ou outros problemas pessoais.
“Hollywood tem uma história extremamente triste de estrelas que não recebem a ajuda que merecem. Nosso negócio não tem solução para isso, então nossas observações são colocadas no papel e jogadas num relatório de produção. Aí, um ano depois, você simplesmente está lendo as notícias. Tive muita sorte de trabalhar com Hayden. Queria que ela ainda estivesse aqui.”